O olhar sombrio do homem se voltou para ela. "Desde quando você ficou tão tagarela?"
Chen Feng baixou a cabeça assustado. "Fui eu que errei. Farei conforme suas ordens."
Ele observou friamente a garota ansiosa no pátio, enquanto todos corriam desesperados procurando o gato.
Quando o empregado encontrou o animal, o gato havia escapado para o quintal dos fundos por brincadeira. E o quintal era onde os cães de caça ficavam confinados. Gatos e cães são inimigos naturais, e em um instante, a matilha perseguiu o gato ragdoll por todo lado.
Quando eles chegaram, o ragdoll estava encurralado no topo do muro, sem ousar descer, enquanto os cães de caça latiam furiosamente para ele, com as bocas escancaradas.
Wenxi se aproximou em passos pequenos. Por andar rápido, os ferimentos que mal haviam cicatrizado doeram um pouco. Ela olhou preocupada para o ragdoll, que, no muro, estava em estado de ataque, aterrorizado pela matilha.
"Mimi!" Ela chamou o nome do gato.
Como Wenxi tinha medo de cães, Chen Feng, ao chegar, imediatamente mandou prender os cães de caça nas jaulas. O ragdoll foi pego e trazido para baixo.
Wenxi segurou Mimi no colo, acariciou sua cabeça com preocupação. Ele, como se estivesse em um lugar seguro, encostou-se nela com ar cansado.
De volta à sala de estar, Wenxi lembrou da cena anterior e não pôde deixar de se sentir um pouco irritada. "Por que o seu patrão precisa criar tantos cães de caça?"
Chen Feng respondeu honestamente: "Isso é um hobby pessoal do patrão. Sou apenas um subordinado, não é conveniente perguntar demais."
"Ele é uma pessoa tão estranha. Fica o dia todo trancado no quarto lendo. Desde que veio para esta cidade, não fez nenhum amigo." De que adianta dar festas todos os dias, se no final ele não tem ninguém com quem compartilhar seus pensamentos?
Assim que ela terminou de falar, uma figura alta desceu lentamente pela escada em caracol.
Ele encarou a garota no andar de baixo com expressão fria. "Não é permitido criar gatos na vila."
Wenxi não sabia quando ele tinha aparecido ali, nem quanto da conversa ele tinha ouvido.
"Este gato é de Yanlan, aquela garota que sempre vem às suas festas. Sei que você não gosta de gatos. Devolverei a ela daqui a um tempo."
O homem não disse mais nada, apenas lançou um olhar frio para o gato no colo dela e subiu as escadas.
Wenxi achou o homem cada vez mais estranho. "O seu patrão sempre foi assim? Parece uma pessoa falsa, sem alegria nem tristeza. Que vida sem graça."
Chen Feng suspirou aliviado. "O patrão sempre teve saúde frágil desde criança. É introvertido e não gosta de contato com os outros."
Wenxi ficou surpresa ao ouvir isso. "Ele tem saúde frágil?"
Não parecia. Ele tinha um corpo tão robusto, punhos tão fortes, como se pudesse derrubar alguém num instante.
"Sim." Disse Chen Feng. "Ele não gosta de agitação e sempre age sozinho. Por causa da doença, ele tem um temperamento frio e não se interessa muito por nada."
"Se ele não gosta de agitação, por que dá tantas festas?" Wenxi ficou intrigada. "Pensei que ele fosse uma pessoa extrovertida e alegre. Só depois de vir para a vila percebi que isso contrasta com a personalidade dele."
"É estranho, sim. O patrão não é do tipo que gosta de fazer amigos. Desde que veio para a cidade, ele sempre dá festas com frequência." Chen Feng sorriu levemente. "Mas, desde que a senhorita Wenxi se mudou para cá, parece que ele não convidou mais ninguém."
Wenxi ficou paralisada. "Eu?"
"Provavelmente é para não incomodá-la."
...
O gato que Chu Yanlan trouxe não era comportado. Depois da lição da última vez, ele não só não ficava quieto no quarto, como também adorava fugir escondido.
Isso fazia com que Wenxi revirasse armários e gavetas atrás dele toda vez.
Uma vez, ele teve a audácia de ir até o quarto do homem!
Wenxi foi procurá-lo, envergonhada. O homem, com o rosto sombrio, olhava para o gato encolhido em sua cama, que ainda esticava as patas preguiçosamente.
"Desculpe. Fui tomar um pouco de sol no pátio e não esperava que ele escapulisse..."
Wenxi foi apressadamente até a cama, espantou Mimi, arrumou os lençóis e, depois de garantir que não havia um único fio de pelo de gato, levantou-se e disse, extremamente arrependida: "Sinto muito. Da próxima vez, vou ficar de olho nele."
"Ele fez cocô no meu quarto." O homem apontou para a massa escura de fezes de gato debaixo da escrivaninha. "Seu gato. Você deve assumir total responsabilidade."
Wenxi, sem palavras, quis bater na própria testa. Depois de se desculpar várias vezes, pegou as ferramentas de limpeza. O homem não saiu do quarto; ficou perto da cama, observando-a limpar.
Quando o quarto ficou completamente sem cheiro, Wenxi soltou um suspiro de alívio. Virou-se para o homem e sorriu: "Desculpe, Senhor Shen. Este gato não é obediente, vou educá-lo direitinho. O quarto está limpo para você."
O homem tapou o nariz com uma das mãos e franziu as sobrancelhas grossas e bonitas. "O cheiro ainda está forte."
"Então... quer que eu chame um empregado para limpar?"
"Nunca deixo empregados entrarem no meu quarto."
Wenxi ficou confusa. "Então... o que o Senhor Shen quer dizer?"
"Você vai limpar o quarto inteiro até que esse cheiro desapareça."
Wenxi quis contestar, mas pensou que era o gato dela que tinha feito a travessura no quarto dele, então naturalmente ela mesma teria que limpar.
Pediu que os empregados trouxessem os materiais de limpeza. O homem não saiu; ficou sentado na cadeira, observando-a limpar o quarto dele de forma desajeitada, mas dedicada.
O olhar do homem se aprofundou. Ele se lembrou de duas horas atrás. Viu o gato que a mulher criava escapulir, franziu levemente os olhos, pegou presunto na cozinha e o atraiu passo a passo até seu quarto...
Ele segurou o gato no colo, acariciou seus pelos macios e, quando ouviu Wenxi do lado de fora, desesperada por não encontrar o gato, colocou-o deliberadamente sobre a mesa. Enquanto o gato baixava a guarda, ele se sentou ao lado para apreciar a cena.
Observou calmamente o gato fazer cocô e xixi no quarto dele e, depois de comer e beber à vontade, enrolar-se na cama para dormir.
Wenxi já tinha revistado quase toda a vila. Foi então que pediu a um empregado para dizer a ela que o gato estava no quarto dele. Quando ela chegou apressada, a cena era a que acabara de acontecer.
Meia hora depois, Wenxi se endireitou e massageou as costas. "Pronto, Senhor Shen. Seu quarto está limpo agora, e não tem nenhum cheiro estranho."
O homem cheirou com cuidado e franziu a testa. "Ainda tem..."
"Você está mentindo. Usei um spray de limpeza para limpar. Este cômodo só tem cheiro de frescor. Onde é que tem cheiro ruim?" Wenxi fez bico, demonstrando insatisfação. "Você não está me enrolando de propósito, está?"
Shen Ji ergueu uma sobrancelha. "Você insistiu em criar o gato na vila. Quando algo acontece, naturalmente você tem que assumir a responsabilidade."
Wenxi ficou sem resposta. Só lhe restou fazer uma limpeza geral no quarto dele. Mas o homem era o mais difícil de agradar: não deixava acender incenso, nem usar perfume para tirar o cheiro, e nem mesmo permitia um pouco de spray de ar. Como ia tirar o cheiro rapidamente?
O quarto dele estava impecável, não havia necessidade de limpeza.
Mais uma hora e meia depois, Wenxi estava exausta, com dores nas costas. Jogou o pano que segurava, irritada. "Isso já serve, não?"
O homem olhou para ela, com a testa suada de cansaço, e finalmente concordou com a cabeça. "Está razoavelmente limpo. Cuide bem do seu gato da próxima vez."
"Com certeza vou cuidar bem dele. Mesmo que tenha que prendê-lo na gaiola, não vou dar chance de ele entrar no seu quarto de novo!" Wenxi saiu com o gato no colo, furiosa.
Shen Ji observou suas costas teimosas. A frieza em seus olhos se transformou em uma luz suave, e um leve sorriso, quase imperceptível, surgiu no canto de seus lábios.
Depois de voltar, Wenxi deu uma bronca severa em Mimi.
Shen Ji chamou Chen Feng. "Patrão, o senhor me chamou?"
"Os cães de caça do quintal dos fundos. Livre-se deles."
"O quê? Patrão, o senhor não os quer mais?"
Shen Ji se virou. "Precisa que eu repita?"
"Vou cuidar disso agora."