Capítulo 592: Capítulo 592: Medo de se Queimar com o Calor

Quando chegou à vila, Wenxi descobriu que aquele homem era o misterioso figurão mencionado pelos moradores. Ao pensar que ele fazia festas todos os dias perturbando a tranquilidade do lugar, Wenxi se arrependeu profundamente de ter sido gentil ao indicar o caminho para eles no início. Não era como atirar uma pedra no próprio pé? Pelo menos ele tinha um pouco de consciência e chamou seu médico particular para fazer o curativo e aplicar a vacina antirrábica. O ferimento não era muito profundo e não atingiu os ossos. O médico recomendou cuidados com a ferida e a dieta diária: "Nestes dias, evite contato com água para não inflamar." Wenxi perguntou, hesitante: "Vai ficar cicatriz?" "Embora o ferimento não seja profundo, como atingiu a pele e a carne, é inevitável que fique uma cicatriz." O homem, parado na varanda da sala, ouviu isso e seus olhos se moveram ligeiramente, mas seu rosto frio não expressou nada. Ao ouvir as palavras do médico, Wenxi franziu a testa e olhou fixamente para sua perna envolta em grossas ataduras, sentindo o nariz arder. Nenhuma garota gostaria de ter uma cicatriz na perna para sempre! E, por azar, ela tinha encontrado um "vizinho" tão problemático! "Ei!" Wenxi fungou o nariz. "Você, pare." Chen Feng, que estava trazendo frutas para ela, parou ao ouvir: "Está falando comigo?" "Sim, com você." Wenxi respirou fundo: "Diga ao seu patrão que minha perna foi mordida por causa da negligência de vocês. Vocês têm que pagar minhas despesas médicas." Chen Feng olhou para o homem na varanda e, virando o rosto, sorriu levemente: "Fique tranquila, senhorita. O fato de William tê-la mordido foi um erro meu, e meu patrão se dispõe a assumir toda a responsabilidade." Ele acenou com a mão, e um empregado trouxe uma caixa de madeira. Quando a abriu, havia vários maços de notas vermelhas. Wenxi ficou surpresa: "O que é isso?" "Despesas médicas e compensação por danos morais." "Não preciso de tanto." Chen Feng acrescentou: "Isso não é tudo de uma vez para a senhorita." Ele sorriu levemente: "Meu patrão pode concordar em pagar as despesas médicas, mas com a condição de confirmar se a senhorita está realmente ferida." "O que quer dizer? Acham que estou fingindo?" Wenxi tremeu de raiva: "Vocês criam um cão de caça tão grande sem coleira, mordem alguém e ainda querem se esquivar da responsabilidade." Ela tentou se levantar: "Aceito meu azar, mas vocês e seu patrão são sem coração!" Chen Feng olhou para o homem: "..." A perna ferida de Wenxi não podia tocar o chão. Ao se levantar de repente, acabou puxando o ferimento, e a dor fez seus olhos se encherem de lágrimas. O empregado a segurou a tempo. "Senhorita, a intenção do meu patrão, o Sr. Sha, é que a senhorita fique aqui para se recuperar. Quando estiver quase curada, a compensação será integral." Chen Feng disse respeitosamente: "Além disso, todas as suas despesas com alimentação, moradia e transporte serão por nossa conta." Wenxi se sentiu um pouco consolada ao ouvir isso, mas, pensando bem, sua casa ficava do outro lado da rua. Não era desnecessário ficar ali? "Não precisa. Minha casa é do outro lado, só uma rua de distância. Lá tenho empregados para cuidar de mim, não quero incomodar vocês." Chen Feng ergueu as sobrancelhas: "Então a senhorita é a Srta. Wen." Wenxi franziu a testa: "O que foi? Pareço não ser?" "Ah, não." Chen Feng fez uma reverência educada: "Meu patrão tem alguns negócios com seu pai. Ao saber que é a Srta. Wen, achei que não poderia ser mais apropriado." Wenxi ficou irritada ao ouvir isso: "Quem quer coincidências com vocês? Encontrá-los foi meu dia de azar!" "..." O homem, que estava na varanda de costas para eles, manteve uma expressão sombria e indiferente. Embora seus olhos estivessem fixos no horizonte, apreciando a paisagem, seus ouvidos não perderam uma palavra da conversa. Ele colocou as mãos nos bolsos e subiu as escadas. Ao passar pela área onde a garota estava sentada, nem sequer desviou o olhar e ordenou em tom grave: "Chen Feng, prepare a refeição." Este, com as mãos naturalmente à frente, curvou-se respeitosamente: "Sim." ... Wenxi acabou ficando na vila, dividindo o mesmo teto com aquele homem que parecia um excêntrico. Ela se sentia um tanto desconfortável. Depois do almoço, tentou uma desculpa para sair, mas sua casa ligou para lá. Sua mãe disse ao telefone que ela e o pai iriam viajar a trabalho. Chen Feng já havia ligado para a família Wen explicando a situação, e os pais de Wenxi, preocupados que ela ficasse sozinha, a confiaram ao dono da vila. Até suas roupas íntimas foram arrumadas e enviadas para lá. Wenxi achou aquilo absurdo. Seus pais raramente a deixavam para ir longe, mas talvez fosse por causa de algo da empresa. No entanto... Como podiam confiá-la a um estranho? E, além disso — ele não tinha cuidado do próprio cão de caça, que a mordeu por culpa dele. Por que agir como se estivesse fazendo um favor? No geral, Wenxi não tinha uma boa impressão daquele homem frio e indiferente. Mais tarde, soube por Chen Feng que ele se chamava Shen Ji, o primogênito da família Shen, de Shencheng. Mas, conforme conviviam, Wenxi achava cada vez mais estranho. Se era antissocial e solitário, por que convidava constantemente os moradores da vila para festas? Embora os convidados fossem todos de alto status na região. No entanto, ele sempre ficava na varanda do andar de cima, com um copo de vinho tinto, observando a agitação lá embaixo, sem participar. Era como se desejasse a fogueira, mas temesse ser queimado pelo calor. Wenxi chamou Chen Feng, que passava por ela: "Ei, já que seu patrão não gosta de barulho, por que insiste em convidar essas pessoas para festejar? Não acha estranho?" "Srta. Wen, há coisas que é melhor não perguntar." Chen Feng colocou a bandeja de frutas na mesa: "Sirva-se." Wenxi fez beicinho e murmurou baixinho: "Se não quer contar, também não estou interessada." Com tantas festas, Wenxi acabou conhecendo várias pessoas. Como Chu Yanlan, que frequentava a vila. "Nossa, Wenxi, você tem tanta sorte! Morar sob o mesmo teto que meu ídolo? Que inveja!" Wenxi franziu a testa e mostrou a perna: "Acha que isso é sorte?" "..." "Ele deixou o cão de caça agir à vontade, me mordeu e ainda se recusa a pagar. Estou aqui para que ele fiscalize se meu ferimento é grave. Se for leve, a compensação será menor." Chu Yanlan arregalou os olhos: "Impossível. Ouvi dizer que o Sr. Shen é muito rico. A família Shen, em Shencheng, é a realeza entre a nobreza!" "Psiu!" Wenxi riu baixinho: "Você está colocando um chapéu tão grande nele. Cuidado para não ser ouvida por alguém mal-intencionado, e ele acabar sendo criticado!" Chu Yanlan tapou a boca rapidamente ao ouvir isso. "Yanlan, pode me fazer um favor?" Chu Yanlan assentiu: "Claro." Wenxi, usando o pretexto de que era inconveniente, disse a Chen Feng que queria se mudar para a casa de Chu. A resposta foi: "O patrão disse que não." "Por quê?" Wenxi franziu a testa: "Sou uma paciente, não uma prisioneira!" Por que ele tinha que controlar para onde ela ia? "O patrão disse que a Srta. Wen só pode ficar na vila para tratamento. Ele garante que seu ferimento não deixará cicatriz." Chen Feng, como um robô repetindo ordens, era frio e rígido: "Caso contrário, arque com as consequências." Ao ouvir aquele tom ameaçador, Wenxi se irritou. Naquela noite, arrumou suas coisas e foi para a casa de Chu. No dia seguinte, ao acordar, o ferimento em sua perna começou a inflamar. A pele que estava lentamente cicatrizando começou a doer. Ela se lembrou das palavras de Chen Feng antes de partir: "Srta. Wen, se algo acontecer ao seu ferimento, espero que não se arrependa." Quanto mais Wenxi pensava, mais medo sentia. Será que tinha caído nas mãos de alguma organização maligna?