He Su soltou um palavrão e arregaçou as mangas, pronto para ir bater nela.
— Seu pirralho, atacar na cara dura assim?
A família Shen é tudo o quê? Nenhum presta!
— O que você está olhando? — Shen Xingrou o encarou com um olhar feroz de quem odeia o mal. — Um canalha que só pensa em dinheiro, sem vergonha na cara!
“...”
He Su ficou completamente confuso. Como ele tinha ofendido aquela princesa?
Então, com o rosto carregado, ele se aproximou, arrancou o estilingue da mão dela e disse friamente:
— O que eu sou é problema seu, porra?
Shen Xingrou sabia que ele só fazia coisas sujas e desonestas. Toda vez que o via, era tramando com Shen Tingfeng como armar contra Shen Xiaoxing.
Ela não suportava esse tipo de canalha!
— Quem você acha que é para falar assim na minha frente? — Ela chutou a perna dele, agressiva e sem razão. — Ousar me desrespeitar? Você quer morrer!?
He Su estava cheio da raiva que engolia de Shen Tingfeng e não achava onde descontar. Ele a encarou com um olhar sombrio.
Afinal, ela também era uma Shen, farinha do mesmo saco!
Shen Xingrou viu a intenção assassina no olhar dele e sentiu um aperto no coração.
Sempre ouviu dizer que He Su não prestava. Primeiro, ele ajudava Shen Tingfeng a armar contra Shen Xiaoxing, e era arrogante e insolente. Só de olhar para aquele cabelo verde já dava para saber que não era boa pessoa.
— O que... o que você vai fazer? — Ela recuou, assustada com aquele olhar.
— Eu levei uma surra sem motivo, não posso revidar?
— ... Atrevido! — A garota gritou desesperada. — Se ousar me tocar, meu segundo irmão não vai te perdoar.
— Seu segundo irmão está esperando eu fazer um serviço para ele. Acha que, por sua causa, ele abriria mão de um ajudante tão útil?
Shen Xingrou não era boba. O segundo irmão dela era sujo e desprezível, sempre cobiçando o talento do irmão mais velho e querendo se livrar dele. Ninguém ousava atrapalhar seu caminho para ser o herdeiro, nem ela, a irmã de sangue, ousava atrapalhar seus planos.
— Você ajuda meu segundo irmão a tramar contra o mais velho, que nojento e sem-vergonha!
— Eu sou nojento e sem-vergonha? E o que seu segundo irmão é, então?
— Vocês dois são uns sem-vergonha! — Os olhos de Shen Xingrou ardiam de ódio. — Só sabem usar truques baixos!
He Su olhou para ela correndo, ergueu as sobrancelhas grossas. Ora, ora, nem todo mundo na família Shen era ruim. Essa aí tinha senso de justiça, não?
Mas ele, que só pensava em ajudar Shen Xiaoxing, acabava sendo xingado pelos dois lados. Que injustiça!
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An Ruo estava desanimada no trabalho nos últimos dias. Desde que Zhou Mingyue insistiu em almoçar com Gu Chao, e o que aconteceu entre eles, ela não apareceu no escritório no dia seguinte.
Ela, uma filhinha de papai, estava ali só por causa de Gu Chao. Normalmente não fazia nada, o chefe Bai a tratava com bajulação, e An Ruo vivia fazendo serviços para ela. Estar ou não ali, dava no mesmo.
Mas, com ela fora, o departamento de planejamento não parava de falar dela, e os comentários eram cada vez piores. A maioria era sobre seu jeito de agir, mas também tinha inveja da sua família rica.
— An Ruo, leva esses documentos para imprimir. À tarde, quero eles na minha mesa, para a reunião de amanhã.
An Ruo olhou para a pilha de papéis quase do tamanho de uma montanha, mordeu o lábio e respondeu sem se curvar:
— Desculpe, imprimir documentos não faz parte das minhas funções.
A mulher não esperava que ela recusasse.
Quando Zhou Mingyue estava por perto, ninguém ousava dificultar a vida de An Ruo, muito menos mandá-la fazer outras coisas. Mas, sem aquela proteção, ela ficava mais ousada!
Sem Zhou Mingyue, ela realmente virou alvo de todos.
Na hora do almoço, os funcionários do planejamento foram comer, só An Ruo continuava trabalhando nos projetos que o chefe havia aprovado.
O supervisor Ding se aproximou:
— An Ruo, abriu uma churrascaria nova no andar de baixo. Vamos experimentar?
An Ruo ainda tinha trabalho para fazer.
— Obrigada, mas não estou com fome. Pode ir na frente.
— Não seja tão chata. — O homem segurou de repente a mão dela no teclado, rindo leve. — Somos colegas, não precisa ter vergonha.
Sentindo o perigo, An Ruo puxou a mão bruscamente:
— Ainda tenho coisas para fazer. Obrigada pela oferta, supervisor Ding.
Sempre ouvia os funcionários comentarem sobre o supervisor Ding, que ele tinha más intenções com moças jovens e bonitas, sempre tentando seduzi-las, mesmo sendo casado...
Agora An Ruo acreditava que as fofocas eram verdade.
— An Ruo, você é nova. Nesta empresa, tem um futuro brilhante pela frente. Eu te trouxe para o planejamento justamente por te achar inteligente. É uma grande oportunidade, muitos dariam tudo por ela. Você precisa aproveitar. — Enquanto falava, o homem estendeu a mão novamente, dando um tapinha sugestivo.
— Supervisor Ding, por favor, se respeite. — An Ruo o afastou de novo, levantou-se e manteve distância. — Sou casada.
— Tão nova, como pode ser casada...
An Ruo não ousou ficar mais tempo com ele. No departamento de planejamento, estavam só os dois. Se algo acontecesse, não teria ninguém para salvá-la.
Ela saiu correndo, ignorando os gritos do supervisor Ding atrás, e só parou quando saiu do elevador, andando sem rumo pela rua.
Lá em cima, o supervisor Ding entrou no elevador. Quando a porta estava quase fechando, uma mão apareceu de repente, e uma sombra se aproximou.
O homem era alto, com um casaco de couro preto que exalava um ar frio e arrogante. As pernas longas e retas, calçando botas militares, pisaram firmemente para dentro.
A pressão invisível fez o supervisor Ding recuar para o fundo.
A porta do elevador se fechou lentamente, e o homem, com o rosto gelado, se virou...
An Ruo tocou no bolso e percebeu que, na pressa de fugir, tinha esquecido o celular.
Ela andou sem destino pelo andar de baixo. Os restaurantes ao redor eram todos caros. Depois de hesitar, acabou comprando dois pãezinhos.