Após o fim do incidente com Shen Tingfeng, a vida parecia ter voltado ao normal.
Na televisão, exibiam a verdade sobre o assassinato do patriarca da família Ji. Descobriu-se que o verdadeiro culpado era outra pessoa, já capturado pela polícia.
Gu Chao, livre das suspeitas, tirou Lan Zhen do pântano da opinião pública o mais rápido possível. Song Weiwei, por aparecer em vários eventos com Ji Chen, exibiu seu amor diante da mídia, fazendo com que os boatos sensacionalistas se desfizessem por si mesmos.
An Ruo estava deitada em uma poltrona de vime, aproveitando o sol. O homem saíra cedo para resolver assuntos, e An Che fora para o estágio no hospital. Cada um tinha suas próprias ocupações, parecendo que só ela estava ociosa.
Para se manter ocupada, ela dedicava um tempo diário para melhorar sua resistência, como fazer ioga para gestantes, dar estímulos ao bebê, aprender técnicas de massagem com as empregadas...
Aos poucos, ela deixou de se sentir entediada.
Após a ioga, ela se deitou na poltrona e folheou o jornal. Recentemente, parecia que estavam noticiando o presidente oculto da Lan Zhen.
Por causa das notícias negativas sobre Gu Chao, a Lan Zhen se tornou alvo de ataques da opinião pública. E para esse grupo empresarial que surgiu do nada nos últimos anos, crescendo rapidamente e prosperando, o mundo começou a se perguntar quem era o controlador por trás dele.
Mas, falando sério, An Ruo trabalhou na Lan Zhen por um tempo e nunca viu o presidente visitar a empresa ou participar de qualquer evento.
Houve uma época em que ouviu colegas comentando e também ficou curiosa, mas como era um assunto muito fofoqueiro, acabou deixando de lado.
— Senhora, o senhor ligou. — A empregada trouxe o telefone sem fio.
A mulher largou o jornal e atendeu com um sorriso radiante.
— Sra. Shen. — Assim que encostou o ouvido, ouviu a voz familiar.
— Estou aqui.
— Sentiu minha falta?
An Ruo acariciou o ventre com uma mão: — Você saiu há apenas algumas horas...
— Então não sentiu? — O homem fingiu. — Vou desligar.
— Senti. — An Ruo o chamou a tempo. — Claro que senti.
A conversa doce deles fez até a empregada ao lado sorrir.
— Tá bom, não vou mais te provocar. Posso voltar um pouco mais tarde hoje. Coma bem, não precisa me esperar, durma cedo. — O homem olhou pela janela. — O tempo em Shencheng está bom hoje. Não fique trancada no quarto, saia para passear.
— Está bem.
— Se quiser sair para se divertir, tudo bem. Peça ao Zao Zao para te acompanhar.
— Hum.
Após se despedir dele, An Ruo entregou o telefone à empregada com um sorriso.
A outra olhou com inveja: — A senhora e o senhor são tão felizes!
An Ruo, esquecendo que a empregada estava presente, disse com um pouco de vergonha: — Quando você encontrar alguém que te ama, também será feliz assim.
— A propósito, onde está Zao Zao?
A empregada respondeu: — Ela pediu folga há alguns dias por causa de problemas em casa, só voltou ontem para a mansão. A senhora quer que eu a chame?
— Hum. — An Ruo só sabia que Lin Zao Zao era muito habilidosa em artes marciais, uma guarda-costas feminina designada por Shen Xiaoxing.
Sobre a vida pessoal dela, não sabia nada.
Logo, Lin Zao Zao, convocada, entrou vestindo uniforme de empregada.
— Senhora, me chamou?
An Ruo vestiu um casaco e sorriu: — O tempo está bom hoje, quero sair para passear. Você está ocupada?
Lin Zao Zao sorriu com os olhos semicerrados: — Meu trabalho é proteger a senhora.
Ela tinha um alto QI emocional; era uma pena que fosse apenas uma guarda-costas feminina.
Ao sair do pátio, An Ruo passou pela entrada do jardim oeste e de repente lembrou do "convidado ilustre" que o homem mencionara naquele dia, sentindo bastante curiosidade.
— A senhora quer entrar? — Lin Zao Zao se aproximou e perguntou.
— Não, também não conheço quem está lá dentro.
— Lá dentro está o Sr. Pei... — Lin Zao Zao hesitou. — A senhora deve conhecê-lo, não?
Ao ouvir o nome de Pei Jincheng, o coração de An Ruo deu um aperto. Ela mordeu os lábios: — Você está dizendo que Pei Jincheng mora aqui?
— Sim. Durante o tempo em que a senhora esteve fora, o senhor mandou que o encontrássemos. Quando o encontramos, ele estava todo ferido, e o trouxemos para a mansão para tratamento. — Lin Zao Zao percebeu depois. — O senhor não contou?
An Ruo balançou a cabeça com um sorriso leve: — Ele tem medo de me preocupar.
— Então...
— Quero entrar para vê-lo.
Lin Zao Zao foi na frente: — As pernas do Sr. Pei sofreram ferimentos graves, mas o médico o tratou a tempo e agora ele está se recuperando aos poucos.
An Ruo lembrou-se de quando ele foi jogado do helicóptero por Shen Tingfeng, e seu coração se apertou.
...
No quarto, o médico estava trocando os curativos de Pei Jincheng. Os ferimentos em seu corpo já haviam melhorado bastante, mas os tendões das pernas precisavam de um longo período de descanso, já que "machucar os ossos leva cem dias para sarar".
No sofá em frente, estava Bai Jingchuan, visivelmente irritado.
Ele se sentou por um momento, depois se levantou e andou de um lado para o outro: — Esse tal de Shen deve estar escondendo algo de nós. Como é que depois de tanto tratamento ele ainda não consegue andar direito!?
Pei Jincheng inclinou levemente a cabeça e agradeceu educadamente ao médico: — Muito obrigado.
Ao lado, Li Tuo vestiu-lhe o casaco e acompanhou o médico para fora.
— Ele nos colocou neste jardim, claramente é um cativeiro. — Bai Jingchuan estava furioso. — Não sei como está a irmã mais nova. Shen Xiaoxing não consegue protegê-la.
Pei Jincheng manteve os olhos baixos, seus lábios roxos estavam um pouco rachados, o rosto bonito cheio de um ar doentio, e a pinta de lágrima sob os olhos tinha uma beleza frágil e graciosa...
— Se não posso ver a irmã mais nova, como vou levá-la embora?
Antes que Pei Jincheng pudesse responder, Li Tuo entrou com um tom de alegria.
— Mestre, segundo jovem mestre Bai, a terceira senhorita chegou.
Os olhos profundos de Pei Jincheng brilharam instantaneamente. Ele ergueu a cabeça incrédulo: — É realmente ela?
Bai Jingchuan também estranhou como Shen Xiaoxing a deixaria vê-los.
— Ela está lá embaixo, não é conveniente subir.
Ao ouvir isso, Pei Jincheng imediatamente quis descer da cama. Felizmente, Li Tuo foi rápido e o segurou, enquanto Bai Jingchuan empurrava a cadeira de rodas.
— Não se apresse. Por mais que queira vê-la, cuide das suas pernas.
Pei Jincheng sorriu levemente: — Não tem problema.
— Há pouco você estava com uma expressão de quem não tem mais vida, e agora que ouviu que ela veio, está cheio de energia. — Bai Jingchuan balançou a cabeça rindo.
Na sala de estar do andar de baixo, An Ruo notou que todos os empregados ali eram rostos desconhecidos. Lin Zao Zao explicou ao lado:
— Como o Sr. Pei mora aqui e sua identidade é especial, para garantir a segurança, membros da base foram trazidos para cuidar dele.
An Ruo franziu a testa: — Membros da base?
— Isto é... — Lin Zao Zao não sabia como explicar. Quando ia começar, viu algumas figuras altas aparecerem na escada.
Ela alertou em voz baixa: — Eles chegaram.
An Ruo ergueu os olhos e viu, além de Pei Jincheng sentado na cadeira de rodas, que aquele homem também estava na mansão!
Eles realmente vieram...
An Ruo encontrou o olhar intenso e afetuoso de Pei Jincheng e, por um momento, não soube o que dizer. Queria muito perguntar como ele estava, mas ao ver suas pernas, achou a pergunta desnecessária.
Quanto a ele, que quase adoecera de saudades dela, fixou os olhos em sua figura, como se tudo ao redor se tornasse estático e desfocado, apenas ela, vívida e colorida, vivia em seus olhos.
— Você... — Quem quebrou o silêncio primeiro foi Bai Jingchuan. Seu olhar pousou em An Ruo, com a preocupação de um irmão. — Está bem de saúde?
An Ruo balançou a cabeça com um sorriso leve: — Estou muito bem.
Os três se reuniram e de repente a situação ficou estranha. Depois dessa frase, mergulharam novamente no silêncio.
— Suas pernas... já estão melhores? — An Ruo respirou fundo e decidiu perguntar.
— Estão melhores. — Pei Jincheng sorriu para ela.
— Bem... — Bai Jingchuan interrompeu. — Vocês conversem.
Ele voluntariamente cedeu espaço para eles.
Pei Jincheng apontou para o sofá: — Sente-se.
An Ruo sentou-se. Mesmo sendo em sua própria casa, por que ela ainda se sentia tão constrangida?