Capítulo 45: Capítulo 45 O Pequeno Marido Dela

Shen Xiaoxing a lançou um olhar indiferente para ela, pegou o iodóforo para desinfetar, mas como não conseguia ver o próprio rosto, passou duas vezes sem acertar o lugar certo.

— Esquerda... não, direita...

An Ruo queria ajudá-lo, mas de repente percebeu que ainda não eram tão próximos. Se se aproximasse assim de repente, não seria forçado demais?

— Ou... eu passo para você?

O homem quase imediatamente lhe entregou o remédio. Vendo que ela ficou paralisada, ergueu uma sobrancelha e olhou para ela: — Não ia ajudar?

An Ruo pegou o cotonete, mergulhou um pouco de iodóforo e limpou cuidadosamente o ferimento dele. A luz do poste iluminava os dois, e os transeuntes que passavam lançavam olhares invejosos.

Os olhos brilhantes da garota eram límpidos como cristal, seu rosto ao mesmo tempo puro e sexy, como uma fada enganadora de uma floresta negra, feita para seduzir jovens inocentes...

Os olhos profundos de Shen Xiaoxing escureceram, seu olhar pousou nos lábios rosados dela, e sua mente foi tomada pela lembrança do beijo daquele dia.

Sua respiração ficou pesada, e ele desviou o olhar rapidamente!

An Ruo franziu a testa: — Não se mexa...

O homem fechou os olhos com força. Droga, desde quando ele estava tão obcecado por essa mulher!?

Ele perguntou com a voz rouca: — Quanto tempo ainda?

Aquele tom áspero e grave quase o assustou.

— Já está quase. — An Ruo achou que ele estava com dor, e enquanto passava o remédio, ainda soprava: — Assim não dói tanto, né?

Os olhos negros de Shen Xiaoxing se aprofundaram, e em sua mente surgiu a lembrança de quando era criança, voltando para casa com ferimentos depois de brigar, e sua mãe, com cuidado, passava remédio nele, também soprando como agora.

— Ah Xing, seja forte. Assim, soprando, não dói tanto, né?

De repente, seus olhos ficaram vermelhos, e ele agarrou o pulso da mulher com força.

An Ruo se assustou com o movimento repentino.

— Machuquei você?

O homem se levantou sem expressão, ignorando as perguntas confusas da garota, e saiu com passos largos.

Deixando An Ruo, completamente confusa, parada no vento frio.

— Que tipo de pessoa é essa? Muito estranho.

An Ruo, segurando dois sapatos de salto alto, entrou na sala de estar na ponta dos pés, sentindo-se mais culpada que um ladrão.

— Senhorita!

O mordomo Xu a interceptou na escada, com o rosto sério.

An Ruo curvou os ombros, com uma expressão de quem aceita o castigo: — Desculpe, voltei tarde de novo.

O mordomo Xu suspirou: — Senhorita, se realmente não pudesse voltar, por que não ligou para avisar o jovem mestre?

— Não tenho o número dele...

— Sabia que ele esperou por você e ainda não jantou? — O mordomo Xu estava com raiva contida: — Ele caiu da escada e nem teve alguém para cuidar dele.

— Ele caiu da escada? — An Ruo ficou atônita. — O que aconteceu? Está grave? Já foi ao hospital?

O mordomo Xu não esperava que ela se preocupasse tanto com Shen Xiaoxing, e a raiva diminuiu um pouco: — Não foi grave, só machucou a cabeça. O médico já fez o curativo.

An Ruo suspirou aliviada.

Ela perguntou: — Com tantos empregados na vila, por que ninguém cuidou dele?

— Você conhece o temperamento do jovem mestre. Agora, além de você, ninguém consegue se aproximar dele.

O mordomo Xu não sabia que poção mágica An Ruo tinha dado a Shen Xiaoxing ultimamente. Antes, os dois mal se suportavam, e agora estavam tão grudados que era de surpreender.

Depois de se despedir do mordomo Xu, An Ruo subiu para o segundo andar. Primeiro, bateu na porta: — Shen, já dormiu?

Um longo silêncio. Ninguém respondeu lá dentro.

— Estou entrando. — An Ruo empurrou a porta e entrou. O quarto estava escuro como breu. Ela tateou até acender a luz, e a protuberância na cama grande parecia uma pequena montanha.

Ela se aproximou silenciosamente da cama e viu o homem dormindo profundamente de olhos fechados, com uma espessa camada de gaze na testa. Devia ter caído feio.

An Ruo ia se virar para sair quando seu pulso foi agarrado por uma força, fazendo seu coração disparar. O homem abriu lentamente os olhos, vazios.

Ele perguntou com a voz grave: — Por que voltou tão tarde?

— Eu... um amigo me convidou para jantar, foi tão insistente que não pude recusar.

Shen Xiaoxing riu por dentro. Essa garota era uma mentirosa, falava qualquer coisa sem pensar!

— Não esperava que você tivesse amigos.

Isso foi...

— O que quer dizer?

O homem evitou responder, falando com um tom indiferente: — Ajude-me a sentar.

An Ruo apoiou as costas dele com uma mão e o ajudou a se sentar. Olhando para o rosto dele, perguntou: — Fui eu que te acordei?

— O que acha?

Esse homem tinha melhorado de humor por alguns dias, e agora já estava falando de novo daquele jeito irritante. O que estava acontecendo?

— Foi culpa minha, peço desculpas. — An Ruo, sem paciência com ele, pediu desculpas sinceramente: — Não devia ter voltado tarde, nem ter estado ausente quando você mais precisava.

Isso soava um pouco como uma namorada dominadora e seu maridinho mimado?

O semblante de Shen Xiaoxing suavizou um pouco: — Por que não me avisou antes?

— Não tenho seu número.

Pensando um pouco, o homem pegou o celular debaixo do travesseiro: — Salve seu número aqui.

An Ruo pegou sem pensar. Assim era melhor; se houvesse outra emergência, ele poderia pedir a um empregado para ligar para ela.

Já que tinha prometido cuidar dele por três anos, ia cumprir seu dever e esperar até o dia em que o contrato expirasse.

— Pronto. Se precisar de algo, pode me ligar.

Se pudesse voltar a tempo, tudo bem; senão, daria um jeito.

— Estou com fome.

An Ruo lembrou que o mordomo Xu disse que ele não tinha jantado por esperá-la. Já era tarde, e os empregados deviam estar dormindo. Então, ela foi para a cozinha preparar algo para ele comer.

Originalmente, havia embalado alguns doces do banquete, mas com o incidente no meio do caminho, já não sabia onde tinham ido parar.