O homem ergueu a cabeça para olhá-lo, as pupilas negras imersas na escuridão, profundas e perigosas: "Clã Fan, gente de Pei Qing." "Pei Qing?" He Su franziu a testa com ainda mais confusão. "Nunca ouvi falar desse nome." Após uma pausa, acrescentou: "Por acaso aquele desgraçado do Shen Tingfeng também é gente dele?" "Ele nem merece!" Shen Xiaoxing levantou-se, caminhou lentamente até a janela panorâmica, ergueu uma mão e pressionou a palma contra o vidro. Seu rosto anguloso e firme refletiu-se ali, enquanto ele fitava profundamente o mar ao longe. "Yan Rui o salvou para me enfrentar, só que ele não esperava que Shen Tingfeng, esse cão raivoso, mordesse sem critério, não só abandonando Pei Jincheng, causando ferimentos graves, mas também virando o jogo contra ele." O olhar do homem foi se apagando gradualmente. "O que mais me assusta não é só Shen Tingfeng usá-la para me ameaçar, mas..." A mão que pressionava o vidro lentamente se fechou em punho: "Yan Rui deve ter agido sob ordens de Pei Qing. Ele quer matar An Ruo." He Su ficou chocado! "A posição atual de Shen Tingfeng deve ser o antigo covil de Yan Rui. Não conseguirmos encontrá-lo é um problema menor, mas e se Yan Rui os achar antes de nós?" He Su continuou o raciocínio: "Então... An Ruo morrerá nas mãos dele." Shen Xiaoxing soltou um xingamento furioso e bateu o punho no vidro à prova de balas. Ele não sentia dor alguma, apenas o medo no fundo do coração se aprofundava cada vez mais. Quanto tempo fazia que não sentia isso? Parecia que quando era criança, ameaçado por Shen Ye com uma faca no pescoço para matar Shen Jingchu, ele só temia que Shen Ye levasse a sério, mas era diferente desse medo de ter a garganta apertada. A porta foi batida. He Su gritou: "Entre." Han Chong entrou e disse: "Patrão, alguém deixou uma carta para o senhor lá fora." He Su perguntou: "Quem mandou?" "Anônimo." Ele pegou a carta e a abriu. Não havia papel dentro, apenas um pequeno cartão de memória caiu. Shen Xiaoxing se virou, viu o cartão na mão de He Su e o pegou com sua mão grande. Han Chong trouxe um notebook e inseriu o cartão. Não havia documentos, apenas um vídeo gravado às dez horas da manhã. Ele clicou no vídeo, e dele vieram sons de uma mulher se debatendo e chorando. Han Chong ficou paralisado. Assim que viu a mulher sendo pressionada sobre a mesa no vídeo, desviou o olhar e se afastou. He Su, ao ver aquela cena, sentiu o coração apertado. "Puta merda!" No momento em que a mulher gritou, o sangue de Shen Xiaoxing ferveu e correu quente. Ele correu desesperadamente para o computador, fitando a tela onde a mulher era imobilizada por várias pessoas sobre a mesa, com os braços e pernas presos. No vídeo, An Ruo era segurada por vários homens de preto sobre a mesa, com os membros amarrados por cordas. Ela usava um vestido de penas brancas, mas estava todo amassado e deformado pelo tratamento rude deles. Seu rosto mostrava medo, mas ela forçava a calma para negociar com Shen Tingfeng. "Shen Tingfeng, Shen Tingfeng, aceito suas condições!" O homem, ao lado da câmera, riu algumas vezes. Ele virou a lente para si mesmo e disse à distância: "Shen Xiaoxing, por que não deu notícias nestes dias? Sua mulher e o filho dela na barriga estão comigo. Não pretende vir buscá-los?" An Ruo, em pânico, ao ouvi-lo gritar o nome do homem, pensou que estivesse em uma chamada ou vídeo ao vivo. Ela se debateu e gritou: "Shen Xiaoxing, não caia no jogo dele! Ele não ousa me matar. Não venha por impulso, ele já armou pólvora para te matar. Não venha. Eu e o bebê estamos bem, não vai acontecer nada..." Shen Tingfeng, ao ouvi-la voltar atrás, ficou furioso. Com uma mão, apertou-lhe o pescoço. A luva de couro aplicou um pouco de força, e ela imediatamente ficou com o rosto roxo, as veias da testa saltando... Vendo aquilo pela tela, as pupilas negras de Shen Xiaoxing se contraíram. Aquela mão parecia estar apertando o coração dele! "Shen Tingfeng!" Ele se esqueceu, furioso, de que era apenas um vídeo gravado. "Se ousar tocá-la, juro que vou te matar com minhas próprias mãos!" He Su, ao ver aquilo, também franziu a testa. O vídeo continuava... Shen Tingfeng, vendo que os lábios dela começavam a ficar roxos, soltou a mão imediatamente. A mulher tossiu violentamente, e ele virou a lente novamente para si. "Você não tem escolha, a menos que abandone essa mulher e a criança." Um sorriso maligno se formou em seus lábios, e entre suas sobrancelhas havia apenas crueldade: "Shen Xiaoxing, venha logo. Estou te esperando, senão esse jogo vai ficar muito chato." "Shen Tingfeng!" An Ruo temia que ele a usasse para ameaçar Shen Xiaoxing, e que o homem, por preocupação com a segurança dela e do bebê, viesse de cabeça, caindo na armadilha. "Está bem, vou ser generoso e te dar um tempinho para falar." Ele apontou a câmera para An Ruo. No início, ela virou o rosto, não querendo que o homem a visse tão desgrenhada e sofresse, mas Shen Tingfeng a forçou a virar, segurando seu queixo com a mão metálica. "Fala com ele. Deve estar te procurando por toda parte agora." An Ruo fitou a lente sem emoção. O ressentimento dos últimos dias subiu-lhe ao nariz. Ela cerrou os dentes para não chorar na frente dele. Quando abriu a boca, a voz saiu um pouco rouca: "Estou bem, não se preocupe. Eu e o bebê estamos bem..." "É mesmo?" Shen Tingfeng entregou a câmera a um dos homens de preto. Com a outra mão, fez um sinal, e alguém empurrou um carrinho médico com seringas e dois frascos de soro. "Shen Xiaoxing, te dei tempo, mas sua velocidade me deixou muito insatisfeito." Shen Tingfeng pegou a seringa do carrinho. O boné foi removido, e o homem de preto, com habilidade, puxou o líquido do frasco com a seringa. "Que tal isso? Como prova de nossa amizade passada, vou te dar um presente." Ele segurou a seringa com o líquido e sorriu para a câmera: "Vou tirar o filho da barriga dela para você." O homem de preto rasgou a manga de An Ruo e segurou seu braço para que não se mexesse. Ao ouvir aquilo, An Ruo imediatamente se debateu e gritou: "Shen Tingfeng! Você prometeu não tocar no meu filho! O que você quer fazer?!" "Eu tinha prometido não tocar no meu sobrinho ainda não nascido, mas estou ficando muito ansioso esperando assim. Preciso dar um estímulo nele." Shen Tingfeng riu friamente ao olhar para ela. "Não me culpe. É só uma injeção, rápida, não dói." Ele se virou para a câmera: "Shen Xiaoxing, parece que você não vai ter chance de vê-lo nascer." Do lado de fora da tela, Shen Xiaoxing viu aquilo e seus olhos ficaram vermelhos. As veias em suas mãos saltavam assustadoramente, como se ele quisesse quebrar o computador. Ele cerrou os dentes e fechou os olhos, como um homem condenado sem saída. Não havia nada que pudesse fazer, não podia falar com eles nem correr para impedir. Shen Tingfeng apontou a seringa para o braço pálido de An Ruo. O homem finalmente perdeu sua última barreira. Virou-se de costas para o computador, sem ousar ver a expressão de dor de An Ruo. Suas mãos pendiam ao lado do corpo, os punhos cerrados até os ossos ficarem brancos, as unhas cravadas na palma, fazendo brotar gotas de sangue. Naquele momento, o lugar mais dolorido em todo o seu corpo era o coração. Enquanto isso, An Ruo, deitada na mesa, sentiu uma dor no braço. O líquido frio foi injetado em seu corpo. Doía tanto que ela não ousou se mexer mais, doía tanto que seu coração parou completamente. A dor a fez chorar de repente, sem se importar se o vídeo, enviado a Shen Xiaoxing, o faria sofrer ao vê-la assim. Ela não aguentou mais e chorou alto. Gritava o nome de Shen Xiaoxing repetidamente. Porque, além dele, ninguém a consolava com ternura quando ela chorava. Agora, ela desejava tanto que ele estivesse ali, acariciando sua cabeça e sussurrando que o bebê ainda estava lá. Depois de tanto esforço, no fim, ele não estava mais... Pela primeira vez na vida, ela xingou alguém: "Shen Tingfeng, seu filho da puta! Se eu morrer, virarei um fantasma e não te deixarei em paz!"