Ao ouvir isso, o homem de semblante sombrio deu uma risada fria, tão irritado que pensou em tirar o sapato para bater nela, mas depois de pensar melhor, desistiu.
— Você... está bem? — Shen Xingrou perguntou, cheia de culpa, olhando para ele.
— Você acha que eu pareço alguém que está bem, caramba? — He Su respondeu com frieza. — Quer dar mais dois socos?
— ...Não, não quero. — Shen Xingrou ficou intrigada. — Por que você estava me seguindo? Pensei que fosse algum tarado ou bandido...
Ao pensar nisso, He Su quase explodiu de raiva.
Ele, de boa vontade, viu que ela voltava do hospital tão tarde da noite, preocupado que uma moça tão jovem pudesse encontrar perigo no caminho, resolveu segui-la discretamente. Pois é, a danada o tratou como o tal "perigo"!
Porra!
— Se não tem mais nada, vou indo... — Shen Xingrou, com medo de ele tentar extorqui-la, já se preparava para dar no pé.
Mas He Su percebeu suas intenções e, num movimento rápido, agarrou seu rabo de cavalo, enrolando-o várias vezes na mão, imobilizando-a na hora.
Ele se inclinou, com a voz carregada de irritação: — Me bateu e quer ir embora? Hein?
Shen Xingrou, sem esperar, colidiu com o peito dele, as costas grudadas no corpo dele, envolvida por um cheiro agradável de perfume masculino.
— Então... — ela apertou a mochila. — Agora não tenho dinheiro para te pagar.
— Hah, você sabe que está falida e sem grana agora? Na hora de bater, não estava se divertindo?
— Desculpa... — Os olhos de Shen Xingrou se encheram de lágrimas, a voz embargada: — Eu não vi que era você.
Ao ouvir aquela voz, a raiva de He Su sumiu na hora.
— Me leva na frente. — Ele a soltou.
— Para onde?
— Para onde você mora.
— ...Por que iria para sua casa?
— Porra! Você bateu no meu rosto lindo desse jeito, não vou fazer um curativo?
— ...
— Afinal, já tivemos algum laço antes, tão ingrata assim? — He Su resmungou baixinho. — Sua pequena ingrata.
Shen Xingrou entendeu o que ele queria dizer, assentiu e imediatamente o levou para onde morava.
Agora, caída na pobreza como uma Cinderela, sem o palácio suntuoso, o lugar onde morava era um prédio velho e barulhento, depois de atravessar aquela viela escura e virar a esquina.
He Su, com as mãos nos bolsos, subiu as escadas. No caminho, encontrou um homem de meia-idade correndo de cueca, crianças correndo e brigando, e uma mulher de meia-idade discutindo asperamente com um vizinho. Resumindo... antes mesmo de chegar ao lugar onde ela morava, sua cabeça já começava a doer.
Nunca imaginou que ela moraria aqui!
Atravessando um corredor cheio de marcas, Shen Xingrou parou diante de uma porta vermelha com um calendário de ano-novo colado, tirou a chave e girou a fechadura.
Ao abrir a porta, ela acendeu a luz com naturalidade, revelando um apartamento muito pequeno de dois quartos e uma sala.
— Entra. — Shen Xingrou se afastou. — O quarto está meio bagunçado, vou dar um jeito.
He Su entrou, parou no centro da sala e rapidamente examinou o ambiente. A casa, embora não estivesse cheia de marcas, tinha paredes amareladas que mostravam a idade.
A decoração era simples, mas ela a tinha arrumado com cuidado: luz amarelada e quente, toalha de mesa estilo japonês, algumas flores claras num vaso sobre a mesa...
Nada mal.
Shen Xingrou pegou um chinelo para ele. O homem hesitou um pouco, e ela corrigiu: — É limpo, descartável.
Dessa vez, He Su tirou os sapatos preguiçosamente e calçou os chinelos.
— Senta e descansa um pouco. — Ela foi, com os chinelos de coelho fazendo "tá-tá-tá", procurar o kit de primeiros socorros.
Enquanto ela estava fora, He Su observou o ambiente.
Ela realmente tinha amadurecido muito. A princesinha que antes não sujava as mãos com água agora conseguia manter a casa tão limpa.
Lembrava-se de quando moraram juntos, ela preferia passar fome a pisar na cozinha, e ele, exausto, voltava do trabalho para cozinhar para ela.
Agora, pensando bem, ele até sentia falta daqueles dias em que a garota implicava com ele.
Essa lembrança foi interrompida quando Shen Xingrou voltou com o kit.
Ela abriu o kit, pegou o iodo e se preparou para desinfetá-lo, mas de repente parou e colocou o frasco na mesa.
— Faça você mesmo.
He Su ergueu uma sobrancelha. — ? Eu sou o ferido.
— Não machucou as mãos nem os pés, você consegue sozinho.
He Su riu de raiva. — Você me bateu e não pode nem passar o remédio?
— Eu não sabia que você tinha o hábito de seguir as pessoas. — Antes que ele explodisse, Shen Xingrou falou de novo: — Além disso, você é médico, sabe lidar com ferimentos melhor do que eu.
— Quer dizer que você não assume nenhuma responsabilidade?
— ...
— Você é foda mesmo, sua ingrata!
Shen Xingrou, vendo ele sentado ali de cara feia, sem fazer o curativo, não pôde deixar de apressá-lo: — Anda logo, já está tarde, termina isso e vai para casa.
Ao ouvir isso, He Su ficou ainda mais irritado!
Porra, ele a seguiu para protegê-la, e em vez de um pingo de gratidão, ela ainda queria mandá-lo embora?!
Ótimo, muito bom. Essa falta de gratidão é igualzinha à de Shen Xiaoxing!
Aqui, uma menção a Shen Xiaoxing, que, sendo xingado sem motivo, espirrou duas vezes a milhares de quilômetros de distância.
O homem esfregou o nariz, sentindo um calafrio nas costas.
Shen Xingrou não esperava que ele fosse tão sem-vergonha. Suspirando silenciosamente, pegou um cotonete, molhou no iodo e começou a tratar o ferimento que já estava quase cicatrizando.
— Ai, sua ingrata, não pode pegar mais leve?
Shen Xingrou respondeu com indiferença: — Eu já disse que era melhor você fazer sozinho.
He Su calou a boca na hora.
Porra! Quando foi que ele passou por uma humilhação dessas!
Depois de tratar o ferimento, Shen Xingrou começou a mandá-lo embora.
He Su se levantou de má vontade, mas quando estava quase de pé, Shen Xingrou guardou o kit e, ao se virar, o viu ainda no sofá.
— Por que você não vai?
— Estou ferido, não consigo andar. Que tal você me carregar nas costas?
— ... — Shen Xingrou riu. — Você está brincando?
Os dois pés dele estavam perfeitamente bem, como não podia andar?
— O carro quebrou, está muito tarde e ninguém vem consertar. Amanhã cedo eu vou embora. — He Su, com a cara de pau, já estava se sentindo em casa. — Tem um cobertor? Vai fazer frio de madrugada.
Ele já estava preparado para dormir no sofá.
Falou como se fosse fácil, mas ele realmente estava se recusando a ir embora.
Shen Xingrou não queria, mas ele tirou um maço de notas do bolso e jogou na mesa.
— Durmo uma noite, amanhã vou embora. — Ele cruzou as mãos atrás da cabeça, esticou as pernas no sofá, numa pose de quem vai dormir que era de enlouquecer!
Shen Xingrou lembrou que, quando não tinha para onde ir, ele a acolheu, mas naqueles dias ele não perdeu a chance de tirar dinheiro dela!
Deixa para lá, já que ele guardou segredo e não contou a Shen Xiaoxing, ela o deixaria ficar uma noite.
...
Para ser sincero, He Su não dormiu nada bem no sofá a noite toda. Só quando o dia começou a clarear ele não aguentou mais e caiu no sono.
Pensar que ele, que sempre se considerou um cara que come, dorme e vive bem, um dia estaria disposto a dormir no sofá, e ainda por cima pedindo de cara dura!
Shen Xingrou acordou cedo, às seis já estava lavada e preparando o café na cozinha. O prédio velho não isolava o som, e o barulho da faca cortando a tábua era bem alto. O homem no sofá apertou o travesseiro contra a cabeça, mas viu que não adiantava nada.
Ele queria descansar mais um pouco antes de ir trabalhar, mas, com o mau humor matinal, sentou-se com uma cara feia e cheia de irritação.
Quando estava prestes a invadir a cozinha e xingar todo mundo, de repente lembrou que não estava em casa, e voltou a se deitar, desanimado.
Não demorou muito, um cheiro gostoso de comida fez He Su não conseguir dormir, e a fome apertou...
Shen Xingrou saiu com tigelas e talheres, viu que ele tinha acordado bocejando, e disse: — Vem comer.
He Su não esperava que tivesse algo para ele também, e se aproximou rapidamente, com um sorriso meio forçado no rosto.
Na mesa, simples: mingau branco, pão, picles, ovo cozido...
Era isso que a garota comia todos os dias?