Capítulo 397: Capítulo 397: Era a filha que ele tanto desejava

A noite era infinita, e ele vagava sozinho por um caminho deserto, sem ouvir qualquer som, sem ver o menor vestígio de luz das estrelas.

Ele andava, andava, como um barqueiro em busca de um destino...

A chama da esperança ia se apagando aos poucos. Ele sabia que estava preso ali, sem saída, e já se preparava para partir.

Só que...

Parecia lembrar que havia algo importante esperando por ele, alguém à sua espera, ou talvez uma palavra que queria dizer a alguém... No fim, estava confuso, não conseguia lembrar quem era.

— Shen Xiaoxing!

— Shen Xiaoxing... Olhe para mim, não vá...

— Você não prometeu ficar comigo para sempre? Como pode ir embora sem avisar?

— Acorda logo... O que será de mim sem você? Não posso viver sem você...

— Mesmo que ninguém neste mundo te ame, ainda tenho eu... Você tem coragem de partir assim!?

— Acorda logo!

No fim da noite, uma luz se materializou, como uma lanterna. Embora fosse apenas um ponto minúsculo, na escuridão densa, brilhava com uma clareza impressionante.

O homem correu rapidamente até lá. Estendeu a mão para agarrar aquela luz estelar. Por sorte, a luz se transformou em uma mão pequena e quente, puxando-o para longe da noite sufocante.

— Shen Xiaoxing...

An Ruo observou os dedos dele, apoiados na borda da banheira, se moverem levemente. Num instante, emocionada, seus olhos se encheram de lágrimas.

O homem pareceu ouvir sua voz. Com dificuldade, ergueu lentamente as pálpebras.

— Você acordou? — A garota, emocionada, deixou as lágrimas caírem. Estendeu os braços para abraçá-lo pelo pescoço e, com a voz embargada, repetiu: — Você acordou.

— Eu não disse... que era só uma soneca? Bobinha, por que está chorando? — Ele apoiou a cabeça no ombro dela, com um sorriso pálido.

— Não, eu só... — An Ruo ergueu a mão para enxugar as lágrimas e se afastou um pouco do abraço dele: — Só achei uma pena você não ter comido o bolo.

Os lábios finos e ressecados de Shen Xiaoxing estavam pálidos. Ele tinha um rosto bonito; ao esboçar um sorriso, pequenas gotas de sangue brotaram:

— É uma pena, sim.

He Su, ao saber que ele tinha acordado, entrou correndo, apressado.

Um grupo de médicos o cercou para examiná-lo. O resultado final fez An Ruo relaxar a guarda por um momento.

A pesquisa de He Su tinha funcionado; trouxera-o de volta do limiar da morte, e ele, com sua força de vida tenaz, abrira os olhos!

Com seu despertar, a tristeza cinzenta que pairava sobre a vila se dissipou. He Su deu algumas instruções rápidas e, depois de trabalhar até tarde da noite, foi embora tranquilo.

— Obrigada... — Antes de ele partir, An Ruo o acompanhou pessoalmente até o carro e agradeceu com seriedade.

— Agradecer o quê? — Ele virou a cabeça, perguntando.

An Ruo mordeu o lábio e disse:

— Obrigada por salvá-lo, obrigada por se dedicar de corpo e alma e nunca pensar em desistir dele.

— Ele é meu irmão. Se está em apuros, não vou ficar de braços cruzados.

Dito isso, He Su se curvou e entrou no carro. Deu a partida, girou o volante e saiu do pátio vazio da vila.

Era muito tarde, e ele não tinha descansado direito antes de ser chamado por ela. Ela queria mandar um motorista para levá-lo, mas ele recusou teimosamente.

Ele tinha um temperamento estranho, era irritadiço, nunca seguia regras ou padrões. Mas era justamente essa pessoa que, quando se tratava dos problemas deles, se importava mais do que ninguém.

...

An Ruo voltou ao quarto e viu o homem, que acabara de ser examinado. Ele não deixava ninguém cuidar dele e vestia a própria roupa.

Ela se aproximou rapidamente e o ajudou a trocar o pijama.

Por causa do banho medicinal frio, o corpo dele estava um pouco gelado, e as mãos também. An Ruo segurou a mão grande dele e soprou para aquecê-la.

— Está com frio? Por que não deita na cama para descansar? Vou pegar mais um cobertor para você... — Ela o soltou e ia chamar um empregado para ajudar.

O homem, de repente, segurou o pulso dela. Puxou-a para o abraço com uma força suave, mas percebeu que estava muito frio. Embora fosse verão e o calor fosse intenso, ela estava grávida, e ele sempre se preocupava em cuidar dela.

Ele a soltou, puxou o lençol fino e o enrolou em si mesmo. An Ruo, aproveitando, aumentou a temperatura do ar-condicionado, e o quarto foi esquentando aos poucos.

— Não está com calor?

— Não. — Na verdade, grávidas odeiam calor, mas um pouco de frio as faz sentir um desconforto geral.

Ele esboçou um sorriso leve. Depois de vagar à beira da morte, sentia ainda mais falta dela. Ao pensar na felicidade que tinha agora, na vida conquistada com tanto esforço, e em como não poderia continuar a desfrutar de tudo aquilo com ela... Seu coração doía milhares de vezes mais do que em qualquer crise de envenenamento!

Ele a olhou profundamente, com um sorriso suave nos lábios. Seu rosto bonito não tinha mais a energia e o vigor de antes; em seu lugar, havia uma aparência doentia que não se recuperava.

— O bolo? — Seus olhos escuros e profundos também não eram mais tão intensos como antes; estavam um pouco opacos, e sua voz era muito fraca: — Quero comer.

— Está bem, vou buscá-lo. — An Ruo sentiu o nariz arder, sabendo que ele tinha medo de não prová-lo e deixar arrependimentos...

Ela ia se levantar, mas o homem segurou seu pulso, impedindo-a de ir.

— Você se cansou o dia todo. Deixe o empregado trazer.

Mesmo naquela hora, ele ainda se preocupava se ela estava cansada.

An Ruo apertou o interfone. O empregado empurrou um carrinho de chá com o bolo que eles tinham deixado.

Ela cortou um pedaço, deixou-o encostado no travesseiro e o alimentou com as próprias mãos.

Ela achou que ele comeria só um pouco, mas ele insistiu em comer o bolo inteiro. An Ruo franziu a testa e o impediu.

— O bolo pode ser comido amanhã. Ninguém vai roubá-lo de você.

Além disso, ele tinha acabado de acordar, vomitado tanto sangue e o corpo ainda não estava recuperado. Não podia comer alimentos tão pesados, com muito creme.

An Ruo limpou o creme do canto da boca dele e disse suavemente:

— Come amanhã.

O homem, de fato, obedeceu a ela. An Ruo mandou o empregado levar o bolo embora. Ela ia se levantar, mas o pulso foi segurado novamente.

— Aonde vai? — Havia uma forte relutância nos olhos dele.

— A meia-noite ainda não passou. Ainda não te dei meu presente.

Ao mencionar o presente, os olhos dele escureceram. Relutante, ele a soltou:

— Vai rápido.

O tempo que lhe restava era pouco...

Não demorou muito para An Ruo voltar do closet com uma caixa de presente.

O presente dela incluía um cachecol tricotado à mão, um ursinho de pelúcia feito por ela mesma, e uma caneta personalizada encomendada no shopping, gravada com palavras cheias de amor por ele.

E também uma caixa de veludo vermelho.

Shen Xiaoxing abriu a caixa. Dentro, havia um exame de laboratório dobrado e organizado.

Ele ergueu os olhos para ela. A garota apenas sorriu, com os lábios apertados:

— Abra e veja.

O homem, impaciente, desdobrou o exame. Leu com muita atenção; ele, que normalmente lia rapidamente, naquele momento lia palavra por palavra, devagar, com cuidado, repetidas vezes.

— Fui ao hospital hoje fazer o exame. O feto está estável e saudável, e é uma menina.

Era a filha que ele tanto desejava.

Shen Xiaoxing esboçou um sorriso nos olhos e na boca. O sorriso era profundo. Ele olhava repetidamente para as palavras no exame, e seus olhos foram ficando vermelhos...

An Ruo sentiu um aperto no peito. Ela também tinha medo de que ele não esperasse pela criança, por isso pediu a alguém para descobrir o sexo do bebê antes do tempo e contar a ele, para lhe dar uma surpresa.

— No meu celular, tem o vídeo do ultrassom do feto...

O homem ergueu a cabeça num instante, o rosto bonito cheio de expectativa.

— Mas agora é muito tarde. Mostro amanhã.

— Só quero dar uma olhada.

An Ruo segurou a mão dele:

— Não pode.

Ele estava naquele estado, querendo tudo de uma vez, com medo de deixar arrependimentos. An Ruo tinha muito medo de que, depois de conseguir tudo, ele perdesse a esperança.

Queria que ele pensasse e desejasse, para assim estimular uma vontade maior de viver.

Por isso, preferiu recusá-lo:

— Amanhã você vê o quanto quiser. Ninguém vai roubar de você.

Shen Xiaoxing a fitou profundamente por um longo tempo e, lentamente, assentiu:

— Está bem.

Ele guardou o exame com cuidado, colocando-o de volta na caixa de veludo vermelho.