Casa Antiga da Família Shen.
Um carro de luxo preto parou lentamente no pátio da frente. O motorista franziu levemente a testa ao olhar para o homem que bloqueava o caminho e, após verificar o retrovisor, relatou com sinceridade.
— Senhora, o segundo jovem mestre está na frente, impedindo a passagem.
A mulher no banco de trás abriu os olhos lentamente. Ela cobriu a boca com uma mão enquanto bocejava; desde que engravidara, estava cada vez mais sonolenta.
Ao ouvir isso, um frio surgiu em seus olhos: — Se não deixa passar, então atropele.
Ela se recostou preguiçosamente, cruzando as pernas longas e finas: — Se morrer, a culpa é minha.
O motorista obedeceu e estava prestes a pisar no acelerador para avançar, quando o fiel cão de guarda de Shen Tingfeng, A Jin, correu para a frente.
— Grande senhora, embora a senhorita Chen esteja morta, as provas contra ela ainda estão nas mãos do meu jovem mestre. Se não quiser que ela seja desonrada, aconselho-a a descer do carro obedientemente.
An Ruo lançou um olhar frio para ele.
A Jin baixou a cabeça, inexpressivo.
Quase toda a família Shen havia sido tomada por Shen Xiaoxing; nem uma mosca entrava ou saía do pátio sem sua permissão. Para Shen Tingfeng se reerguer, não havia outra opção senão ameaçar com o caso de Chen Keqiao!
Se fosse algo relacionado a ela mesma, An Ruo não hesitaria em atropelá-lo, mas... quando se tratava da falecida Chen Keqiao, ela não conseguia ficar de braços cruzados.
Ela havia sido torturada por sua causa, escolhendo sem hesitação a amizade em vez da própria honra. Já que ela não estava mais ali, An Ruo precisava assumir a responsabilidade de cuidar dos pais idosos de Chen. Perder a filha já os deixara desolados; se soubessem de tudo que ela sofreu em vida...
Ela não podia garantir que não aconteceria outro acidente.
Depois de pensar muito, An Ruo abriu a porta friamente e desceu do carro.
A família Shen já estava completamente cercada e ocupada pelos homens de Shen Xiaoxing. Com um simples movimento de dedo, ele podia imobilizar não só Shen Tingfeng, mas até o velho mestre Shen. Ela não temia que esse sujeito fizesse alguma besteira.
A perna direita de Shen Tingfeng estava com os tendões rompidos, a perna toda praticamente inutilizada. Quem causa mal aos outros acaba prejudicando a si mesmo; não só a perna direita, mas também o braço direito estava semi-inválido, incapaz de levantar peso, tornando-se um aleijão de fato.
Ele estava sentado em uma cadeira de rodas, os olhos negros ligeiramente semicerrados, observando-a descer, com um sorriso nos lábios que era ao mesmo tempo arrogante e sinistro.
Diziam que, quando soube que sua perna estava completamente perdida, ele enlouqueceu, batendo em quem aparecesse pela frente; contavam que mordera uma empregada que o atendia, arrancando-lhe uma orelha...
An Ruo sentiu que aquele sorriso sombrio dele fazia o couro cabeludo formigar. Os olhos estranhos fixos nela faziam sua espinha gelar.
Ela se encorajou: por mais feroz que ele fosse, o que mais podia fazer? O ramo deles agora não era diferente de prisioneiros.
— Vamos, o que você quer comigo?
— Venha cá. — Ele acenou com a mão, o sorriso se alargando. — Vou te mostrar uma coisa boa.
An Ruo franziu levemente a testa e estava prestes a se aproximar quando um braço se ergueu na frente dela. Ela seguiu o braço com o olhar para cima.
Lin Zaozao lançou um olhar frio para Shen Tingfeng, um olhar que escondia uma faca afiada. Ela se virou, com o rosto um pouco mais suave.
— Senhora, ele agora é um cachorro louco. Cuidado para não ser mordida.
— ... — Shen Tingfeng tinha um olhar cruel, os lábios tremendo ligeiramente de raiva.
A Jin era seu derrotado; toda vez que a via, lembrava da humilhação daquele dia, e seus instintos competitivos fervilhavam.
— Não tem problema. — An Ruo lhe deu um olhar tranquilizador. — Ele não ousa.
Ela deu um passo à frente: — O que vai me mostrar?
O homem abriu um sorriso sinistro e, de repente, ergueu a mão para puxar a gola dela. An Ruo instintivamente se inclinou.
Lin Zaozao, vendo isso, sacou rapidamente a pistola e apontou para a testa de Shen Tingfeng: — Solte-a, ou minha arma não terá piedade!
Toda a família Shen estava nas mãos de Shen Xiaoxing; desde o dia em que ele levou An Ruo para morar no Jardim Jing, forçara o segundo ramo a entregar todas as armas e a renunciar ao poder no Grupo Shen.
Eles estavam, na prática, sob prisão domiciliar.
A Jin instintivamente quis sacar a arma, mas percebeu que não tinha esse direito; só pôde observar Lin Zaozao apontar a arma para Shen Tingfeng.
Shen Tingfeng não se importou com a arma na cabeça; tirou o celular do bolso e começou a tocar o vídeo da humilhação de Chen Keqiao — a cópia original, sem censura!
Os sons dos pedidos de socorro e choro da garota ecoaram nos ouvidos de todos.
An Ruo ficou tensa. Basta uma olhada para perder o controle; agarrou Shen Tingfeng pela gola, furiosa: — O que você quer, afinal!?
— Se eu postar esse vídeo na internet, quantas pessoas você acha que vão ver?
— Você não ousaria!
Ele sorriu com malícia, passando a mão na cintura fina dela: — Por você, o que eu não ousaria?
Lin Zaozao apertou a arma contra a testa dele: — Tire essa mão suja!
— Você vai contar para Shen Xiaoxing, não vai? Tudo bem, vá contar para ele, deixe que ele quebre minha outra perna. — Disse isso, olhando para An Ruo, e de repente soltou uma risada estranha.
An Ruo sentiu o couro cabeludo formigar; ele estava fora de si, a mente abalada pelos golpes de Shen Xiaoxing.
— Você não sabe, ela gemia gostoso na cama. Naquele dia, na casa dos Chen, ela chorou e implorou para eu não te machucar. Preferiu morrer a te enganar para vir até mim!
— ... — Os olhos de An Ruo ficaram vermelhos; ao pensar em tudo que Chen Keqiao passou, seu coração doía.
— Naquele dia, os pais dela estavam no quarto ao lado. Que emoção, não? Mas ela apertou os dentes e não fez barulho. Como não gritava, eu batia nela, apertava ela...
An Ruo, com os olhos injetados, não aguentou mais ouvir; ergueu a mão e deu um tapa nele, agarrando-o pela gola com força e avisando: — Shen Tingfeng, seu animal pior que um bicho! Espera, espera até o dia em que eu te denunciar!
— ...
— Você quer me ameaçar com o vídeo? Que ingenuidade. Toda a família Shen está nas mãos de Shen Xiaoxing. Se quer expor o vídeo, veja se tem capacidade para isso!
Depois de dizer isso, An Ruo franziu a testa; uma leve dor no baixo-ventre a fez perceber que não podia se irritar.
Ela soltou Shen Tingfeng com violência: — Se tem coragem, pode tentar.
Shen Tingfeng não esperava que ela não caísse na armadilha.
Lin Zaozao guardou a arma: — Senhora, não perca tempo com esse lixo. De qualquer forma, ele não viverá muito.
An Ruo assentiu. Para se acalmar o mais rápido possível, virou-se e voltou para o carro, ordenando em tom grave: — Dirija.
Shen Tingfeng, vendo o carro se afastar, rangeu os dentes e xingou: — Vadia! Espera, um dia você vai rastejar de volta para mim!
...
De volta ao Jardim Jing, An Ruo andava de um lado para o outro na sala de estar. Com as mãos trêmulas, ligou a música, tentando se acalmar rapidamente.
Lin Zaozao mandou um criado trazer uma tigela de frutas: — Senhora, coma um pouco de fruta.
An Ruo assentiu ao ouvir isso. Pegou um pedaço de laranja cortada e mordeu; estava azeda e doce, seu favorito.
Ela tentou pensar em coisas alegres para apagar a raiva, mas não adiantou; sua mente estava cheia das palavras daquele animal, Shen Tingfeng.
Ao lembrar do que Chen Keqiao sofreu em vida — a humilhação, os pais deitados no quarto ao lado, o sofrimento silencioso, e ela mesma escondendo tudo para não preocupar An Ruo —, enquanto comia, as lágrimas escorriam sem controle...
— Senhora... — Lin Zaozao, vendo que ela não estava bem, falou com cuidado.
An Ruo sentia o peito apertado, insuportável. Não aguentou mais e, de repente, virou a toalha da mesa, derrubando a tigela de frutas e o serviço de chá no chão.
— Quem deixou nossa senhora Shen tão irritada, a ponto de explodir assim?
Uma voz masculina agradável veio da entrada.
Os criados se curvaram respeitosamente: — Grande jovem mestre.