Capítulo 356: Capítulo 356 Não Quero Mais Ser Controlado

An Ruo ficou imóvel, observando-o depositar um beijo em sua testa antes de sair da sala com o telefone em mãos, passos largos.

Ele simplesmente foi embora assim?

Sem dar qualquer explicação, sem que ela dissesse que o perdoava, ele partiu?

An Ruo riu de raiva, os lábios se contraindo num sorriso frio.

Quanto mais pensava, mais se irritava. Agarrou o travesseiro e o atirou com força contra a porta!

Que absurdo, Shen Xiaoxing!

Depois de desabafar, An Ruo se enrolou na cama por birra e foi adormecendo aos poucos. Estava cada vez mais sonolenta...

Não sabia quanto tempo dormiu, mas quando acordou, a noite já havia caído lá fora. De repente, sentiu que o mundo inteiro estava em silêncio.

Vestiu-se e, ao descer as escadas, viu Lin Zaozao entrando vinda de fora.

— Senhora acordou. Está com fome? Quer que a cozinha sirva o jantar agora?

Ela assentiu. Por mais irritada que estivesse, precisava comer bem — afinal, havia um pequeno tesouro em sua barriga, que já começava a protestar.

Na sala de jantar, estava sozinha. O homem não estava. Sumira a tarde inteira. O que seria tão importante a ponto de fazê-lo negligenciá-la?

Ele se sentia tão à vontade para deixá-la na residência dos Shen?

Lin Zaozao percebeu seu mau humor:

— Senhora, enquanto come, vou lhe contar uma boa notícia.

An Ruo colocou um pedaço de foie gras na boca:

— Que boa notícia?

Que boa notícia poderia alegrá-la?

— O segundo jovem senhor teve uma perna e um braço arrancados pelo jovem senhor.

A mão que cortava o foie gras hesitou por um instante. An Ruo ficou atônita:

— Foi Shen Xiaoxing quem fez isso?

— Desta vez, o jovem senhor trouxe muitos soldados de elite. Depois que a senhora saiu à tarde, ele mandou cercarem a residência dos Shen e, diante do patriarca, tomou pessoalmente a perna e o braço do segundo jovem senhor, para consolar o espírito da senhorita Chen no céu.

An Ruo compreendeu:

— Então ele me mandou embora de propósito para...

Lin Zaozao completou a frase:

— Para que a senhora não visse a cena sangrenta.

O coração de An Ruo se aqueceu. Sempre soubera que aquele homem era meticuloso, mas nunca imaginara que ele a afastara por esse motivo.

...

À noite, o homem voltou na ponta dos pés. Ao abrir a porta, viu a moça sentada na beira da cama, numa postura que parecia esperá-lo de propósito.

— Ainda não dormiu, tão tarde?

An Ruo não respondeu. Respirou fundo e o encarou:

— Tão tarde, onde você foi?

Shen Xiaoxing ergueu uma sobrancelha:

— Vai falar comigo agora?

Ele estava desviando o assunto de propósito.

An Ruo entendeu. Ele queria esconder algo dela.

Ao pensar nisso, o bom humor que tinha desapareceu por completo!

— Ainda está com raiva de mim? — Ele se aproximou para pegar sua mão.

An Ruo desviou o rosto, fria:

— Claro que estou com raiva!

Ele ainda não a tinha acalmado, e já atendia a um telefonema desesperado, largando-a e saindo correndo. Voltou tarde da noite sem dar uma única explicação.

— O que preciso fazer para você não ficar com raiva? — Ele assentiu para si mesmo: — Já sei.

Então se levantou e saiu. An Ruo ficou ainda mais irritada. Dez minutos depois, ele voltou segurando uma tábua de lavar roupa.

O homem a colocou solenemente no chão diante dela:

— A culpa é minha. Vou me punir. Só não fique com pena de mim, hein.

An Ruo: “...”

A primeira parte até parecia séria, e ela pensou em sentir pena, mas... que nada! Melhor deixá-lo se virar sozinho!

O homem se ajoelhou diante dela. An Ruo não esperava que ele fosse tão a sério. Levantou-se depressa para ajudá-lo:

— O que você está fazendo!?

— Esposa~ — O homem, que antes franzia a testa de dor, ao vê-la preocupada, sorriu levemente, com um tom manhoso: — Me perdoa?

— Você... levanta logo. — Não aguentava aquele tom manhoso.

— Se disser que me perdoa, eu levanto.

An Ruo fez cara séria:

— Levanta se quiser.

— ... — Shen Xiaoxing não esperava que o truque da chantagem emocional não funcionasse. Deu um sorriso sem graça: — Não sente mais pena de mim?

— ...

— Senhora Shen, seu coração ficou duro.

An Ruo, com medo de que ele realmente machucasse os joelhos, segurou seu braço:

— Levanta, eu te perdoo.

No momento em que ele se ajoelhou, toda a raiva dela se dissipou.

O que restou foi mais compaixão por ele.

Ele a encarou com seriedade:

— Me perdoou mesmo?

— Hum. — A voz de An Ruo suavizou: — Vai tomar banho, está com cheiro de suor.

O homem cheirou a si mesmo. Talvez tivesse voltado com muita pressa; depois de uma grande batalha, era inevitável ter um pouco de odor de suor.

Ele a consolou com algumas palavras, levantou-se e foi ao banheiro se lavar.

Quando saiu, a moça estava recostada na cabeceira, lendo um livro sobre criação de filhos.

— Está tarde, descanse cedo. — Ele se aproximou e, com a mão grande, tirou o livro dela.

An Ruo assentiu:

— Boa noite.

Enquanto Shen Xiaoxing guardava o livro, a moça já se deitara, de olhos fechados, de costas para ele.

Olhando para as costas dela, ele suspirou silenciosamente. Aproximou-se e beijou seu rosto:

— Boa noite.

A luz se apagou. O quarto ficou em silêncio, apenas o ar-condicionado zumbindo baixinho.

An Ruo mantinha os olhos brilhantes abertos. Dormira demais à tarde e agora não conseguia pegar no sono.

O homem a abraçou por trás, a respiração pesada roçando sua orelha. A palma quente dele cobria sua barriga através do cobertor fino.

— Te mandar embora à tarde foi para que você não visse... meu lado violento.

No quarto silencioso, a voz dele soava ainda mais nítida.

Sua voz estava um pouco rouca:

— Quero deixar uma boa impressão em você.

O coração de An Ruo ardia. O hálito dele envolvia sua orelha, e ela sentia o peito apertado, quase sem conseguir respirar.

— Não te contar muitas coisas é para que você possa descansar tranquila na gravidez. — Shen Xiaoxing segurou a mãozinha dela, falando claramente: — Estar comigo já significa passar por muitas dificuldades. Não quero que aconteça nenhum imprevisto nessa situação.

— ...

— Agora que tenho você, não quero mais ser controlado por ninguém. Nesta vida, só você pode me domar, Shen Xiaoxing.

O nariz de An Ruo ficou dolorido. Ela mordeu levemente o lábio e murmurou:

— Não estou com raiva de você. Aquelas palavras nem passaram pela minha cabeça.

O homem que a abraçava claramente hesitou por um instante.

Ela respirou fundo, esperando a própria respiração se acalmar, e continuou:

— O que me irrita é a sua presunção, de não me contar nenhum plano.

— ...

— Você tem medo de que eu fique imaginando coisas, querendo o meu bem. Mas acha que me faz bem me ver fazendo coisas perigosas, escondendo tudo de mim?

— A culpa é minha. Não deveria ter escondido nada de você.

— Você vive dizendo que marido e mulher devem ser um só coração, mas, sempre que surge um problema, me afasta.

A mão grande de Shen Xiaoxing se fechou ligeiramente. O pomo de Adão dele se moveu com força:

— Não considerei seus sentimentos. Fui precipitado nessa questão. Desculpe, senhora Shen.

O nariz de An Ruo ardeu ainda mais. Ela se virou e se jogou nos braços dele, apertando sua cintura com força, murmurando:

— Minha intenção não era te culpar. Eu só... me preocupo com você. Tenho medo de que você se machuque, de que me deixe. Shen Xiaoxing, não tenho muitos parentes. Se algo acontecer com você... eu não aguentaria.

Desde a morte de Chen Keke, ela parecia ter desenvolvido uma leve depressão. Nunca ficava tranquila em relação a An Che e Shen Xiaoxing, sempre achando que corriam perigo.

— Não interfiro no que você faz. Só quero que você volte são e salvo, inteiro, para perto de mim.

Aquelas palavras sinceras aqueceram o coração do homem. Ele a abraçou com mais força, a testa encostada na dela.

— Senhora Shen, o que devo fazer com você? Amar você e cuidar de você não basta. Até quando você chora, eu daria minha vida por você.

Não importava o que ele fizesse, bastava ela chorar para que o mundo inteiro parecesse estar em dívida com ela. Naquela hora, ele entregaria a própria vida.

An Ruo fungou no colo dele, e as lágrimas foram enxugadas por seus dedos longos.