"Ahhhhhhh!!!" "Ruoruo, save me!" Um grupo de homens com rostos indistintos estendiam garras demoníacas tateando a garota, suas risadas zombeteiras como ratos guinchando em um esgoto imundo, eles riam, eles eram sórdidos... O som áspero do tecido rasgando ecoava em seus ouvidos, tiras de pano rasgadas jogadas ao acaso no ar, bloqueando a visão que ela tentava focar. A garota, com as roupas em frangalhos, encolhia-se num canto, tremendo. Ela queria fugir, mas aqueles homens não lhe davam a menor chance. Mãos grosseiras arrastavam seus tornozelos nus e brancos sem piedade pelo chão— An Ruo finalmente enxergou. Ela viu a garota sendo rasgada, tomada pelos homens... manchando sua pureza centímetro por centímetro. Ela era como uma rosa branca altiva e sagrada caindo na lama... An Ruo empurrou-os com força, quando de repente um clarão como o dia atravessou sua mente. A porta foi batida, e ela instintivamente girou a maçaneta para abri-la. Chen Keqiao, toda desgrenhada, apareceu diante dela com olhos mortos, coberta de feridas chocantes. "Ruoruo..." Ela chorou, magoada. Antes que An Ruo pudesse consolá-la, seu olhar desceu lentamente e viu um grande fluxo de sangue vermelho escorrendo entre as coxas pálidas da garota... Aquele vermelho chocante escorria por suas pernas brancas como neve até o chão... "Xiao Qiao..." "Estou com tanta dor... Ruoruo, estou doendo..." "Qiaoqiao..." An Ruo viu a garota desaparecer diante dela, estendeu a mão para agarrá-la, mas descobriu que era intangível, como uma ilusão. "Qiaoqiao..." Ela chamava o nome da garota como num pesadelo. "Qiaoqiao!" An Ruo acordou sobressaltada. Ela ficou olhando fixamente para o teto escuro, atordoada, até se recompor, ofegante, sentando-se na cama. Lembrando de tudo que aconteceu no sonho, An Ruo, ainda apavorada, passou a mão nos cabelos. Sentindo que não havia ninguém ao lado, acendeu o abajur de cabeceira e olhou em volta; realmente não viu a figura do homem. Aonde ele foi tão tarde? Acordada pelo pesadelo, An Ruo perdeu a vontade de continuar dormindo. Calçou os chinelos e decidiu dar uma volta. O lugar onde estavam agora era uma vila em uma rua movimentada, com design simples, dois andares. Sob uma enorme janela de vidro havia uma piscina espaçosa, com boias infantis flutuando. Originalmente, o homem dissera que a viagem era uma operação secreta, e que ficar em um hotel discreto era para não chamar atenção. Mas aí, ele achou que o desmaio repentino dela da última vez foi por cansaço excessivo, não quis mais ficar em hotel, e, num gesto grandioso, comprou esta vila, contratando até algumas empregadas para cuidar dela. An Ruo não queria que ele gastasse à toa, já que não ficariam muito tempo, mas o homem disse que ela gostava do lugar, e que ele tinha alguns clientes para negociar parcerias, então planejavam ficar um período. À noite, luzes de LED acendiam ao redor da piscina, e cantos como escadas e esquinas, onde era fácil tropeçar no escuro, também tinham iluminação. Ela tinha medo do escuro—era algo que Shen Xiaoxing sabia. An Ruo vestiu um cardigã fino de tricô, calçou chinelos rosa e desceu as escadas. Na sala e no corredor, luzes de parede amareladas estavam acesas, suaves, mas suficientes para afastar a escuridão. Não havia ninguém na sala do primeiro andar. Ela não pegou o celular e não fazia ideia de onde o homem tinha ido no meio da noite. Shen Xiaoxing comprou esta vila, mas An Ruo não tinha nada de especial que a agradasse. O luxo não se comparava à mansão à beira-mar que tinham em Shencheng, e a área não era muito grande, mas era perfeita para os dois, especialmente se um dia tivessem um filho e morassem como uma família de três. A única coisa que An Ruo elogiava sem reservas era que, à noite, dava para ver o céu estrelado dali. O firmamento pontilhado de estrelas, só de olhar, já alegrava o coração. An Ruo foi até a espreguiçadeira perto da piscina, deitou-se levemente e olhou para a estrela mais brilhante no céu noturno, que parecia piscar para ela. Na mesma hora, na mansão da família Jiang. O homem estava sentado na varanda externa, observando o céu estrelado. Seus lábios finos e levemente roxos se apertaram suavemente. Um raio de luz suave passou por seu rosto demoníaco e bonito. Seu olho direito era azul-esverdeado, enquanto o outro era um preto profundo. Olhos bicolores naturais! Ele era uma obra de arte criada por Deus, mas não recebeu a bênção dos deuses. Rito, um homem alto e forte, saiu da escuridão com um casaco nas mãos. Ele o colocou cuidadosamente sobre os ombros do homem. "Jovem mestre, a noite está fria. É melhor voltar para o quarto e descansar." O homem não se mexeu, continuou sentado, olhando fixamente para o céu sem fim, absorto. Rito sabia que essa era a maneira dele de sentir saudades de sua amada, e ficou ao lado, discretamente. Um carro esportivo vermelho chamativo parou no pátio. Dele saiu Jiang Mingxuan, bêbado, assobiando despreocupadamente. Duas mulheres sensuais desceram com ele, grudando-se nele como abelhas em uma flor, beijando-o. Os três, sem se importar com quem estava por perto, começaram a fazer coisas constrangedoras em público, só faltando pedir uma cama... Rito desviou o olhar, fingindo não ver. Aquele sujeito era o filho mais velho de Jiang Zhong e da Sra. Jiang, e tinha uma irmã mais nova. Diziam que o casal Jiang mimava o filho, o que era compreensível, já que era um herdeiro rico sem preocupações. Mas, pelas regras do centro da planície, um universitário recém-saído da adolescência deveria focar nos estudos, não viver na farra, trazendo mulheres diferentes para passar a noite, transformando o lugar numa bagunça. Era de irritar! A mulher massageava o peito do homem, os lábios vermelhos levemente empinados: "Jovem mestre Jiang... tem alguém no segundo andar nos olhando!" Jiang Mingxuan seguiu seu olhar, mas o homem nem sequer os encarou. Ele bufou com desdém: "Dois idiotas que vieram sei lá de onde. Deixa pra lá, vamos nos divertir." Ele nunca se metia nos assuntos do pai. Abraçou as duas mulheres de corpos esculturais e foi para o quarto, planejando virar a noite! "Jovem mestre, o leilão está se aproximando. Jiang Mingxuan está trazendo muitas mulheres para cá. Receio que isso afete nossos planos." Rito estreitou os olhos, com um brilho perigoso. Já estava de saco cheio daquele garoto: "Devo eliminá-lo, jovem mestre?" "Rito, isto é o centro da planície, não nosso território além da fronteira." O homem falou com voz grave: "O centro tem suas regras. Não aja por impulso." "Sim..." "Mas sua preocupação é válida. Deixe-o se divertir mais dois dias. Quando o leilão começar, mande alguém vigiá-lo de perto." "Sim, entendido." O homem ergueu a cabeça lentamente. No céu noturno tranquilo, seus dois olhos bicolores foram se tornando mais profundos. "Nunca imaginei que veria um céu tão bonito aqui no centro da planície." "Acredito que a devoção do jovem mestre um dia comoverá os deuses. Com certeza encontrará a Terceira Srta. Bai e compensará todos esses anos de arrependimento." O homem escureceu seus belos olhos. Será que ele realmente a encontraria? Por que, depois de tantos anos, ela ainda não dava sinal de vida? ... An Ruo, no meio do sono, sentiu uma cócega no rosto. Ao abrir os olhos, deu de cara com o rosto ampliado do homem. Ela ficou um pouco atordoada. Bocejando, com a voz mole, perguntou: "O que você está fazendo aqui?" "Eu é que deveria perguntar isso," o homem beliscou o nariz dela com carinho: "Por que não está dormindo no meio da noite e veio parar aqui?" E ainda dormiu aqui, sem medo de pegar um resfriado? "Hum..." An Ruo espreguiçou-se: "Acordei e não te vi, então resolvi dar uma volta para espairecer." "Dar uma volta no meio da noite?" Shen Xiaoxing passou a mão grande pelos cabelos soltos dela: "Por que acordou de repente? Teve um pesadelo?" An Ruo, acertada em cheio, lembrou-se do sonho e, apavorada, apertou a mão do homem. Seu rosto pequeno mergulhou em preocupação profunda: "Faz dias que Qiaoqiao não me contata. Hoje liguei e ninguém atendeu. Tenho tanto medo de que algo tenha acontecido com ela."