Capítulo 29: Capítulo 29 – Maquinando algo contra mim?

An Qing fez beicinho. —Hoje eu vi o Shen Xiaoxing. Ele não é nada daquele jeito horrível que você disse… Ele é muito bonito.

—Então, por causa disso você quer se casar com ele?

—Ele sempre foi meu! —Ao pensar que An Ruo convive com Shen Xiaoxing o tempo todo, An Qing sentiu uma raiva que não conseguia engolir. —Mãe, você não viu como An Ruo, se aproveitando do carinho do Shen Xiaoxing, fica se exibindo para mim. O lugar de primeira-dama da família Shen deveria ser meu, e ela ficou com ele de graça!

A Sra. An ouviu e ficou frustrada. Cutucou a testa da filha com desgosto, como quem lamenta a falta de ambição: —Por mais bonito que o jovem mestre Shen seja, ainda é um parente sem prestígio na família Shen. Quando o ramo secundário deles assumir a herança, não vai sobrar lugar para ele.

—…

—Além disso, ele tem deficiência nas pernas e é cego. Se você se casar com ele, só vai sofrer.

—Mas ainda não me conformo!

Não se conformava que An Ruo tivesse conseguido uma vantagem tão grande, nem que um homem tão bom tivesse escapado por entre seus dedos.

A Sra. An pegou a mão dela e a consolou: —Não fique assim. Quando essa confusão passar, a mãe vai arranjar para você o melhor rapaz de Xangai.

Mesmo com essas palavras, An Qing ficava cada vez mais irritada ao pensar nisso.

À noite.

Depois de ajudar Shen Xiaoxing a se lavar, An Ruo foi ao banheiro se limpar.

Ao mergulhar na banheira de cisne, An Ruo sentiu cada parte do corpo gritar de conforto.

Relembrando os acontecimentos dos últimos dias, ela foi ficando com sono e, encostada na borda da banheira, acabou dormindo.

Lá fora, Shen Xiaoxing esperou sem vê-la. Quis se levantar para acender um cigarro, mas temia que a garota abrisse a porta de repente e o visse.

Virou-se na cama, inquieto. Já havia passado uma hora, e a garota ainda não tinha saído!

Com paciência, ele se levantou e manobrou a cadeira de rodas até a porta do banheiro: —An Ruo?

Bateu algumas vezes, mas ninguém respondeu.

Será que essa bobinha dormiu na banheira?

Com esse pensamento, ele aumentou a força na mão, batendo na porta com força. A garota na banheira virou-se e, sem querer, caiu na água, engolindo um gole da água do banho.

An Ruo acordou sobressaltada, enxugou as gotas do rosto e, ouvindo o homem batendo do lado de fora, respondeu enquanto, apressada, saía da banheira.

Foi então que percebeu que, na pressa de entrar, não tinha pegado o pijama!

—Já terminou? —Shen Xiaoxing olhou para a silhueta embaçada refletida no vidro fosco. —Preciso ir ao banheiro.

—Espera, espera um pouco!

An Ruo, num lampejo, pegou a toalha ao lado e enrolou-se nela. Já que o homem não podia ver, ela podia sair e trocar de pijama depois.

O homem esperou um pouco do lado de fora e, de repente, avistou o pijama rosa no sofá. Entendeu na hora por que a garota demorava tanto para sair.

A porta do banheiro se abriu, e An Ruo saiu timidamente enrolada na toalha.

—Você… pode usar.

Shen Xiaoxing tremeu levemente os cílios e mexeu no pomo de Adão sem demonstrar: —Sra. Shen, você não está sendo uma esposa muito competente.

Percebendo a indireta, An Ruo entendeu que ele se referia à dificuldade dela.

—Espera só um pouco…

O homem ergueu uma sobrancelha. —Estou com pressa.

—…

An Ruo não teve escolha a não ser deixar de lado a troca de pijama e empurrá-lo para dentro do banheiro.

Chegando na frente do vaso, o maior problema era que o homem tinha dificuldade de locomoção, e ela ainda precisava ajudar…

Vendo a expressão envergonhada dela, Shen Xiaoxing não resistiu à tentação de provocá-la.

—Não vai ajudar, Sra. Shen?

Ele enfatizou o “Sra. Shen”, como se quisesse lembrar algo.

An Ruo não teve tempo para analisar isso. Superando a vergonha, ajudou-o a se levantar: —Tirar as calças… você consegue sozinho, né?

—Lembre-se, seu marido é um inválido que não consegue cuidar de si mesmo.

O tom era sarcástico.

An Ruo não podia simplesmente deixá-lo ali. Respirou fundo e, de repente, puxou a calça do pijama para baixo, o que fez o homem rir baixinho.

—Sra. Shen, puxando com tanta força, tem certeza de que não está tramando algo contra mim?

Tramar o quê, diabos!

An Ruo não quis dar atenção. —Resolve logo. O vaso está na sua frente… faz xixi à vontade, depois eu limpo.

Sabendo que ela era tímida e conservadora por natureza, Shen Xiaoxing decidiu parar de provocá-la.

O banheiro ficou em silêncio. An Ruo, segurando-o, virava a cabeça para longe e perguntava de olhos fechados: —Já terminou?

O homem respondeu com um “hum”, e An Ruo se abaixou para puxar a calça do pijama dele. Mas, sem querer, a toalha se soltou, deixando-a nua de repente.

Os olhos escuros de Shen Xiaoxing capturaram o corpo delicado dela. A garota gritou “ai” e, apressada, cruzou os braços e se virou—

Shen Xiaoxing ficou paralisado por um instante. Quando recobrou o juízo, já estava sentado na cadeira de rodas, mas seus olhos permaneciam fixos nas costas dela, com um olhar profundo que não conseguia desviar.

A pele da garota era branca como neve, macia como a de um bebê. Várias vezes, quando ela se deitava sobre ele, ele a tocava sem querer e não conseguia se soltar.

O cabelo comprido e brilhante caía sobre os ombros, tentando esconder o que não podia. As linhas elegantes das omoplatas, a cintura fina que cabia na palma da mão… tudo isso despertava fantasias.

Shen Xiaoxing, com o olhar sombrio, levantou a mão e tocou o nariz sem perceber. Quando ergueu os olhos novamente, viu no ombro direito dela uma flor desabrochada, com vinhas verdes se estendendo, sensual e provocante.

Ele não se lembrava de a garota ter alguma tatuagem.

An Ruo, apressada, pegou a toalha e se enrolou. Sem coragem de olhar para trás ou encarar o homem, mesmo sabendo que ele era cego e não podia ver, ainda assim correu para vestir o pijama e depois voltou para empurrá-lo para fora.