Zhou Wang brincava com o celular entre os dedos longos, quando a porta atrás dele foi educadamente batida. — Entra. — Presidente. Tao Zhi segurava uma pilha de documentos e, com a outra mão, trazia um café acabado de fazer: — O café que pediu. Zhou Wang, pensativo, voltou para a mesa de trabalho, recostou-se preguiçosamente na cadeira giratória, deu uma leve volta e tomou um gole do café. — Presidente, estes são os documentos necessários para a reunião de hoje. Dê uma olhada. — Deixa aí. — Zhou Wang estava com a cabeça cheia do roteiro do casamento e, de vez em quando, pensava em Jiang Li, imaginando o que ela estaria fazendo naquele momento, se estaria tão ansiosa quanto ele pelo casamento que se aproximava. — Hum... — Tao Zhi arriscou: — Presidente, se não houver nada nestes dias, posso tirar uma folga? — Você não vai se casar, por que pedir folga? Tao Zhi rangeu os dentes por dentro: Maldito capitalista! Mas, na cara, sorriu e disse: — Presidente, esqueceu? Sua esposa... ah, não, a senhora presidente, sua esposa me escolheu como dama de honra no casamento. Zhou Wang percebeu tardiamente, olhou para ela e disse: — É verdade, você merece uma boa folga. Está aprovado. Tao Zhi fingiu estar feliz, mas por dentro amaldiçoou Zhou Wang da cabeça aos pés. Sempre que se tratava de Jiang Li, tudo era fácil de resolver, a ponto de ela precisar pedir folga por causa de Jiang Li. Ah, que comparação! É de dar raiva! — A propósito, cancele a reunião da tarde. Tenho que sair daqui a pouco para resolver algo. — O quê? Zhou Wang franziu a testa, com cara de poucos amigos: — Hã, preciso te dar satisfação sobre o que faço? — Sou sua secretária. — Só secretária, e ainda quer controlar minha vida pessoal? Tao Zhi arregalou os olhos: — Então vou controlar mesmo. Não vá sair por aí com o Lin Yifan e o pessoal, fazendo farra na despedida de solteiro, só porque faltam dois dias para a vida de solteiro acabar. Zhou Wang estreitou os olhos: — Aviso para não falar besteiras na frente da Jiang Li. — ... — Tao Zhi fez bico, pensando que a boca era dela e ela falava o que quisesse. — Se falar, vou descontar do seu salário! — Zhou Wang levantou-se, pegou o casaco e saiu. Tao Zhi de repente o chamou: — Zhou Wang! O homem parou de repente, virou-se e a encarou com uma expressão feroz. Tao Zhi não teve mais medo dele como antes, criou coragem e o encarou de volta, dizendo palavra por palavra: — Jiang Li é minha melhor amiga. Ela esperou por você dez anos, ignorando os conselhos de todos. Você não pode decepcioná-la. Eu a entreguei a você, espero que possa fazê-la feliz para sempre. — Enquanto falava, as lágrimas escorriam pelo rosto, e ela, com os olhos vermelhos, disse: — Se ousar fazê-la sofrer, eu... mesmo que não consiga te vencer, vou te dar uma surra. — Me dar uma surra? — Zhou Wang ergueu uma sobrancelha: — Você tem capacidade para isso? — De qualquer forma, não pode machucá-la de novo! Zhou Wang ergueu a cabeça e olhou pela janela, dando uma risadinha: — A mulher que conquistei com minha vida, a garota que protegi por mais de dez anos. Se eu a fizesse sofrer, acho que nem esperaria vocês agirem. Ele mesmo se encarregaria de acabar com isso! — Felicidades pelo casamento adiantado! Zhou Wang soltou uma risada arrogante: — Vou nessa. ... Shen Xiaoxing carregava uma bandeja com uma mão enquanto caminhava para o quarto. A figura esbelta estava parada em frente à janela, olhando para algo com tanta atenção que nem percebeu que ele já estava atrás dela. Ele brincou: — O que está olhando? Nem notou que o marido chegou? An Ru respirou fundo, virou-se lentamente e o encarou com seus olhos brilhantes. Shen Xiaoxing achou estranho aquele olhar direto dela, e ergueu levemente os lábios: — O quê, depois de algumas horas sem se ver já está com tanta saudade de mim? Ele colocou o café da manhã na mesa: — Vem logo comer. An Ru ficou parada, sem se mexer. O homem, vendo seu comportamento incomum, ergueu uma sobrancelha: — Sra. Shen, tem algo a me dizer? A garota mordeu os lábios, com uma expressão claramente ruim. Shen Xiaoxing estava completamente perdido. Ele não a tinha incomodado durante o descanso, e o café da manhã era tudo que ela gostava, dentro das preferências dela. O que havia de errado? — Vem, senta e me conta devagar. An Ru o olhou com indiferença, sentou-se de má vontade ao lado, mantendo distância propositalmente. — Fui eu que te deixei chateada? — Shen Xiaoxing serviu leite quente para ela, enquanto a consolava: — Sra. Shen, que é tão magnânima, pode me dizer onde errei? An Ru o encarou fixamente, de repente apoiou o cotovelo na mesa e descansou o queixo na mão, com um tom ácido: — Parece que o Sr. Shen, com essa aparência, não falta pretendentes por onde passa. — ... Ela deu um sorriso falso e sinistro: — Corpo tão bonito, tão charmoso, qual garotinha não se apaixonaria? Shen Xiaoxing ergueu levemente as sobrancelhas: — Você viu tudo? — Não tenho tempo para isso. O motivo era que An Ru, ao acordar e não ver Shen Xiaoxing, abriu a porta para ir ao quarto andar tomar café da manhã e, por acaso, encontrou duas garotas saindo do elevador. Passando por ela, ouviu-as comentando que tinham pedido o contato de Shen Xiaoxing e sido recusadas. Embora ele tivesse recusado, o que mostrava que ele tinha agido bem, por que aquilo ainda a incomodava tanto? O homem riu: — Está com ciúmes? — Quem está com ciúmes? Não comi bolinho de carne. — Então por que sinto cheiro de vinagre? — É porque o café da manhã que pediu tem vinagre. Shen Xiaoxing olhou e, de fato, viu um sachê de vinagre balsâmico na mesa. An Ru mordeu os lábios: — Aquelas duas garotas são bonitas, jovens, combinariam perfeitamente com você, um tiozão. Por que não deu o contato? — Tiozão? — Shen Xiaoxing sorriu maliciosamente: — Elas me chamaram de irmão, e até elogiaram minha juventude. Irmão!? An Ru respirou fundo, mantendo um sorriso no rosto: — Então por que recusou? — Porque tenho a Sra. Shen, e só preciso dela, essa grama tenra. — Ele riu de forma provocadora: — Muita grama, não consigo mastigar. — ... — An Ru queria jogar o vinagre balsâmico na cara dele. — Já me visto e me arrumo como você pediu, ainda acha que sou velho? — A aparência não é velha, mas acho que, quando fala, parece um velho ranzinza. — An Ru riu baixinho: — Às vezes sinto que você é mais antiquado que os professores da nossa faculdade. Onde ele era antiquado? Shen Xiaoxing riu e apertou o nariz dela, num gesto carinhoso: — Coisinha, já aprendeu a me desprezar indiretamente? Vivia xingando-o de velho, ou de antiquado! — Não me toca, ainda não te perdoei! — An Ru afastou a mão dele. Shen Xiaoxing sorriu ainda mais, esticou o braço e puxou-a para sentar no colo dele. Com o nariz alto encostado nela, esfregou levemente: — Já recusei elas por sua causa, ainda está com raiva de mim? — Por ter recusado, devo te perdoar? — Não deveria? — O homem aproveitou para roubar um beijo. — Shen Xiaoxing, agora percebo que você parece mesmo uma raposa. Shen Xiaoxing achou que tinha ouvido errado: — Eu? Raposa? — Raposa macho. — An Ru esticou o dedo indicador e cutucou a bochecha dele: — Especialmente esses olhos, realmente sabem seduzir as pessoas. O homem riu: — E agora, o que fazer?