Capítulo 221: Capítulo 221 A criança ficou rebelde ultimamente

Esta área é remota, pertencendo a um subúrbio pouco habitado.

Esses motoqueiros vêm aqui todos os dias dar uma volta de moto, em busca de emoção.

Há pouco, An Ruo estava diante da máquina de venda automática de medicamentos, a luz branca iluminando seu rostinho radiante, e eles já estavam babando por dentro!

— Mocinha, você está sozinha aqui, é perigoso. Onde é sua casa? Quer que eu te leve de volta?

Levar de volta para onde?

Para o hotel ou para o bosque?

An Ruo franziu as sobrancelhas delicadas, não acreditando nem um pouco nas mentiras desses marginais!

— Ou então vem com o irmão até a barraca de churrasco ali na frente tomar um drink?

Ele estendeu a mão para puxar An Ruo, assustando a garota, que se soltou com um puxão.

— Ah, é uma garota arretada, gostei. — O homem de jaqueta de couro a envolveu pelos ombros, com um sorriso malandro: — Se você for boazinha e passar a noite com o irmão, quando ele ficar feliz, naturalmente vai te deixar ir.

An Ruo se debateu para empurrá-lo, dizendo friamente:

— Eu tenho marido, por favor, tome cuidado com o que diz.

— Já está chamando de marido tão rápido, mocinha, você é bem esperta!

— Me solta!

— Soltar? — O homem de jaqueta de couro riu com um ar obsceno, e a mão boba deu um tapa na bunda dela: — Se tem marido, por que está sozinha por aí? Será que ele não te satisfaz, e você sai à noite para trair?

Diante de alguém com uma linguagem tão vulgar, An Ruo nunca dava atenção, não se importava em perder tempo com isso.

Ela queria ir embora, mas o grupo a cercava intencionalmente, formando um círculo. O homem de jaqueta de couro era o líder, e seu olhar ganancioso a examinava sem disfarces.

— Em vez de procurar outros homens, é melhor se divertir com a gente, garanto que vamos te tratar muito bem.

O homem de jaqueta de couro disse isso e tentou abraçá-la novamente. An Ruo desviou o corpo bruscamente, enquanto alguns homens de aparência desleixada seguravam seus ombros...

— Soltem! Vocês não têm medo de eu chamar a polícia?

— Medo? Estou com muito medo. Grita um pouco para ver, quem vai se atrever a se meter? — O homem de jaqueta de couro tocou o rosto dela com um sorriso perverso: — Ou melhor, chama seu marido para vir aqui, para ele apreciar bem o espetáculo?

Assim que ele terminou de falar, uma garrafa de cerveja passou por cima das cabeças das pessoas, girou no ar algumas vezes e acertou com força a cabeça do homem de jaqueta de couro.

— Porra! Que filho da puta sem visão ousa acertar o chefe?

O homem de jaqueta de couro levantou a cabeça, xingando.

No meio da rua larga, um homem vestindo um sobretudo preto, como se fosse o senhor do inferno encarnado na escuridão, aproximava-se passo a passo, com o vento uivando.

Ao vê-lo chegar, o coração de An Ruo pareceu se encher de algo, e sua visão se estreitou, só conseguindo enxergar ele.

— Quem é você? Ousa acertar o chefe? Acredita que eu...

Antes que o furioso homem de jaqueta de couro terminasse, o homem deu alguns passos rápidos, acertou-lhe um chute voador no peito, e ele, junto com a moto atrás, caiu a vários metros de distância.

Os outros capangas, vendo que a coisa estava feia, partiram para cima de Shen Xiaoxing com fúria. Eles vieram em bando, mas o homem nem piscou, com movimentos rápidos, precisos e violentos, derrubou todos no chão.

Os outros, vendo como ele era bom de briga, ficaram com medo de se mexer. Montaram em suas motos, aceleraram ao máximo e partiram em direção ao homem.

O coração de An Ruo se apertou de repente:

— Shen Xiaoxing, cuidado com a retaguarda!

Alguns motoqueiros eram muito espertos; como não conseguiam vencê-lo de frente, apelaram para um ataque surpresa. Mas a musculatura de Shen Xiaoxing não era à toa; ele, ágil, aproveitou o momento certo e puxou para baixo, pelo pescoço, o homem que o atacava pelas costas!

Com um pé pisando no peito dele, quando os outros motoqueiros atacaram novamente, ele se esquivou com destreza e, esticando o braço, derrubou homem e moto juntos.

An Ruo ficou paralisada no lugar, de olhos arregalados, vendo o homem, sem nenhum esforço aparente, derrubar todos os mais de dez motoqueiros, que jaziam no chão gemendo de dor.

O homem respirava pesadamente. Embora fosse fácil lidar com alguns garotos, eles tinham motos, e o tempo de luta com eles estava desgastando seu corpo.

Ele levantou uma moto, montou com suas pernas longas, moveu o corpo para trás, deu um tapinha no banco da frente e disse para a garota atônita:

— Sobe.

An Ruo foi sem pensar. Ela e Shen Xiaoxing estavam apenas brigados; eram marido e mulher, não iam devorá-la. Mas aquele grupo realmente queria destruí-la, e aquele não era lugar para ficar.

An Ruo estendeu a mãozinha, e o homem segurou seu braço, puxando-a para sentar em seu colo. A forte aura masculina a envolveu, e seu coração se encheu de segurança.

Com medo de que ela sentisse frio, ele a envolveu com seu sobretudo antes de ligar a moto, prendendo-a firmemente em seu colo antes de ligar o motor com segurança.

O rugido da moto cortou o som do vento uivante. An Ruo, encostada nele, estava segura, protegida em seu território.

...

De volta à vila, o homem a carregou para fora do carro com um braço, entregou a moto aos empregados e, de mãos dadas com a garota, entrou na sala de estar.

Ao chegar na sala, ele soltou a mão dela e ordenou em tom grave:

— Vai para o quarto descansar cedo.

Ele não disse mais nada sobre o ocorrido.

An Ruo achou que ele fosse falar alguma coisa, que fosse ficar bravo por ela ter escapado no meio da noite. Mas a atitude do homem fez parecer que ela estava pensando demais.

Os lábios finos do homem estavam levemente comprimidos, e An Ruo não conseguia decifrar sua expressão naquele momento. Percebendo que ainda estavam de mal, ela correu para o andar de cima.

Eles não tinham mais nada em comum para conversar?

An Ruo sentou-se sozinha no sofá, suspirando. Naqueles dias, ela não sabia como se relacionar com o homem; os acontecimentos seguidos a sufocavam.

O estômago começou a doer de novo...

Ela suportou o desconforto, lavou-se e ficou sentada na cama, distraída, olhando para o nada.

Nesse momento, a porta foi batida. Ela hesitou e disse em tom baixo:

— Pode entrar.

O homem estava vestindo roupas caseiras limpas e frescas, segurando um copo de água na mão e, na palma da outra, dois comprimidos.

— Estômago incomodando? — Ele percebeu de imediato a teimosia dela em suportar a dor e estendeu os remédios: — Toma mais dois.

Não sei por quê, mas agora ela estava se sentindo um pouco mimada.

Mesmo durante a briga, ela estava tão decepcionada com ele que queria dar-lhe uma surra, mas... depois, ela queria que ele viesse consolá-la.

Ao vê-lo chegar, ela sentia uma rebeldia, uma vontade de fazer o contrário.

Shen Xiaoxing a acalmou com paciência:

— Obedece.

Ela não teve amor de pai e mãe, e ele queria mimá-la como uma menininha, para compensar os traumas da infância.

Por isso, às vezes, falava com ela como se estivesse falando com uma criança.

E essa criança, ultimamente, estava ficando rebelde!

An Ruo fez cara feia. Ele queria que ela tomasse o remédio, mas ela, teimosa como uma mula, se recusava.

Shen Xiaoxing sentou-se ao lado dela, mostrou-lhe a palma da mão com os comprimidos e disse baixinho:

— Quando se está doente, tem que tomar o remédio direito, senão vai me deixar preocupado.

— ...

— Ruo Ruo, por mais brava que você esteja comigo, não se prejudique. E se seu corpo pifar?

An Ruo olhou de relance para os comprimidos na palma da mão dele, mordeu o lábio, estendeu a mão, pegou-os e colocou na boca. O homem, vendo isso, imediatamente estendeu o copo de água, e ela bebeu alguns goles.

— Descansa cedo. — O homem passou a mão no topo da cabeça dela, inclinou-se e beijou sua testa, dizendo com voz suave: — Quando sua raiva passar, eu vou te compensar direito.

— ...

An Ruo ficou inexpressiva. E agora? De repente, ela pensou besteira.

Mas a expressão do homem era séria, não parecia estar falando daquilo.

Cof, cof, tomara que ela tenha pensado besteira.

O homem, um verdadeiro cavalheiro, levantou-se e instruiu que, se ela se sentisse mal durante a noite, ligasse para ele ou apertasse o botão de chamada ao lado para chamar os empregados.