A propriedade da família Zhou.
O motorista estacionou o carro suavemente e, com cavalheirismo, abriu a porta para ela.
An Ruo vestiu seu próprio casaco, desceu e acenou educadamente para o motorista de meia-idade com um sorriso leve: "Obrigada."
Ela ergueu a cabeça para observar a propriedade da família Zhou. Diferente do design da antiga residência da família Shen, eles preferiam um estilo europeu, e a área era menor que a da família Shen. Diziam que o velho Zhou, quando jovem, conquistou o mundo sozinho, com mãos implacáveis, garantindo à família Zhou um lugar entre as quatro famílias.
"Senhorita An, por favor."
A empregada, como se soubesse que ela viria, conduziu-a respeitosamente para dentro.
"Senhorita An, pode descansar um pouco na sala de estar. Nossa senhorita já está quase pronta." A empregada trouxe-lhe uma xícara de chá de flores recém-preparado.
An Ruo recebeu a xícara com ambas as mãos e respondeu educadamente: "Tudo bem, obrigada."
Ela deu um pequeno gole no chá de flores, um aroma muito intenso.
Diziam que o velho Zhou começou com o mercado imobiliário para fundar o Grupo Zhou, e depois, à medida que a empresa crescia, ocasionalmente se envolvia no negócio de chá. Devia ser um homem que gostava muito de chá.
An Ruo mantinha as mãos sobre os joelhos, uma postura muito contida, como uma aluna obediente que não ousava olhar ou se mexer.
A empregada oferecia frutas e chá de vez em quando, e ela mantinha a postura, agradecendo com um sorriso leve.
Vendo-a tão comportada e educada, a empregada parecia um tanto surpresa. Afinal, as amigas arrogantes e mimadas da senhorita, quando vinham, nunca agradeciam pelo serviço de servir chá e água, sempre mandando com superioridade.
Um som de buzina ecoou no pátio. An Ruo virou a cabeça para olhar. Um Maserati preto desligou o motor, a porta se abriu, e um homem alto e magro, de corpo esguio, curvou-se para sair.
Ele jogou as chaves do carro para o mordomo que veio cumprimentá-lo e, com passos largos, dirigiu-se à sala de estar.
Vendo alguém entrar, An Ruo imediatamente ajustou a postura, endireitando as costas.
Zhou Wang segurava o celular com uma mão, conversando com alguém, um leve sorriso nos lábios, os olhos cheios de carinho que pareciam atravessar a tela para alcançar a outra pessoa.
Ele entrou na sala de estar com suas longas pernas, e, com o canto do olho, percebeu uma figura. Pensando que era Zhou Mingyue, toda arrumada, disse casualmente: "O velho ainda não voltou?"
An Ruo olhou para ele, atônita, e depois olhou ao redor. Confirmando que não havia mais ninguém ali além dela, apontou para si mesma, incerta.
"Está falando comigo?"
O homem, que ainda digitava, ouviu e hesitou. Ergueu o rosto bonito e selvagem, o sorriso ainda nos lábios, com um charme único e cativante.
Ao ver a garota desconhecida à sua frente, o sorriso desapareceu instantaneamente, e seu rosto ficou cheio de uma arrogância indomável.
O homem à sua frente transmitia uma sensação de força avassaladora. An Ruo notou uma cicatriz no final de sua sobrancelha, que lembrava um daqueles caras durões, de poucas palavras e muita ação!
Ele tossiu, com a voz um pouco forçada: "Desculpe, confundi você com outra pessoa."
A culpa era dele, por ter chegado com pressa e não saber que havia uma visita em casa.
An Ruo deu-lhe um sorriso característico, como que perdoando sua grosseria anterior.
"Onde está meu pai?" Zhou Wang sentou-se casualmente no sofá à sua frente.
Ele raramente voltava para casa. Seu quarto estava desocupado há mais de dez anos, então, mesmo com uma visita na sala, não tinha onde se sentar temporariamente.
O mordomo aproximou-se: "Houve um problema na empresa. Receio que o patrão volte tarde esta noite. O filho mais velho deve estar com fome. Vou mandar a cozinha preparar..."
"Não se preocupe." Zhou Wang franziu ligeiramente a testa: "Vou ficar um pouco e depois vou embora."
Nesse momento, Zhou Mingyue, toda arrumada, desceu as escadas.
"Zhou Wang?" Ela viu o homem que não deveria estar na sala de estar e franziu a testa: "Por que você voltou?"
Que visita rara!
Ele tinha voltado com frequência nos últimos dois anos.
Zhou Wang ergueu uma sobrancelha: "Esta também é minha casa. Preciso te dar satisfação sobre quando volto?"
Ouvindo aquele tom arrogante e indomável, o bom humor de Zhou Mingyue foi completamente destruído. Ela conteve a raiva para não brigar com ele na frente de uma estranha.
"Papai não voltou, e eu também vou sair. Se o grande senhor Zhou Wang não tem mais nada a fazer, pode voltar logo para Ninghai. Aqui ninguém vai te receber."
Zhou Wang franziu as sobrancelhas grossas, com uma expressão irritada, encarando-a: "Tente falar comigo nesse tom de novo para ver?"
Zhou Mingyue tinha medo dele quando criança. Aquele canalha, aproveitando que era mais velho, já tinha batido nela várias vezes. Agora que cresceu, com Zhou Haikong para apoiá-la, não tinha medo daquele vagabundo!
"Aqui em casa quem manda sou eu. Se eu não quiser que você fique, você tem que vazar!"
An Ruo colocou cuidadosamente a xícara de chá. Então eles eram irmãos.
Mas o diálogo entre os dois era agressivo, claramente com uma relação ruim.
Zhou Wang olhou para Zhou Mingyue, que estava toda orgulhosa, e levantou-se de repente, com o rosto sombrio, aproximando-se dela passo a passo.
Vendo sua expressão mudar, Zhou Mingyue ficou tensa. Será que aquele canalha ia bater nela?
Nessa hora, Zhou Haikong não estava lá para apoiá-la!
Aquele desgraçado era selvagem por natureza. Quando se irritava, não importava quem estivesse na frente, nem quem era a pessoa, batia sem piscar.
Diziam que aquele cara, quando se enfurecia, até batia em professores. Desde pequeno, tinha mais brigas do que aulas. Era um adolescente problemático, cheio de más recordações!
Vendo isso, a empregada imediatamente soou o alarme, com medo de que os irmãos brigassem. Sem Zhou Haikong por perto, seria difícil contê-los.
Claro, mesmo com Zhou Haikong presente, se Zhou Wang quisesse bater em alguém, batia. Talvez até batesse no próprio pai!
Zhou Mingyue esticou o pescoço, arregalou os olhos e, como se não tivesse medo da morte, disse: "O quê, o quê? Vai me bater? Ótimo, quero ver, depois de tantos anos, sua força aumentou o suficiente para me matar com um tapa?"
Zhou Wang, que ainda não tinha chegado perto dela, ouviu e hesitou. Como se de repente se lembrasse da diferença de idade entre eles, brigar com uma pirralha parecia imaturo.
Ele ajustou a gravata, olhou para ela com raiva: "Sem respeito. Dessa vez, vou deixar passar por causa da sua cunhada."
Jiang Li não gostava que ele perdesse a paciência, não gostava que ele gritasse com a própria família.
Zhou Mingyue revirou os olhos: "Um canalha como você ainda tem alguém que te quer!"
Antes que Zhou Wang pudesse reagir, Zhou Mingyue puxou An Ruo, que estava atônita, e saiu da sala, ordenando ao motorista que partisse.
...
Bar MEI.
Localizado no centro mais luxuoso de Shenwai, na orla de Shen, uma fileira de carros de luxo e marcas famosas estacionados. Nas ruas, alguns jovens e moças, vestidos de forma extravagante, estavam em grupos.
An Ruo foi puxada para fora do carro por Zhou Mingyue. Ela balançou a cabeça, recusando: "Nunca vim aqui..."
"É justamente por isso que você precisa entrar e se divertir. Hoje é meu aniversário, você tem que ficar comigo a noite toda. Vamos!"
"Mas eu..."
"Sem 'mas'. Todas as despesas são por minha conta. Você só precisa me acompanhar."
An Ruo balançou a cabeça novamente: "Se eu voltar tarde, meu marido vai ficar bravo."
"Você, como mulher moderna do século XXI, tem medo do marido? Isso é vergonhoso! Eu vou passar vergonha junto com você!" Zhou Mingyue, sem dar chance, agarrou seu pulso e, com determinação, a puxou para dentro do bar. Enquanto andava, dizia: "Aqui dentro tem um monte de caras bonitos. Qualquer um que você puxar é filho de família rica. Comporte-se bem, conquiste alguns e se livre daquele seu marido, um funcionário medíocre cheio de frescuras."
An Ruo tentou se soltar, mas a outra já a tinha puxado para dentro.
No bar, uma música eletrônica ensurdecedora tocava. No palco, homens e mulheres com roupas provocantes dançavam sensualmente, esquecidos de si mesmos, o ambiente inteiro cheio de hormônios...
An Ruo baixou a cabeça, sem coragem de olhar.
Assim que Zhou Mingyue entrou, um funcionário veio respeitosamente guiá-la. Ela segurou firmemente o pulso de An Ruo, não permitindo que ela fugisse.