Capítulo 185: Capítulo 185: Não se fala em amizade nobre com você

Quando se casou com a família Shen, ele mandou Han Chong investigar a origem daquela garota. Estranhamente, todas as informações anteriores à sua entrada no orfanato foram cortadas.

Ela entrou no orfanato aos doze anos, antes disso teve dois anos vivendo nas ruas. Indo mais para trás, as informações não poderiam ser impossíveis de encontrar.

A menos que sua identidade não fosse comum, e alguém tivesse deliberadamente apagado seu passado anterior.

Vendo que ele demorava a falar, An Ruo começou a ficar nervosa: "Você... você se importa com o meu passado?"

Shen Xiaoxing hesitou por um instante, depois percebeu que ela era sensível em relação a ser órfã. Com um olhar suave, ele acariciou a cabeça dela: "Bobinha, eu te faço sentir tão insegura assim?"

An Ruo mordeu levemente o lábio. Não era que ele não desse segurança suficiente, mas por causa dela mesma. Sua experiência desde pequena a tornara insegura.

Antes, ela não se sentia inferior a ninguém, mas desde que se apaixonara por Shen Xiaoxing, a posição e o status dele eram tão brilhantes que a faziam perder cada vez mais a confiança.

"Você se casou comigo, um homem com as pernas deficientes. Eu só tenho a agradecer, jamais ousaria te desprezar." Ele afagou carinhosamente seu narizinho: "Tenha confiança. Neste casamento, quem deveria se sentir honrado sou eu."

Isso era verdade. Ela era órfã, pelo menos com um histórico limpo.

E ele? Sua mãe era uma garçonete de baixo nível, e ele próprio era um filho bastardo, fruto de uma noite de loucura, odiado por todos.

Ao amá-la, ele percebeu o quanto um histórico limpo era importante para alguém.

Talvez, ao amar alguém, a maior hesitação seja a insegurança. Quanto mais excelente a outra pessoa, mais inseguro você se sente.

An Ruo sabia que ele estava tentando consolá-la. Afinal, ele era o filho mais velho da família Shen, respeitado por todos, diferente dela, que era ridicularizada onde quer que fosse, escondendo seu brilho deslumbrante apenas para viver mais facilmente.

"Pronto, não pense demais." O homem a puxou para um abraço, apoiando o queixo no topo da cabeça dela. Sua voz magnética, grave e rouca: "Você só precisa saber que eu te amo, mais do que qualquer passado ou origem ilusória. Isso é suficiente."

As batidas fortes do coração dele lhe deram toda a segurança que ela precisava.

"Eu amo você, essa pessoa. Ninguém mais serve."

An Ruo sorriu, os lábios se curvando. Seus olhos bonitos brilhavam como água, o nariz um pouco ardendo. Ela ergueu a cabeça para olhar aquele homem bonito.

Ela riu baixinho: "Mulher não pode dizer 'não', homem não pode dizer 'não consigo'."

Era uma lógica distorcida que ele lhe ensinara.

"Se eu consigo ou não, você quer tentar de novo?"

Se ele não conseguisse, de onde viria o filho que ela carregava?

An Ruo sorriu com os olhos semicerrados: "Consegue, senão como se chamaria Shen Xiaoxing?"

Aquele sorriso brincalhão dela atingiu o coração do homem. Seus lábios finos se curvaram levemente: "Parece que minha mãe não errou no nome."

An Ruo ficou pensativa: "Esse nome tem algum significado especial?"

Ao mencionar o passado, o rosto de Shen Xiaoxing hesitou por um instante, mas sem grande reação. Já que ele havia compartilhado o passado com ela, não havia necessidade de esconder.

"Ela esperava que eu herdasse a coragem do caractere 'Xiao' e seguisse em frente."

Pela explicação do nome, sua futura sogra certamente não era a garçonete que Shen Xiaoxing descrevia. An Ruo pensou que ela devia ser uma mulher educada, culta e com conhecimento.

Senão, não teria dado um nome tão bonito e com um significado tão belo.

"Ela deve te amar muito."

Shen Xiaoxing esboçou um sorriso no canto da boca: "Provavelmente."

Embora tivesse contado a ela sobre a mãe de forma simples, ele nunca queria revirar aquele passado.

An Ruo sabia que ele estava sentindo falta da mãe e parou imediatamente: "Ouvi seus amigos te chamarem de A Xing. Posso te chamar assim também?"

Ele sorriu maliciosamente: "Se você me chamar de marido, ficarei mais feliz."

An Ruo sentiu um leve rubor nas bochechas. Ele estava começando a ser inconveniente de novo.

"Eu não posso ficar te chamando assim na frente dos outros, posso?"

"Somos protegidos por lei, por que não pode?"

"Mas..." An Ruo mordeu o lábio: "Quando tem muita gente, fico com vergonha."

"Senhora Shen, ter uma pele tão fina não é bom." O homem inclinou a cabeça e beijou sua bochecha, sorrindo maliciosamente: "Ainda nem provoquei direito, e você já ficou vermelha."

"..." An Ruo não aguentava provocações. Quem imaginaria que a deusa tão fria e indiferente aos olhos dos outros, quando aninhada nos braços do homem, pudesse ser tão charmosa e adorável?

Um beijo, uma provocação, e ela ficava vermelha, sem conseguir falar.

"O que você comeu para crescer assim, por que gosta tanto de se envergonhar? Hã?" Ele beijou o lóbulo da orelha dela, fazendo a garota tremer de sensibilidade.

"Para com isso..." An Ruo encolheu os ombros para se esquivar, não suportava aquela carícia dele no ouvido. Era provocante demais, ela não conseguia resistir!

Ela puxou o cobertor e se enfiou debaixo: "Vou dormir."

"Dormir o quê? Ainda é tão cedo. Vem conversar com seu marido?"

A garota, com a cabeça abafada no cobertor, disse com voz suave: "Não."

Shen Xiaoxing riu baixinho e deu um tapinha leve no bumbum dela: "Acabei de dizer que mulher não pode dizer 'não', já esqueceu?"

An Ruo puxou o cobertor com as mãozinhas, seus olhos grandes e límpidos o encararam, e ela fez bico: "Você é um velho sem decência!"

Ela o chamou de velho!?

Shen Xiaoxing ergueu uma sobrancelha: "Garotinha, está procurando uma surra, não é?"

"Estou grávida do seu filho. Se bater e machucar, não me culpe."

"..." Estava ameaçando ele?

Que belo jeito de usar o refém para comandar o soberano.

"Quem manda você viver fazendo piadas obscenas?"

Ele franziu levemente as sobrancelhas, com uma expressão muito sofrida: "Senhora Shen, está me acusando injustamente. Eu, um jovem tão íntegro e amigável, como diria palavras tão indecentes?"

An Ruo imitou o jeito dele e disse com toda seriedade: "Pelo olhar do senhor, não vejo nada de inocente. O que está escondido aí dentro é só posse e pilhagem."

"Eu te amo, não vou tratar você com amizade superficial." Ele se inclinou e beijou a testa dela.

...

Desta vez, o homem estava decidido a acertar as contas com Shen Tingfeng, aproveitando a oportunidade para dar um aviso a Shen Yu. Ele já não era mais o Shen Xiaoxing de três anos, que se deixava manipular.

Tang Beiqiu tinha as provas cruciais. Alguns dos assassinos enviados por Shen Tingfeng estavam vivos. Com um pouco de pressão, confessaram tudo.

A polícia iniciou a investigação. O velho Shen, decepcionado com Shen Tingfeng, que havia sido conivente, disse com dureza que ele deveria refletir bem na prisão. Se isso vazasse, todo o conglomerado Shen entraria em pânico. Deixá-lo quieto lá dentro era esperar a calmaria.

Isso deixou Fang Yingxue, preocupada com o filho, desesperada. Ela não parava de pressionar o marido a implorar pela clemência do velho. Shen Yu, não aguentando mais as reclamações diárias dela, teve que ir de má vontade ao Pavilhão Lanting.

Assim que abriu a boca para pedir clemência por Shen Tingfeng, o velho, enquanto folheava uns documentos, de repente jogou um dossiê de capa dura que bateu forte aos pés de Shen Yu.

"Eu sempre pensei que essa sua cabeça ainda não tivesse se desenvolvido direito." O velho, com a voz firme, o encarou e disse severamente: "Não esperava que, depois de tantos anos, você não tivesse melhorado nada!"

Shen Yu baixou a cabeça, vendo os papéis espalhados no chão. Eram documentos sobre o fracasso da parceria na Nova Zelândia e as enormes falhas nos projetos pelos quais ele era responsável.

Naquele período, ele não tinha tempo para se preocupar com Shen Xiaoxing, pois estava lidando com essas falhas. Mas nunca imaginou que aquele bastardo tivesse tanta habilidade, não só fazendo Shen Tingfeng ir para a cadeia, mas também contando essas coisas ao velho.

"Nem consegue lidar com um mais novo. Acho que seu cérebro é só enfeite!" O velho, furioso, apertou a bengala e bateu forte no chão.

"Eu não entendo. Nascidos da mesma mãe, como a diferença é tão grande!" O velho riu com amargura: "Olhe para você. Em que você pode se comparar ao seu irmão mais velho?"

"..."

"Embora ele não esteja mais neste mundo, você nem sequer chega aos pés dele! O filho que ele gerou também. Acho que você nunca vai superá-lo na vida!"