Capítulo 162: Capítulo 162: Do que você está com vergonha

Ao vê-los voltar, An Chen, que estava sentado no peitoril da janela lendo, teve os olhos iluminados e imediatamente desceu correndo, animado.

O motorista abriu a porta do carro. An Ruo foi o primeiro a se curvar para sair. Han Chong ajudou o homem a sentar na cadeira de rodas, e ela o empurrou para dentro da sala de estar.

"Irmã! Cunhado!"

O rosto de An Chen se iluminou de alegria. "Finalmente voltaram!"

O empregado pegou o casaco que An Ruo entregou. Com o ar-condicionado ligado, o ambiente ficou quentinho instantaneamente.

"Ficou tão feliz em nos ver voltar?" An Ruo empurrou o homem até perto.

"Claro que sim." An Chen, empolgado demais, não se conteve e, abraçando o braço de An Ruo, sentou-se com ela no sofá.

"Irmã, você não faz ideia de como foi chato ficar sozinho na vila..."

O olhar profundo do homem se fixou no braço dele sempre enlaçado no de An Ruo. Ele franziu levemente a testa e, sem alarde, desviou o olhar para outro lugar.

"Vocês dois, irmãos, conversem. Tenho algo para fazer."

An Ruo estava ouvindo An Chen reclamar do tédio dos últimos dois dias. Ao ouvir isso, seus olhos se arregalaram um pouco, e ela sorriu: "Tudo bem. Daqui a pouco vou preparar um chá preto e levar para você."

O homem respondeu com um murmúrio baixo.

Han Chong o empurrou para o escritório no segundo andar.

"Não deixou os estudos de lado nestes dias, né?"

"Pode ficar tranquila, irmã. Quando não tenho nada para fazer, fico resolvendo exercícios. Se não acredita, pode ir ao escritório conferir."

An Ruo afagou a cabeça dele e riu baixinho: "Tá bom, confio em você."

Depois de passar um tempo com An Chen na sala, An Ruo preparou o chá preto e o misturou com leite — era uma nova forma de beber que ela havia inventado.

Ela pegou a bandeja e subiu para o segundo andar, parando diante do escritório e batendo na porta.

A voz grave do homem ecoou vagamente: "Entre."

An Ruo abriu a porta e viu o homem debruçado sobre a mesa de trabalho. Ela colocou a bandeja sobre a mesa, serviu uma xícara e a empurrou para perto da mão dele.

"Descanse um pouco, beba algo."

O homem parecia estar lidando com algo complicado, franzindo a testa. Seus dedos longos e bem definidos folheavam documentos, e ele nem percebeu que ela estava ao lado.

An Ruo o viu franzir a testa em pensamento e, sabendo que não podia ajudar, virou-se para sair discretamente.

"Senhora Shen."

A voz repentina do homem fez An Ruo parar bruscamente.

Ela se virou. "Algum problema?"

Shen Xiaoxing deu um tapinha na perna, indicando que ela se aproximasse: "Vem cá."

Ele estava tão absorto nos documentos que a negligenciou por um momento. Quando levantou a cabeça e viu a garota prestes a sair, quase a chamou imediatamente.

An Ruo se aproximou e foi puxada para sentar no colo dele.

"Você não tem trabalho para fazer?" Ela tentou se levantar do colo dele. "Vou acabar te atrapalhando aqui..."

A mão grande do homem se apoiou na barriga dela, o braço a envolvendo firmemente. Ele apoiou o queixo no ombro dela, e a voz baixa e magnética era envolvente.

"Finalmente tenho férias, não vai me deixar te abraçar um pouco mais?"

"Mas você está trabalhando..."

"Sem problema, não atrapalha." O homem a manteve no colo e continuou folheando os documentos, às vezes marcando algo com a caneta.

A garota ficou quietinha no colo dele, estendeu a mão para pegar a xícara e, silenciosamente, a levou até a boca do homem.

Shen Xiaoxing hesitou por um instante, depois cooperou e bebeu o chá preto da xícara, satisfeito, esboçando um sorriso. Aproveitando que a garota no colo estava distraída, deu-lhe um beijo roubado.

Era um privilégio raro.

An Ruo ficou paralisada, sentada imóvel no colo dele, o rosto corado, segurando a xícara, adorável.

Ela era introvertida, normalmente falava pouco. Ao ficar no colo do homem, sabendo que ele estava trabalhando, procurava não perturbá-lo ao máximo.

Shen Xiaoxing gostava da compreensão dela: quando ele trabalhava, ela ficava quietinha e educada; quando não havia nada, ela tomava a iniciativa de puxar assunto.

Resumindo, ele a amava cada vez mais.

Pensando nisso, o homem inclinou a cabeça e deu outro beijo no rosto dela.

An Ruo mordiscou o lábio: "Você... trabalhe direito."

"Eu não sou nenhum Liu Xiahui que fica imperturbável com uma mulher no colo." A mão do homem em sua barriga ficou quente, ele a apertou levemente e sorriu de forma provocante: "Senhora Shen, somos marido e mulher, por que tanta vergonha?"

"Eu..." An Ruo era conservadora por natureza e, com a timidez, ficava vermelha. Ela murmurou, franzindo os lábios: "Não estou com vergonha."

"Com o rosto tão vermelho assim, ainda diz que não está?"

Ao ouvir isso, a garota ficou ainda mais vermelha, baixou a cabeça e não ousou responder.

Shen Xiaoxing riu baixinho, passou o polegar de leve pela bochecha dela, num gesto ao mesmo tempo ambíguo e cheio de carinho.

"Mais um pouco?"

An Ruo serviu outra xícara de chá preto e a estendeu para ele.

Shen Xiaoxing apreciava aquele processo: ele trabalhava, ela ficava quietinha no colo, de vez em quando o alimentava obedientemente com um gole de água, e ele a provocava com um sorriso malicioso.

...

Shencheng, Cemitério.

Uma brisa suave passou, levando as folhas caídas sobre a lápide.

Uma mulher segurando um grande buquê de crisântemos o colocou diante da lápide. Tirou os óculos escuros, com os olhos levemente vermelhos, fitando intensamente as letras douradas gravadas...

"Pai, mãe, Xiao Yun... vim visitá-los." Ela girou a tampa da garrafa de bebida, derramou um pouco no chão, e depois tomou dois goles. O nariz ardia de tristeza, e ela tossiu, com lágrimas nos olhos.

"Nove anos..." Song Weiwei fechou os olhos com força, reprimindo a vontade de chorar. Sua voz estava embargada: "Desculpem, demorei tanto para vir vê-los."

"Sinto tanto a falta de vocês... Mãe, sinto tanto a sua falta, sinto falta de todos vocês... Esses anos tenho vivido tão cansada. Às vezes, queria ir com vocês, para que nossa família pudesse se reunir."

Ela ergueu a cabeça e tomou mais um gole, soltando um sopro quente. O nariz estava vermelho, não se sabia se era por causa do choro ou do frio. Ela fungou levemente: "Mas quando penso em vocês morrendo diante de mim, meu coração dói tanto... Quero me vingar por vocês. Vivo apenas para a vingança."

Song Weiwei se sentou no chão, apoiando o ombro na lápide, olhando para o céu cinzento ao longe. Lágrimas escorriam silenciosamente pelo canto dos olhos.

Ela queria tanto voltar a ser a Mu Yan despreocupada, que era amada e protegida, numa idade em que não precisava pensar em nada...

Mas, num piscar de olhos, tudo desapareceu. Todos os seus parentes morreram no incêndio, deixando-a sozinha, como uma alma penada, dormindo com dor todos os dias e acordando com dor.

Song Weiwei sorriu amargamente. Ninguém vivia pior do que ela.

Ela ergueu a garrafa e tomou mais dois goles, exalando decadência...

Os sapatos impecáveis do homem pisaram nas folhas caídas. Ela hesitou por um instante, virou lentamente o olhar e viu Gu Chao parado ali, vestindo um sobretudo de lã.

O rosto de Song Weiwei mudou instantaneamente. Recuperando-se rapidamente, ela se levantou, ajustou as emoções e virou-se para ele com um sorriso sedutor: "Oi, Sr. Gu, que coincidência! Também veio visitar os falecidos?"

Droga, por que esse homem tinha que vir ao cemitério no mesmo dia que ela?

Como ela ia explicar agora?

Gu Chao a olhou profundamente, segurando o buquê, e se aproximou. Para sua surpresa, viu os crisântemos que Song Weiwei havia comprado diante da lápide.

Suas pupilas se contraíram. Incrédulo, ele virou o rosto para olhá-la.

Song Weiwei respirou fundo, calmamente pegou o buquê de crisântemos da frente da lápide e riu sem jeito: "Desculpe, coloquei no lugar errado..."

Ela deu duas risadinhas secas e, sob o olhar desconfiado do homem, foi até o lado, ajoelhou-se e começou a chorar copiosamente: "Pai, sua filha veio visitá-lo..."

Gu Chao: "..."

Ela confundiu a lápide???

Song Weiwei, sob o olhar profundo do homem, chorava de partir o coração: "Você se foi assim, sem que eu pudesse cuidar de você."

"..."

Gu Chao se inclinou um pouco. Se ele não estava enganado, na lápide estava escrito: Amada Esposa...

E ela chamou de pai?