O rosto bonito do homem estava escuro como tinta, e sua voz era fria: "Você acha que assim eu consigo dormir bem?" O braço cor de trigo estava coberto de marcas de dentes de todos os tamanhos, a mais grave era a que ela tinha acabado de morder, com os dentes profundamente cravados. "Além de ter um sono ruim, ainda gosta de morder?" Shen Xiaoxing estava encontrando uma mulher tão excêntrica pela primeira vez. Em cinco dias de casamento, ele passou quatro noites sem dormir direito! Toda manhã, ao acordar, sentia como se uma montanha estivesse sobre ele. - An Ruo pediu vários dias de folga e, logo de manhã cedo, foi chamada pelo orientador para ir à escola. Ela estava no terceiro ano da faculdade e, por ter um desempenho excelente, a escola aprovou uma análise especial de seu relatório de estágio. "Se você enviar este artigo para análise, provavelmente amanhã sai o resultado. Prepare-se e já pode começar o estágio." O orientador perguntou: "Você tem alguma exigência sobre a empresa de estágio?" An Ruo pegou os documentos. "Nenhuma exigência." Contanto que pudesse começar a trabalhar e ganhar dinheiro o mais rápido possível, o ambiente de trabalho e o local não importavam. Ela precisava sustentar An Che com o próprio esforço. An Ruo saiu da sala, e Chen Keqiao de repente pulou na frente dela, assustando-a. "Andou com sorte no amor ultimamente, hein? Aparecendo do nada, sumiu por vários dias das aulas." Chen Keqiao andava de costas. "Diz aí, foi se divertir onde?" An Ruo esboçou um leve sorriso, mas ele nunca se formou completamente. "Minha avó acabou de falecer, onde eu iria me divertir?" Sabendo da importância que a avó An tinha para ela, Chen Keqiao parou de brincar e se aproximou para consolar: "Amiga, encara de boa. A avó An, lá no céu, com certeza quer que você seja feliz todos os dias, e não que fique com cara de preocupação. Temos que viver bem cada dia." An Ruo tinha uma personalidade reservada e poucos amigos, só Chen Keqiao era como um solzinho que ficava ao seu redor. "Tem um restaurante de hot pot famoso na zona sul, o negócio é ótimo. Vamos comer à noite?" Chen Keqiao enganchou o braço no dela e bateu no peito: "É por minha conta." "Desculpa, Xiao Qiao, hoje não dá. Preciso enviar o artigo para análise urgente." "Você está precisando de dinheiro ultimamente?" Chen Keqiao era sua melhor amiga e sabia que ela não tinha uma vida fácil na família An, já tendo ajudado muito. "Fala comigo, ué. Eu, essa nova-rica, só tenho dinheiro, não sirvo pra mais nada." "..." An Ruo riu. "Obrigada, Chefe Qiao, pela generosidade. Mas desta vez é diferente, preciso juntar dinheiro rápido." "É o Xiao Che que ficou doente de novo?" An Ruo não pretendia esconder dela. "É." "Por que não falou antes? Quanto precisa?" Chen Keqiao tirou a carteira, pegou um cartão e ia entregá-lo a ela. An Ruo rapidamente a impediu. "Não quero, você já me ajudou demais." "Em que momento é que você vai se importar com isso? Aceita logo." "De verdade, não precisa." An Ruo foi sincera. "O hospital ajudou a adiantar a cirurgia, o resto eu consigo sozinha." "É mesmo?" "Se eu precisar, peço a você." Chen Keqiao concordou com a cabeça. "Tá bom. Um dia desses vou ao hospital ver o Xiao Che. Você, enquanto cuida dele, também cuide da sua saúde. Se tiver algum problema, me liga." Desde pequena, ninguém queria brincar com ela, só Chen Keqiao não se importava com sua origem e ficava o dia inteiro ao seu lado, fazendo-a rir. A aparência de An Ruo era reconhecidamente bonita, mas essa beleza tinha um quê de agressividade. Principalmente porque ela não sorria muito, passando uma primeira impressão de ser muito fria, então as outras mulheres geralmente sentiam inveja e não gostavam muito dela. Mas quando ela sorria, as duas covinhas a deixavam doce e pura, uma mistura de sensual e inocente. Chen Keqiao adorava vê-la sorrir. Se ela sorrisse, não teria problema nenhum em ser um rei Zhou, perdido nos prazeres. Mil em ouro não compravam a alegria de uma beldade. - Hospital de Shencheng. O médico disse que An Che estava se recuperando bem. Depois da cirurgia, sua aparência melhorou muito, e ele já conseguia comer comidas leves. An Ruo fez especialmente o mingau que ele gostava, e carregava a marmita térmica. Antes mesmo de chegar ao quarto, viu um grupo de pacientes no corredor, todos esticando o pescoço para espiar dentro de um dos quartos. O quarto do Xiao Che? Com um mau pressentimento, An Ruo foi abrindo caminho entre os curiosos, pedindo licença apressadamente, e viu An Qing com dois seguranças tentando tirar à força An Che, que estava no leito. As frutas que ela tinha trazido estavam espalhadas por todo lado, o soro de An Che tinha sido arrancado, e os frascos de medicamento estilhaçados no chão. Uma bagunça completa... "Parem!" An Ruo avançou e empurrou com força o segurança que ia pegar An Che. "Irmã..." O menino, assustado, agarrou-se à roupa dela. Desde pequeno, era a irmã que o protegia. "O que estão esperando?" An Qing, de braços cruzados, falou impaciente: "Tirem logo esse moribundo daqui, para não ficar atrapalhando a vista." Os seguranças iam agarrá-lo, mas An Ruo colocou An Che atrás de si e, com força, afastou a mão estendida do segurança, encarando An Qing com ódio! "Aqui é um hospital, não a casa dos An. Com que direito você quer nos expulsar?!" "Com o direito de que este hospital é um investimento da família An. Não quero ver vocês aqui. Esse motivo é suficiente?" Que motivo absurdo. Eles só não suportavam vê-los bem. Desde que foi levada para a casa dos An pela avó An, An Qing sempre a provocava, pregando peças e maltratando-a, usando todos os meios possíveis. "O hospital é um lugar para salvar vidas. Mesmo sendo um investimento dos An, eu paguei as contas do tratamento!" An Qing deu uma risada fria. "Durante todos esses anos, fomos nós, os An, que sustentamos vocês, dois inúteis. De onde você tirou esse dinheiro?" Os cinquenta mil, ela tinha pedido a An Deyu para comprar artigos de luxo. An Ruo não recebeu um centavo, e agora dizia que tinha pago as contas do hospital. Será que...