Capítulo 156: Capítulo 156: Vou escolher um caro para a Sra. Shen

Shen Xingrou foi relutantemente enviada de volta ao Jardim Ming por Shen Xiaoxing antes do previsto. Fang Yingxue, que estava louca à sua procura, cutucou sua testa.

— Sua pestinha, ainda tem coragem de voltar? Nos deixou tão preocupados. Onde mais foi se divertir?

— Não fui a lugar nenhum, só fiquei um tempo na casa de um amigo.

— Que amigo? — Shen Yu fechou o jornal. Já tinha mandado perguntar a todas as moças de famílias nobres da idade dela, mas não encontrou vestígio dela.

— É... um amigo qualquer.

— Não pode mais sair de casa sem permissão. Uma moça da família Shen, se isso vazar, sua reputação não vale mais nada?

— Reputação é tão importante assim? — Shen Xingrou, irritada com as perguntas, resolveu falar logo: — Fiquei esses dias morando com o irmão mais velho.

Shen Yu franziu a testa: — Quer dizer que ficou esse tempo todo na casa de Shen Xiaoxing?

— Isso mesmo. Senão, onde mais em toda a cidade de Shencheng eu poderia me esconder de vocês?

Fang Yingxue sentou-se ao lado dela: — Você sabe que nosso ramo da família sempre foi contra ele. Ir abertamente procurá-lo, não tem medo de que ele te use como refém para nos ameaçar?

— O irmão mais velho nunca usaria desses truques baixos. Ele foi muito bom para mim, até me salvou quando eu era criança. — Shen Xingrou lembrou do que Shen Xiaoxing fez por ela nos últimos dias e do cuidado atencioso de An Ruo, e rangeu os dentes: — Ele nunca me tratou mal por causa do que vocês fizeram a ele.

— Pelo menos ele tem juízo. — Fang Yingxue bufou friamente. — Um bastardo qualquer, sabe que não pode competir com nosso ramo e ainda pensa em te usar para nos ameaçar? Que presunção!

Os lábios de Shen Xingrou tremeram, ela quis defender Shen Xiaoxing, mas ao olhar para os pais e o irmão mais velho, Shen Tingfeng, vendo aquelas três caras feias, sabia que tentar lutar contra eles seria como bater numa pedra com um ovo.

Ela se sentia grata por ter pensamento próprio e a capacidade de distinguir o bem do mal.

...

À noite, um criado veio avisar que todos da família Shen deveriam ir ao Pavilhão Lanting do patriarca para a ceia de Ano Novo.

Comparado à agitação festiva do lado de fora, a mansão antiga dos Shen estava fria e silenciosa, com apenas alguns pares de dísticos de Ano Novo na entrada, como mera formalidade. A ceia de Ano Novo não passava de uma obrigação.

Por coincidência, An Ruo empurrava a cadeira de rodas de Shen Xiaoxing quando, ao virar uma esquina, encontraram um criado empurrando Shen Tingfeng, também em cadeira de rodas...

Os dois irmãos, ambos na mesma situação, se encararam de repente, com uma estranha sensação de humor.

Sem o brilho de antes, Shen Tingfeng não fazia mais comentários sarcásticos ou provocações, e muito menos ousava assediar An Ruo na frente do homem.

Mas o olhar que lançou aos dois ainda era arrogante e feroz.

Quando ele se afastou, An Ruo bufou: — Mesmo na cadeira de rodas, ainda é tão arrogante.

O homem ergueu os lábios com um sorriso significativo e disse baixinho: — Viu? Logo ele não vai mais poder ser arrogante.

Durante toda a ceia, foi como sempre: o patriarca falava de vez em quando, e quem era perguntado respondia duas palavras; o resto ficava em silêncio.

O patriarca nunca conversava com os mais jovens sobre assuntos familiares à mesa, nem se envolvia nos assuntos da mansão antiga. Era um velho ambicioso, com toda a atenção voltada para o Grupo Shen.

An Ruo às vezes pensava: não é à toa que a briga interna nesta família é tão intensa. O patriarca, como chefe da família, não fazia absolutamente nada.

Mesmo que dissesse duas palavras para unir a família e construir juntos um império comercial melhor, já mostraria que, como pai e avô, tinha essa intenção.

Mas não.

A ceia, opressiva e longa, terminou. An Ruo não queria ficar nem mais um minuto e empurrou o homem de volta ao Jardim Jing.

Ela não podia enfrentar aquela família; o melhor era se esconder o mais rápido possível.

— Quer que eu te ajude a se lavar?

O homem baixou os olhos, como se estivesse pensando em algo.

An Ruo, vendo isso, não o interrompeu e foi ao closet revirar gavetas em busca de roupas para trocar.

Mas lá só havia ternos masculinos, nada mais.

Se soubesse que ia ficar mais dois dias, deveria ter trazido roupas íntimas.

An Ruo saiu: — Hum, não tem roupa extra no armário. Vou perguntar ao mordomo se dá para...

Antes que terminasse, o homem a interrompeu com voz grave: — Não precisa. Mesmo que pergunte, não vão resolver na hora.

Fazia tempo que ele não voltava ao Jardim Jing, e Lin Zhao já tinha mandado limpar todas as roupas íntimas, sem pensar que ele voltaria a morar ali.

— Então o que fazemos hoje à noite?

— Não tem mesmo nenhuma outra roupa?

An Ruo hesitou: — Tem as suas, mas eu...

— Vou ligar para Han Chong e pedir para ele trazer suas roupas da vila.

— Deixa pra lá. São só dois dias, não precisa incomodá-lo. — An Ruo remexeu nas roupas do homem e, depois de um tempo, disse: — Você se importa se eu usar suas roupas?

— ...

— Só para dormir. Vou escolher uma mais barata.

O homem a encarou por um tempo e de repente deu uma risada baixa: — Se a Sra. Shen quer usar, use. Não precisa fazer parecer que eu sou tão mesquinho.

Realmente não parecia mesquinho.

— Vamos, vou escolher uma cara para a Sra. Shen. — O homem deslizou a cadeira para o closet, escolheu com cuidado uma camisa de seda e sorriu: — Esta aqui. A Sra. Shen vai se sentir confortável.

— ... Só vou usar como pijama.

— Por acaso você quer sair assim? — Shen Xiaoxing apoiou o queixo com uma mão, estreitou os olhos amendoados e sorriu com malícia: — Não vou dar essa chance à Sra. Shen.

Esse homem era mesmo...

Estava provocando de propósito!

An Ruo, com o rosto corado de vergonha, cuidou dele enquanto ele se lavava, felizmente o homem não se deixou levar pela paixão e a agarrou na banheira.

Depois de cuidar dele, An Ruo pegou a camisa e voltou ao banheiro para um banho rápido. Ao secar o cabelo, descobriu que o secador estava velho e quebrado!

Ela teve que secar o cabelo comprido até ficar meio úmido e saiu do banheiro às pressas.

O homem estava no terraço ao ar livre, ao telefone. Não se sabe o que o outro lado disse, mas ele desligou com o rosto fechado.

Ao se virar, viu a garota com as pernas longas e finas à mostra, o cabelo meio seco e molhado caindo até a cintura, de costas para ele, secando o cabelo com uma toalha. Era uma visão tentadora...

Shen Xiaoxing deslizou a cadeira para dentro, pegou o controle remoto e fechou as cortinas, só então examinou a visão diante dele.

Ao ouvir o som da cadeira, ela se virou e viu os olhos negros e ardentes do homem fixos nela.

Ela hesitou: — Por que está me encarando?

O homem tinha ossos largos, e a camisa nele ficava folgada nela, fazendo-a parecer ainda mais pequena, com as pernas brancas e longas cobertas só até a coxa.

An Ruo também achou a camisa curta. Antes de sair do banheiro, puxou-a várias vezes, mas o comprimento era aquele, não tinha jeito.

— Sra. Shen, não esperava que usar minhas roupas fosse tão sexy. Agora menos ainda quero que você saia assim para os outros verem.

An Ruo corou e murmurou baixinho: — Eu não disse que ia sair...

— O que disse? — O homem virou o rosto, pedindo que repetisse.

— Nada.

O homem deslizou a cadeira até ela, puxou-a pela cintura fina e a colocou no colo, pegou a toalha de suas mãos e começou a secar suavemente seu cabelo, com a voz grave e rouca: — Por que não secou o cabelo?

— O secador do banheiro quebrou.

— Vou mandar trazer um novo. — O homem manobrou a cadeira até o interfone.

— Não precisa. — An Ruo segurou a mão dele a tempo e balançou a cabeça: — É tarde, muito trabalho. Vou secar assim mesmo.