Capítulo 146: Capítulo 146: O médico He de caráter péssimo

Última chance. An Ruo respirou fundo e se incentivou em silêncio; ela sempre foi competitiva em cada partida.

O dardo foi lançado. Com o grito de An Che, An Ruo não teve ânimo para olhar, virou-se envergonhada para sair. O homem ergueu os lábios finos e sorriu para ela: "Sra. Shen, não vai ver minha pontuação?"

"Irmã, ainda não acabou." An Che a consolou, mas não conseguiu conter o sorriso nos lábios.

Assim que eles terminaram de falar, o homem pegou um dardo azul e o jogou casualmente, acertando direto no centro do alvo.

"Irmã, cunhado venceu. Desta vez, no Ano Novo, a viagem vai ser decidida por ele, né?"

An Ruo franziu os lábios: "Vocês dois combinaram tudo e ainda perguntam minha opinião."

Em seguida, ela acrescentou: "Falta uma semana. Se for esquiar, preparem o equipamento, não vou ajudar vocês."

Apesar de falar assim, no dia seguinte, aproveitando que o homem não precisava ir ao trabalho no fim de semana, ela os levou ao shopping para fazer compras.

O casal bonito chamava atenção, mas o fato de o homem mais bonito estar em uma cadeira de rodas parecia um desperdício.

Eles já estavam acostumados com os olhares e comentários alheios; An Ruo e Shen Xiaoxing mostravam-se destemidos.

Compraram algumas frutas, luzes coloridas e gravuras de Ano Novo. Han Chong empurrava a cadeira de rodas, seguido por dois seguranças carregando as sacolas.

Ao passar por uma loja de roupas, viram na vitrine suéteres de casal com clima festivo, vermelhos, com desenhos de bois em estilo cartoon.

Para celebrar o Ano do Boi, claro que deviam usar o animal correspondente.

An Che, vendo que ela olhava fixamente para a vitrine, sorriu com os lábios franzidos: "Irmã, você não vai querer esse look de casal, vai?"

"É bonito, sim."

"Não acha um pouco cafona?"

O gosto estético de An Ruo foi criticado, e ela torceu a boca, sem vontade de falar.

"Acho bonito." O homem ao lado também notou o olhar dela e acenou para Han Chong entrar na loja e comprar.

Ele estendeu a mão e segurou a mãozinha da mulher: "Sra. Shen quer usar roupa de casal comigo?"

An Ruo provocou: "Eu ia usar com o Che..."

An Che instintivamente rebateu: "Eu não quero."

Ao dizer isso, viu a expressão descontente do homem e ficou ainda mais certo de que tinha feito bem em não aceitar na hora.

"Ele não quer." Shen Xiaoxing sorriu. "Eu quero, não acho feio."

"..."

Eles andaram mais um pouco pelo shopping.

Ao passar por uma loja de chá, na área de descanso estavam algumas garotas do ensino médio. Com as férias de inverno, o shopping estava cheio de jovens.

"Xingrou, você não vai mesmo voltar para casa?"

A garota, entediada, mexia a cobertura do copo e torceu a boca: "Que graça tem voltar para aquela casa?"

"Mas não é bom você morar com um homem estranho assim, né?"

Shen Xingrou apoiou o rosto com uma mão. Ultimamente, sentia que morar fora, mesmo ouvindo o velho He Su resmungar todos os dias, era melhor do que viver no meio das intrigas da mansão Shen.

O homem ergueu a mão de repente, e Han Chong parou a cadeira.

Shen Xiaoxing olhou para a garota de costas na entrada da loja de chá, com o rosto sério.

"Xingrou, tem um cara bonito te olhando aí atrás, mas é uma pena que seja deficiente."

Shen Xingrou virou o rosto ao ouvir e viu Shen Xiaoxing, sem saber quando, atrás dela, com o rosto bonito carrancudo a encarando.

An Ruo, que conversava com An Che, percebeu que o homem não a seguia e, ao virar, viu-os parados na entrada da loja de chá.

"Quer chá?" Ela se aproximou, brincando.

Shen Xingrou, vendo os dois ali, ficou ainda mais constrangida.

Baixou a cabeça e chamou baixinho: "Irmão mais velho, cunhada."

Foi então que An Ruo notou sua presença, surpresa.

Com muita gente, não era fácil conversar. Foram a um KFC, e An Ruo pediu um balde de frango, suficiente para todos.

O garçom serviu as bebidas. Shen Xingrou, sentada do outro lado, mexia os dedos nervosamente.

Depois de um longo silêncio, quando An Ruo ia perguntar o que ela fazia ali, o homem falou, sério: "Ouvi dizer que você fugiu de casa?"

Shen Xingrou assentiu obedientemente: "Hum."

"Por quê?"

A garota tomou um gole de Coca-Cola gelada: "Briguei com meu segundo irmão."

"Só por isso?" O homem, sem alarde, tirou a bebida gelada da frente dela.

No inverno, não era bom beber isso.

"Cansei de casa, saí para me divertir."

"Seu pai mandou gente te procurar por todo lado. Quando se divertir, volte para casa direito."

Shen Xingrou franziu os lábios: "Não quero voltar..."

Shen Xiaoxing não quis mais falar. No fundo, ela era filha de Shen Yu, do segundo ramo da família; se ela vivesse ou morresse lá fora, não era problema dele.

Só que, por considerá-la jovem e por ela o tratar como irmão de verdade na mansão Shen, ele não queria vê-la em perigo.

An Ruo olhou para o homem, depois para Shen Xingrou do outro lado. Franziu os lábios e, como cunhada, tomou a iniciativa: "Você, uma garota, não é segura lá fora. Melhor voltar cedo para casa, para não preocupar seus pais."

"Eles não se preocupam comigo." Shen Xingrou era teimosa e não queria que soubessem muito sobre sua vida. Mordeu o lábio: "Estou dividindo aluguel com alguém, não tem perigo."

O homem perguntou, sério: "Dividindo com quem?"

Shen Xingrou confessou: "He Su, o Dr. He."

Para evitar que ele investigasse e expusesse tudo ao segundo ramo, e ela fosse pega de volta.

An Ruo ficou surpresa: "Dr. He?"

O que era isso? Duas pessoas que não tinham nada a ver uma com a outra dividindo aluguel?

"Hum."

Ao saber que ela dividia aluguel com He Su, Shen Xiaoxing ficou mais tranquilo.

He Su, como médico que salva vidas, embora tivesse um caráter péssimo, era um homem íntegro. E ela era tão jovem e inexperiente que ele não teria más intenções.

"Volte logo."

Shen Xiaoxing disse isso de forma sucinta e mandou Han Chong pagar a conta. Eles iam continuar as compras.

Antes de ir, An Ruo aconselhou: "Se não conseguir comer tudo, embrulhe para levar ou jogue fora."

Embora fosse um desperdício, ela não queria perguntar na frente da garota o que ela não queria comer e mandar embrulhar...

An Che se aproximou do homem para discutir que tipo de equipamento de esqui comprar. Shen Xingrou, ouvindo de longe, levantou-se e correu atrás.

"Vocês vão esquiar no Ano Novo?"

An Ruo assumiu o papel de cunhada: "Sim, em casa sem nada para fazer, vamos viajar. Quer ir junto?"

"Claro!" Shen Xingrou aceitou na hora. Ela estava justamente pensando em como ficar na vila do irmão mais velho; com He Su, tinha que andar na linha, com medo de irritá-lo e ficar sem comer.

"..." An Ruo ficou sem palavras.

Não esperava que Shen Xingrou aceitasse tão rápido; ela só perguntou por educação, não podia recusar?

"Então... partimos amanhã. Deixe o endereço, amanhã o Han Chong vai te buscar."

Shen Xingrou deu a Han Chong o nome do bairro onde He Su morava.

Conversaram mais um pouco, e ela foi embora alegre com as amigas.

Quando ela se afastou, o homem ergueu a cabeça e a olhou, arqueando a sobrancelha: "Vai mesmo levá-la?"

An Ruo riu amargamente: "Vai junto."

Já que disse, como cunhada, não podia enganar uma criança, né?

"Você não estava preocupada com ela sozinha lá fora? Depois da viagem de Ano Novo, a gente a leva de volta para a mansão Shen."

"Só que, com esse temperamento dela, duvido que volte conosco de boa vontade."