O homem esboçou um leve sorriso nos lábios finos e assentiu: "A Sra. Shen tem razão." An Ruo ajudou-o a arrumar os documentos ao lado, com a voz suave: "Ainda falta um tempo para o jantar, vá com calma. Vou dar uma olhada no Xiao Che." "Está bem." Ao ver a mulher sair, o sorriso no rosto de Shen Xiaoxing foi se apagando lentamente. Ele voltou o olhar para os papéis em mãos. Agora enfrentava algo muito espinhoso: precisava pensar bem em como lidar com Shen Yu, que já estava se mexendo. "Xiao Che." An Ruo bateu na porta do quarto de An Che. Ao abri-la, viu que ele estava lendo um livro — a coleção completa de *Harry Potter* que Shen Xiaoxing lhe comprara. "Já resolveu os exercícios? Ainda está lendo livros extras." An Che ergueu o rosto com um sorriso radiante: "Decorei aquelas questões todas, só repetem os mesmos tipos de problema. Não tem graça nenhuma." "..." "É menos interessante que a história de *Harry Potter*." Embora An Che fosse frágil e doente, sempre tivera notas excelentes desde pequeno. Ela nunca precisara se preocupar com os estudos dele. "Mesmo assim, não pode relaxar. Depois do Ano Novo, você vai entrar na contagem regressiva apertada." An Ruo pegou o livro dele, com um tom severo: "Vai praticar mais a conversação. Quando a janta estiver pronta, mando alguém te chamar." Antes de sair, ela fez questão de avisar: "Não enrole." An Che sempre a obedecia. Já se levantou e foi para o escritório, abrindo um livro em inglês: "Já entendi, irmã chata." Ele mudara muito de personalidade, não era mais tão tímido e introvertido como antes. Embora ainda fosse um pouco reservado, pelo menos não ficava mais tão nervoso como quando chegara, e até já brincava com ela. O relacionamento dele com Shen Xiaoxing era bom. O homem não poupava esforços para, às escondidas dela, orientar An Che. Parecia que trazê-lo para a vila tinha sido a decisão certa. An Ruo voltou ao quarto, planejando mexer no celular para ver se a polêmica online já tinha se acalmado. De repente, uma ligação de número desconhecido apareceu. Ela hesitou por alguns segundos e atendeu: "Alô?" Do outro lado, houve um silêncio. Quando An Ruo já ia desligar, a voz finalmente soou, lenta: "O quê, já faz tanto tempo assim e você já me esqueceu?" Aquela voz irreverente... An Ruo sentiu um arrepio na espinha e segurou o telefone com mais força: "O que você quer comigo?" "Ha, você e aquele bastardo quase quebraram minha perna. O que você acha que eu quero?" "Você mereceu." An Ruo não queria perder tempo com ele. "Estou muito bem com ele. Se você ousar ter aqueles pensamentos sórdidos de novo, Shen Xiaoxing vai realmente arrancar sua perna fora." Ao ouvir isso, Shen Tingfeng, sentado na cadeira de rodas, olhou para a perna engessada, com um brilho cruel nos olhos. "Não fale tão cedo. Eu te dei uma chance e você não a aproveitou. A partir de hoje, não me culpe por ser impiedoso." "Nunca houve afeto entre nós. Use todas as suas cartas." "Vou fazer você subir na minha cama por vontade própria." Shen Tingfeng disse isso friamente e desligou, jogando o telefone no chão de raiva. An Ruo baixou a mão devagar. Ouviu dizer que, no dia seguinte ao acidente de Shen Tingfeng, Fang Yingxue foi ao Pavilhão Lanting se queixar ao velho mestre. Como Shen Xiaoxing tinha recuperado a visão e acabara de reassumir o Grupo Shen, o velho mestre naturalmente o protegia com afinco. Fang Yingxue não só não recebeu nenhum consolo, como foi repreendida severamente. Shen Tingfeng sofreu um grande prejuízo calado, e era natural que se sentisse mal. Ela entendia, mas se ele ousasse machucar Xiao Che ou as pessoas ao redor, Shen Xiaoxing poderia bater nele uma vez, e bateria de novo! ... Depois do jantar, An Ruo tomou um banho quente. Ao sair enxugando o cabelo meio seco, viu Han Chong também no quarto. Na mesinha da sala de estar, havia uma fileira de caixas de anéis abertas, com anéis de prata brilhantes, cada modelo diferente. O homem acenou para ela, com um sorriso leve, chamando-a. "Isso é..." An Ruo olhou surpresa para a fileira de anéis e se aproximou, atônita. Shen Xiaoxing segurou a mãozinha dela, acariciando-a por hábito, com a voz grave e magnética: "Todos foram feitos sob medida para o tamanho do seu dedo anelar. Tem muitos modelos, escolha um que goste e coloque." "Por que de repente você quer que eu escolha um anel?" An Ruo ficou confusa. Ter que escolher um anel entre tantos modelos a deixava tonta. "Eu queria te dar um pedido de casamento perfeito e inesquecível, mas você não quer que nosso casamento seja exposto. Então, pensei e decidi: vamos usar as alianças primeiro." O homem esticou o braço, puxou-a para sentar em seu colo, e apoiou o queixo levemente na nuca dela, soprando devagar: "Escolha um que você goste. Vamos colocar as alianças um no outro antes." An Ruo, sentindo cócegas, encolheu o pescoço e riu baixinho: "Por que de repente você quis colocar a aliança?" "Dizem que quando um homem coloca o anel na mulher, ele a prende para sempre ao lado dele." "Superstição." An Ruo sorriu. "Isso é um anel, não uma algema." "De qualquer forma, desde que te prenda ao meu lado, até acredito em superstição." O homem a apressou: "Vai, escolhe um." As caixas continham pares de anéis. Ele queria que ela escolhesse o que gostasse, e então os dois colocariam um no dedo anelar do outro. An Ruo olhou de um para o outro, achando todos iguais, mas ao mesmo tempo cada um com seu charme. "Esses são todos lindos. Você escolhe?" O homem deu um beijo no rosto dela e riu baixinho: "Já que a Sra. Shen não consegue escolher, que tal ficarmos com todos? Trocamos de anel todo dia, sem repetir, o que acha?" "... Isso não vai dar muito trabalho?" A família Shen era realmente extravagante. Aliança de casamento podia ser trocada todo dia. "Já que mandaram trazer, essas alianças desse tamanho são só para a Sra. Shen, não serão vendidas." An Ruo notou o logotipo na parte de baixo do anel e virou o rosto para olhá-lo: "Joias da nossa empresa?" "Usar não te dá mais status?" Na verdade, Shen Xiaoxing queria guardar esse ritual tão sagrado para o dia do casamento, colocando o anel nela diante do padre e de todos. Também pensou em mandar fazer um modelo exclusivo. Mas ele percebeu que essa menina era chamativa demais lá fora, e muitos não acreditavam que ela era casada — afinal, sem aliança e ainda na faculdade, quem acreditaria? Talvez fosse o ciúme falando mais alto. Ele decidiu que Han Chong mandasse buscar todas as alianças femininas do tamanho dela na joalheria da Blue Pearl. Essas serviriam por enquanto. Depois, quando tivesse tempo, ele mesmo faria uma exclusiva para ela, para que não ficasse tonta escolhendo. An Ruo comparou dois modelos e, no fim, escolheu um par mais simples e elegante: "Esse aqui. Tem um ar bem fresco." "Não é simples demais?" "Acho que está bom." O homem respeitou a decisão dela e roubou mais um beijo em seu rosto: "Está bem, vou seguir a Sra. Shen." Ele pegou o anel feminino, segurou a mão dela e, de repente, olhou para ela com um olhar profundo e apaixonado, a voz grave e magnética: "Srta. An, você aceita se casar com este homem?" An Ruo riu: "Já me casei com você..." "Só uma formalidade simples." Para que, no dia do casamento, ela não ficasse nervosa e paralisada. "Aceito." An Ruo admitiu seus sentimentos de forma aberta: "Aceito para sempre." O homem, satisfeito, colocou o anel nela e deu um beijo no canto de sua boca. Os dois se entreolharam, sorrindo, uma cena de dar inveja. Han Chong, ao lado, não sabia se ficava ou saía, e acabou desviando o olhar apressadamente. "Agora é sua vez de me perguntar." "Não vou perguntar."