Conhecendo-se há anos, Huo Jinyan só sabia que cada vez que Gu Chao chegava, era como se o Peregrino entrasse na Caverna da Aranha, sem nunca vê-lo acompanhado de uma mulher.
Com o tempo, ele ficou bastante interessado na vida privada de Gu Chao.
Ao ouvir isso, animou-se na hora: "Oh? Que amor verdadeiro é esse? Conta logo?"
Sheng Nanzhou ergueu dois dedos. "Esse é o preço."
"Vinte mil?"
"Puxa, como o grande jovem mestre Huo é pão-duro! Vinte mil por uma informação."
O rosto de Huo Jinyan escureceu de repente: "Isso é assalto!?"
"Quer ouvir ou não?"
Huo Jinyan sempre achou Gu Chao um enigma, morria de vontade de saber seus segredos. Vinte mil que seja, como se ele fosse alguém que se importasse com isso?
"Mando meu secretário te pagar depois. Fala logo."
"Falando nisso, tem que voltar muitos anos atrás..." Sheng Nanzhou brincava com o copo, a memória recuando devagar: "Eu e meu irmão éramos órfãos, até que numa noite de inverno fomos levados pela família Mu para servir como criados. Naquela época, a vida não era tão boa como agora; qualquer erro, e levávamos pancada e xingamento. Felizmente, a Srta. Mu cuidava bem de nós, sempre nos deixava sair com ela... Talvez tenha sido aí que meu irmão se apaixonou."
Huo Jinyan captou a palavra-chave: "Família Mu?" Franzindo levemente a testa, "Você quer dizer a família Mu que foi exterminada há nove anos?"
"Além dessa, há outra família nobre no mundo?"
Como se lembrasse do sorriso radiante de Mu Yan, os olhos de Sheng Nanzhou escureceram levemente.
Do outro lado, Gu Chao acabara de empurrar a mulher que se jogava nele quando ouviu vagamente as palavras "família Mu". Levantou-se de repente.
Sheng Nanzhou ia continuar, mas uma figura esguia se aproximou, projetando uma sombra imensa sobre ele. Ergueu a cabeça e viu Gu Chao, de cenho franzido, parado à sua frente.
"Irmão..."
"Vem comigo." Gu Chao pegou o casaco no sofá e disse friamente.
Sheng Nanzhou não ousou falar mais, largou o copo na mesa e saiu correndo atrás dele.
"Ei, ainda não terminei! Contar pela metade é de matar!" Huo Jinyan tomou um gole amargurado. "Joguei meus vinte mil fora!"
...
"Irmão..."
Sheng Nanzhou saiu atrás, quase correndo para alcançá-lo. "Por que tanta pressa? Acabei de chegar para um gole, nem me diverti direito!"
"Vai beber lá na sua casa." O homem seguiu em frente, o rosto sério.
"Eu falei algo errado?"
Senão, por que ele se levantou e foi embora do nada, sem aviso, sem explicação!
Gu Chao parou, e Sheng Nanzhou quase bateu nas costas dele.
"Não quero que ninguém saiba que fomos servos na família Mu."
"Por quê?" Sheng Nanzhou não entendia. "Já faz tantos anos..."
"Agora trabalhamos para o Sr. Shen. Eu sou presidente da Lanzhen, você é seu braço direito. Se o passado vier à tona, vai trazer problemas para ele."
"Acho que não é isso que te preocupa." Sheng Nanzhou respirou fundo. "Você ainda não superou a Srta., não é?"
Gu Chao o encarou fixamente.
"Você foge disso há anos. Ela morreu, morreu há nove anos—"
Antes que terminasse, Gu Chao lhe deu um soco, agarrou-o pela gola e disse friamente: "Ela não morreu. Nunca mais diga isso na minha frente!"
O canto da boca de Sheng Nanzhou se rasgou, um fio de sangue escorrendo: "Estou tentando te acordar!"
"..."
"Irmão, Mu Yan morreu, morreu naquele incêndio. Nove anos, os mortos não voltam. Quem não consegue largar essa obsessão é você!"
Os dois ficaram em silêncio por um tempo. Gu Chao o soltou devagar, recuou dois passos como um velho cansado e saiu da Lanyuan desolado.
Sheng Nanzhou, com os olhos levemente vermelhos, via Gu Chao reprimir sua verdadeira natureza ao longo dos anos, buscando Mu Yan enquanto se entorpecia com o trabalho.
Ele parecia viver uma vida brilhante, mas muitas vezes era como um morto-vivo. Essa obsessão irreal, ele a sustentou por nove anos...
Como irmão, Sheng Nanzhou não queria vê-lo assim.
...
Gu Chao estacionou o carro na beira da estrada, a cabeça cheia das palavras de Sheng Nanzhou. Irritado, afrouxou a gravata, saiu do carro, acendeu um cigarro e o colocou na boca.
Sheng Nanzhou tinha razão: quem não conseguia seguir em frente era ele.
Se nove anos atrás ele tivesse voltado um pouco mais cedo, Mu Yan não teria morrido. Ele teria dado tudo para salvá-la do incêndio.
Toda noite, quando a calada chegava, ele lembrava do rosto de Mu Yan e odiava profundamente sua própria impotência. O arrependimento e a culpa corroíam seu coração como vermes.
Esta noite seria mais uma sem dormir. Gu Chao decidiu ir ao supermercado comprar algumas garrafas de bebida. Sempre que pensava em Mu Yan, perdia o sono; só bêbado conseguia cochilar.
Ele não frequentava a loja de conveniência perto do condomínio, porque quando voltava, todas as lojas da rua já estavam fechadas.
Por causa da chuva fina que acabara de cair, a loja estava vazia. Ele foi até a prateleira de bebidas e pegou algumas garrafas.
Ao se virar, esbarrou em alguém, e a pessoa deixou cair o que segurava. Ele se desculpou instintivamente: "Desculpe, vou ajudar..."
Ao se abaixar para pegar, percebeu que era um absorvente íntimo, com uma embalagem rosa... Ficou sem graça na hora.
"Tudo bem, eu pego."
Song Weiwei se adiantou e pegou primeiro. Deixar um homem tocar naquilo era humilhante demais!
Gu Chao tossiu baixinho, levantou-se e olhou para ela. Song Weiwei ia cumprimentá-lo educadamente e sair, mas quando viu o rosto do homem, congelou!
Xiao Liuzi...
Ela estava de máscara, boné e óculos, tão disfarçada que nem os haters a reconheceriam, quanto mais Gu Chao.
Song Weiwei estava no período menstrual, e naquela hora Qiao Yu e o assistente não estavam por perto. Ela teve que descer para comprar absorventes, sem esperar encontrá-lo.
Gu Chao percebeu que ela o encarava e franziu levemente a testa: "Quer... que eu pague por isso?"
"Não precisa..." Song Weiwei, sem pensar, pegou os absorventes e foi ao caixa.
Sob os óculos, seus olhos escuros se encheram de lágrimas. Ela mordeu o lábio com força, forçando-se a não chorar naquele momento.
Uma voz familiar soou: "Põe na minha conta."
O homem entregou algumas garrafas de bebida, e o caixa juntou tudo na mesma conta.
Song Weiwei ainda estava atordoada com o reencontro, e quando se deu conta, o homem já tinha pago.
"Não estamos juntos..."
O caixa se confundiu: "Hã?"
"Desculpe pelo esbarrão. Essas coisas ficam por minha conta, como compensação."
Que compensação era essa?
Depois de dizer isso, Gu Chao passou pela garota como se nada fosse.
Song Weiwei instintivamente ia correr atrás, mas o caixa a chamou: "Moça, esqueceu suas coisas."
Ela se virou, pegou a sacola e saiu correndo, mas o homem já tinha ido embora de carro.
Song Weiwei ficou parada no vento frio, olhando para as luzes do carro que se afastavam, o olhar vazio por um longo tempo até se recompor.
Na mente, surgiu a imagem de um jovem segurando sua mão, correndo pelos campos...
"Xiao Liuzi, você vai ficar comigo para sempre?"
"Enquanto a Srta. precisar, não importa onde, Xiao Liuzi aparece na hora."
Nove anos inteiros. Ela o procurou por nove anos, e finalmente o encontrou hoje!