O silêncio do escritório era quebrado apenas pelo som de papéis sendo virados. O homem, de olhos escuros e profundos, recostava-se em sua poltrona dourada, segurando um documento que folheava com calma e lentidão.
Shen Xiaoxing abriu a caixa de charutos, sentindo a vontade de fumar, mas ao perceber onde estava, respirou fundo e a fechou novamente.
Han Chong bateu à porta, e o homem respondeu: "Entre."
"Jovem mestre, alguém tirou uma foto da motorista levando a senhora e a publicou online, inventando que uma universitária está sendo mantida por um magnata..." Han Chong abriu o iPad que segurava, encontrou a notícia mais recente e a empurrou para o homem ver. "Isso se espalhou como fogo. A escola, sob pressão, teve que suspender temporariamente a senhora. Muitos alunos a insultaram por causa disso, e ainda..."
O homem ergueu os olhos frios. "E ainda?"
"Ainda a agrediram fisicamente..."
Shen Xiaoxing semicerra os olhos escuros. Não é à toa que viu um curativo no rosto da garota e, ao perguntar, ela se recusou a contar. Então era por causa de uma briga.
"Descobriu quem a agrediu?"
"O nome é Xu Man. Ela vem de uma família rica; o pai administra uma fábrica com bons negócios nos últimos anos. Ela já competiu com a senhora pelo título de rainha do campus da Universidade A, mas é arrogante e insuportável, impopular entre os alunos, então o título sempre foi da senhora. Além disso..." Han Chong parou de falar, erguendo os olhos para o homem.
O homem não se interessava pela identidade ou origem da pessoa, mas a pausa deliberada de Han Chong o fez olhar com seus olhos profundos.
"Continue."
"Xu Man sempre admirou Zou Yikai. Depois que sua declaração foi rejeitada, ela desenvolveu um profundo rancor pela senhora..."
De novo esse Zou Yikai! Que sombra persistente!
Só de mencionar esse nome, Shen Xiaoxing se sentia desconfortável, um ciúme amargo no peito, desejando jogá-lo no espaço sideral para nunca mais vê-lo!
"Han Chong, você está cada vez menos confiável." O homem brincava com um isqueiro de tampa, a voz grave: "Ao investigar isso, você não pensou em defender sua senhora?"
Han Chong hesitou, então respondeu apressadamente: "A senhora tem uma amiga próxima, chamada Chen Keqiao. Na briga, ela espancou a agressora até deixá-la com o rosto inchado e sangrando."
Em comparação, a senhora só tinha um arranhão no rosto, enquanto a outra estava irreconhecível, nem a própria mãe a reconheceria.
"E quem criou a opinião pública?"
"Aqui." Han Chong tocou algumas vezes no iPad, e imediatamente apareceu o número de An Qing, junto com os registros de conversa em que ela contratou trolls pagos, cada transação claramente visível.
Shen Xiaoxing tinha uma expressão severa, seus olhos escuros apenas deslizaram sobre as informações, um brilho gélido se acumulando neles: "Primeiro, abafe isso."
Han Chong não entendeu: "Jovem mestre não vai puni-la em nome da senhora?"
O tempo era curto, e ele ainda não tinha tido a chance de punir a mulher pela senhora. Voltou para relatar ao jovem mestre, esperando que, sob sua fúria, ele a castigasse, mas em vez disso, ele só queria abafar a história.
Shen Xiaoxing lembrou-se de que a garota preferia afogar suas mágoas no álcool a desabafar com ele. Sentindo um leve desgosto, disse com voz grave: "Sem pressa."
Ele abafaria o caso primeiro, para evitar que se espalhasse novamente até a residência Shen. Quanto a punir An Qing, já que a garota gostava de guardar tudo para si, a menos que fosse absolutamente necessário, ele não interviria.
Quando ela aprendesse a se apoiar nele, a entender a honestidade entre marido e mulher, e a confiar nele como marido, então ele a ajudaria. Não havia pressa.
Ele não tinha pressa, mas Han Chong sim. Nunca tinha visto uma mulher tão nojenta, só sabia fazer jogadas sujas pelas costas. Não é à toa que o ramo secundário a ajudava; eram farinha do mesmo saco!
...
An Ru acordou e descobriu que a opinião pública havia sido abafada. Na era da internet, as coisas se espalham rápido, mas também são rapidamente cobertas. Quando algo novo acontece, a manchete de ontem é esquecida.
Ela correu para o computador para pesquisar sobre "universitária mantida por magnata", mas todos os sites que tentava acessar eram forçados a fechar. O caso parecia um sonho; nos novos posts, os internautas comentavam animadamente, mas ninguém mencionava o assunto.
Apenas o aviso de punição em seu celular lembrava que aquilo não tinha passado.
An Ru desligou o celular, olhou ao redor e viu que o homem não estava no quarto. A essa hora, ele já tinha ido para a empresa. Lembrou-se de que, na noite anterior, ele a abraçou e disse algo inesperado.
"Se você encontrar algo que não consegue resolver sozinha, lembre-se de que tem um marido em quem confiar. Posso não resolver seus problemas imediatamente, mas pelo menos tenho ombros para você se apoiar."
O homem estava insinuando que ela deveria confiar nele em momentos difíceis, mas An Ru não entendia o que ele queria dizer. Só achava que ele já vivia no fio da navalha na família Shen, como poderia protegê-la?
Além disso, ele era tão orgulhoso; fazê-lo ir de cadeira de rodas até a escola para esclarecer o caso do motorista, expondo suas cicatrizes a todos, certamente não iria querer.
An Ru não acreditava que, além dessa solução, não pudesse voltar ao campus. An Qing a tinha difamado, e ainda havia o sequestro anterior. Era hora de dar uma lição nela.
E agora, sem os estudos, tinha tempo de sobra para se vingar!
An Ru se arrumou, vestiu o moletom cinza que tinha tirado do armário na noite anterior, desceu para o café da manhã e, depois, colocou um boné preto e se preparou para sair.
Antes de ir, pensou um pouco e pegou o vestido que usara na última exposição de arte, que diziam valer uma fortuna!
Ela só o tinha usado uma vez, e até na lavagem a seco foi cuidadosa. Desta vez, finalmente seria útil.
...
Como filha de família rica, An Qing não decepcionava o título. Quando não tinha nada para fazer, adorava se infiltrar nos círculos sociais, convidando algumas amigas para um chá da tarde, fazer compras, ir ao salão de beleza e, à noite, uma balada.
An Ru esperou por horas nos lugares que An Qing frequentava, mas não a viu. Em vez disso, viu algumas das amigas que sempre a seguiam.
Ela abaixou a aba do boné e as seguiu até uma cafeteria de luxo. Por causa de sua aparência estranha, foi barrada na entrada.
"Senhorita, por favor, apresente seu cartão de membro."
An Ru ficou surpresa. Não era apenas uma cafeteria mais chique? Por que precisava de cartão de membro para entrar?
Ela mordeu o lábio. Ainda bem que tinha se preparado. Tirou o cartão preto que Shen Xiaoxing lhe dera. Não era um cartão de banco; ele só disse que, se quisesse entrar em restaurantes de luxo, teria acesso livre.
An Ru achou que era uma espécie de símbolo de status dos jovens ricos, mas nunca o usara. Pensando que precisaria seguir An Qing em lugares sofisticados, o trouxe para emergências.
E, de fato, foi útil.
Ao ver o cartão preto, o garçom ficou surpreso e imediatamente mudou de atitude: "Senhora, por favor, entre."
"..."
An Ru entrou na cafeteria e rapidamente localizou o grupo no mezanino. Ela manteve a cabeça baixa e sentou-se não muito longe delas.
Aquelas eram as seguidoras de An Qing, sem status em Shencheng, vaidosas e que adoravam bajular An Qing para obter vantagens.
Mas amizades interesseiras geralmente não são sinceras. Quando An Qing não estava por perto, elas não perdiam a chance de falar mal dela pelas costas. An Ru já tinha visto a hipocrisia delas na casa dos An.
"Ei, que vestido vocês vão usar no baile de hoje à noite?"
"Comprei um vestido novo recentemente, super legal. Vou mostrar a foto para vocês."