Olhando para ela, um pensamento passou por seus olhos.
— Vou começar a tirar a bala. Se doer, grite bem alto. — disse Chu Lingfeng, segurando o alicate, para Huo Luan.
— Tire logo! — Huo Luan apertava o lençol com as duas mãos, suportando toda a dor.
O alicate entrou, e a dor fez seu suor escorrer pela testa. Ele mordia o lábio inferior com força, sem soltar um som…
Levou cerca de vinte minutos para tratar o ferimento de Huo Luan.
Depois de enfaixar, Chu Lingfeng mandou que ele ficasse deitado assim para descansar, sem fazer muitos movimentos por enquanto.
Guardando as ferramentas, Chu Lingfeng e a empregada saíram, deixando apenas Nangong Yehen e Huo Luan no quarto.
— Patrão, a culpa é minha por não protegê-lo direito! — Huo Luan virou a cabeça, olhando para Nangong Yehen com culpa.
Nangong Yehen tinha o semblante sombrio. — Não diga isso!
— Patrão, aqueles assassinos…
— Cuide bem do ferimento! — Nangong Yehen deixou cair essas palavras friamente, levantou-se e saiu do quarto.
— Srta. Chu, eu admiro você de verdade. Você tem coragem de tirar balas. — a voz de uma empregada vinha da cozinha.
— Sou médica. — Chu Lingfeng riu, embora não trabalhasse em hospital, fazia o mesmo que um médico.
Os pacientes que ela atendia não eram comuns.
Ela só pegava casos raros e difíceis; senão, se todo resfriado, febre ou parto viessem para ela, não ficaria tão ocupada que não teria tempo para acompanhar Chu Junyu?
Doenças que o hospital podia tratar, ela absolutamente não atendia. Não por orgulho, mas porque outros médicos também precisam ganhar a vida.
— Por que você escolheu ser médica? Srta. Chu, ficar o dia todo diante de pacientes, não acha nojento? — perguntou a empregada.
— A gente se acostuma.
— Principalmente ver alguém ferido quase morrendo ou doente à beira da morte, acho assustador.
Chu Lingfeng deu uma risada leve. — Quem não trabalha nessa área acha medo, mas eu, desde que entrei nela, já me acostumei.
— Você acha que os médicos ganham dinheiro e por isso escolheu essa profissão? — a empregada perguntou curiosa.
— É um interesse. — Chu Lingfeng olhou para a empregada e sorriu.
Os avós e a mãe dela eram médicos, focados em medicina chinesa, enquanto ela estudava tanto medicina chinesa quanto ocidental.
A empregada balançou a cabeça, como se não entendesse. — Tantos interesses, por que escolher justamente ser médica? Ser cantora ou atriz seria muito melhor.
Chu Lingfeng, que estava lavando verduras, parou o movimento e de repente pensou em Mu Yu. Ser atriz é bom?
Mu Yu já estava quase esgotando sua juventude e energia, sem nenhuma fama, quanto mais ganhar dinheiro.
— Cada um tem seu caminho. — Chu Lingfeng levou as verduras lavadas para o fogão, pronta para começar a fritar.
Nangong Yehen ouviu isso, e seu olhar frio se aprofundou.
Cada um tem seu caminho, não é ruim.
Ele apareceu na porta da cozinha, vendo-a cortar carne magra, e perguntou com voz fria: — Chu Lingfeng, o que você está fazendo?
A empregada, ao ouvir sua voz, sentiu a espinha endurecer e ergueu a cabeça rapidamente para olhá-lo.
Ele vestia um casaco preto, com o peito forte exposto de forma selvagem.
O rosto fino e bonito, e o corpo robusto, eram o objeto de desejo de qualquer mulher.
A empregada, ao vê-lo assim, teve os olhos cada vez mais brilhantes, com um toque de fascínio.
— Preparando comida para você e para Huo Luan. — respondeu Chu Lingfeng.
— O patrão contratou empregada para ser enfeite? — Nangong Yehen franziu a testa, com o rosto sombrio.
Em outras palavras, o trabalho de cozinhar não era para ela fazer; ela só precisava aproveitar a vida como uma dona da casa.
A empregada, relutantemente, desviou o olhar daquele rosto bonito para Chu Lingfeng, sentindo verdadeira inveja dela por ter conquistado o favor do jovem mestre Nangong.
Quantas mulheres se matavam para estar ao lado dele, sem conseguir.