Chu Lingzhi abriu os olhos lentamente e, ao ver que quem estava enchendo o copo de água era Nangong Yehen, sentiu um leve susto. Franzindo a testa, olhou para ele com surpresa—estava com visão turva ou sonhando?
"Deixe-me ajudá-la a levantar", disse Nangong Yehen, aproximando-se com um sorriso.
Era realmente ele. O cheiro e o aroma dele estavam em sua volta; ela não estava sonhando. Com uma expressão indiferente, Chu Lingziz moveu o corpo para dentro, instintivamente evitando o braço que ele estendia.
"Consigo me levantar sozinha", disse ela, com um tom frio.
Ao ouvir isso, o rosto de Nangong Yehen escureceu ligeiramente, e a mão estendida ficou parada, num gesto constrangedor.
"Chu Lingzhi, você precisa agir assim?" O homem franziu as sobrancelhas, com a voz grave e irritada.
Acordar e já fazer cara feia para ele? Será que ela não sabia o quanto ele se preocupava e se angustiava por ela?
Um lampejo de tristeza e melancolia passou pelos olhos de Chu Lingzhi. "Desculpe..."
"Precisamos dessas três palavras entre nós? Não diga mais nada. Você não queria água?" Nangong Yehen ficou ali parado, estendendo o copo para ela.
Ele não a alimentaria; temia que ela recusasse. Ela certamente recusaria—não deixava nem que a ajudasse a levantar, quanto mais que a alimentasse.
Chu Lingzhi olhou para o meio copo d'água, sem se levantar por um bom tempo.
Nangong Yehen riu com sarcasmo. "Você não vai nem beber a água que eu servi, vai?"
Chu Lingzhi sentou-se, pegou o copo em silêncio e começou a beber. Estava com muita sede; em dois goles, terminou a água. Devolveu o copo a ele. "Obrigada."
Que tom distante. Nangong Yehen pegou o copo e o colocou com força sobre a mesa.
"Nosso filho já tem quase seis anos. Precisamos ser tão formais um com o outro? Não é normal o marido cuidar da esposa quando ela está doente?"
"Não sou sua esposa, e você não é meu marido. Senhor Nangong, por favor, tome cuidado com as palavras", disse Chu Lingzhi, franzindo a testa, visivelmente irritada.
Nangong Yehen conteve a frustração. "Está sentindo algum desconforto?"
Chu Lingzhi balançou a cabeça. "Não. Obrigada pela preocupação, Senhor Nangong."
Nangong Yehen ficou furioso. "Chu Lingzhi, você precisa falar comigo assim?"
Chu Lingzhi o encarou com frieza. "Como você quer que eu fale? Com um sorriso no rosto? Ou me curvando e bajulando?"
Nangong Yehen cerrou os punhos. "Você sabe o que quero dizer!"
"Sei o que você quer dizer, mas não consigo fazer isso."
"..."
"Senhor Nangong, foi seu pai que me deixou sem lar, que afastou meus entes queridos de mim. E agora você quer que eu sorria para você? Não acha que isso é egoísta e autoritário?"
"Sim! Foi meu pai que te deixou sem lar, foi meu pai que prejudicou sua família, mas não fui eu! Você disse que o filho paga pelos pecados do pai, então eu pagarei! Vou te dar um lar caloroso e feliz. O medo e a injustiça que você sofreu, vou compensar pelo resto da minha vida. Isso basta?" Nangong Yehen a olhou com uma seriedade profunda.
Tudo o que ele disse veio do coração. Por que seu pai fez aquilo na época, ele não sabia. Agora, ele queria compensá-la, nunca mais deixá-la sofrer. Isso não era suficiente?
"Não consigo superar essa barreira no meu coração..."
"Não vou te forçar a superá-la agora. Vou te dar tempo!"
"..."
"Mas, durante esse tempo que te dou, comporte-se direito. Não se apaixone por outro homem!"
Ao ouvir isso, Chu Lingzhi ficou irritada. O que ele queria dizer com "comporte-se direito"? Será que ela não estava se comportando bem? Ele achava que ela não estava?
"Saia daqui. Não quero ver você", disse Chu Lingzhi, franzindo a testa, com uma expressão de dor.