Assim que Chu Lingzhi ouviu aquela voz, seu corpo inteiro tremeu, especialmente a mão que segurava o telefone, como se tivesse levado um choque, tremendo tanto que o celular escorregou e caiu no chão. Por sorte, o chão era de grama, com uma camada de capim seco tão grossa que não se sabia a espessura. O celular caiu ali sem fazer barulho algum e, mais ainda, não quebrou. Ao redor, além do vento, só se ouvia a voz vinda do alto-falante do telefone — a voz dele. Mu Yu, vendo sua reação, ficou tensa: "Lingzhi, o celular está vazando eletricidade?" Chu Lingzhi olhou para ela, não respondeu, estendeu a mão, pegou o celular e o colocou de volta no ouvido. Ao fazer esses movimentos, sua expressão já havia se tornado calma e serena. Claro, ao mesmo tempo, seu coração doeu profundamente. Mas ela não demonstrou, e falou ao telefone com uma voz nem quente nem fria: "Voltar para onde?" Do outro lado da linha, Nangong Yehen franziu a testa, com a voz bastante irritada: "Volte para a Cidade T, você não está segura lá!" Chu Lingziz deu uma risadinha: "Como assim não estou segura? Encontrei Yin Hanxuan aqui." Nangong Yehen tinha um olhar sombrio e frio — era justamente por causa de Yin Hanxuan que ele achava que não era seguro! A Montanha Lizhu já foi vendida para outra pessoa, e estão planejando desenvolver uma área turística lá. O que Yin Hanxuan estava fazendo por lá? "Você vai voltar ou não?" Nangong Yehen perguntou com voz fria. "Vou." Chu Lingzhi respondeu com indiferença. A Cidade T, claro que ela voltaria. "Quando?" "No dia do seu casamento." Dito isso, desligou. "…" Nangong Yehen ficou ali, altivo, com um olhar profundo, afiado e gelado, fixado em Chu Junyu. Chu Junyu desceu do sofá, aproximou-se, pegou o telefone das mãos de Nangong Yehen: "Isso é meu equipamento de contato com o A-Guang e os outros, não o amasse." As veias nas costas da mão e na testa do homem saltavam, como se ele estivesse reprimindo a raiva. Chu Junyu examinou o celular e viu que não estava amassado. Ele ergueu a cabeça, piscou os olhos e olhou para Nangong Yehen com confusão: "Papai, do que você está com tanta raiva?" "Vou para a Vila Lizhu!" "Você não está ocupado preparando o casamento? Com tanta correria, tem tempo para ir à Vila Lizhu?" Chu Junyu disse com um tom melancólico. "…" "E o que adianta ir? Você vai cancelar o casamento com Di Ruiyingxue por causa da mamãe?" "…" Nangong Yehen ficou em silêncio, olhando para ele. Chu Junyu deu de ombros: "Já que não pode cancelar, por que ir provocar a mamãe? Você não entende por que a mamãe foi para a Vila Lizhu?" Se não estivesse com o coração partido demais, como ela escolheria ir para a Vila Lizhu? Aquele era o lugar onde ela viveu quando criança, e também um lugar cheio de memórias com Nangong Yehen. Havia tantos lugares para fazer uma boa viagem, e ela não escolheu nenhum, preferindo justamente a Vila Lizhu — não era por causa dele? "Deixe a mamãe ficar lá por alguns dias. Você quer que ela volte agora e veja vocês estampados por toda parte?" Hoje em dia, saindo na rua, onde não se fala do casamento deles? As notícias se repetem, a internet, a televisão — onde não há notícias sobre o casamento deles? Chu Junyu também não entendia: não é só um homem se casando com uma mulher? Por que precisa de uma cobertura tão exagerada? ***** Depois do jantar, Chu Lingzhi voltou para a casinha onde o avô costumava morar. Ela sentia muita saudade do avô e dos outros, e cada vez que pensava neles, seu coração ficava apertado. Chi… Ela empurrou a porta de madeira velha. O espaço dentro da casa era pequeno, e ao empurrar a porta, um cheiro de mofo misturado com um leve aroma de tabaco invadiu suas narinas. Chu Lingzhi parou o movimento de levantar a perna — aquele cheiro familiar de tabaco…