Quando Chu Lingzhi despertou lentamente, sentiu a cabeça pesada e as pálpebras muito densas. Essa sensação estranha lhe disse que havia sido envenenada por um incenso alucinógeno. Embora raramente tivesse contato com esse veneno, podendo-se dizer que era completamente desconhecido para ela, ela conhecia sua toxicidade: após ser envenenada, a pessoa cai em coma e, ao acordar, sente a cabeça pesada, as pálpebras densas e os membros sem força. Era exatamente essa a sensação que ela tinha agora, as pálpebras tão pesadas que não queria abrir os olhos. No entanto, sentia uma aura opressiva de assassinato ao seu redor, como se um par de olhos gélidos a observasse fixamente. Ela não teve escolha senão fazer um esforço para abrir os olhos. Estava deitada de lado, com o corpo virado exatamente para a porta do quarto. Ao abrir os olhos, a primeira coisa que viu foi aquela figura alta e familiar. De borrada a nítida, até reconhecer aquele rosto frio e belo, ela sentiu um sobressalto. "Nangong Yehen!" Ela esboçou um sorriso, prestes a se levantar da cama, mas, ao mover o corpo, de repente ficou paralisada, e o sorriso também se congelou. Nangong Yehen estava ali, como um demônio ou um deus, com o olhar gélido, exalando uma aura assassina, encarando-os sombriamente. Sob seu olhar frio e desesperado, Chu Lingzhi olhou ao redor, atordoada. Aquele era um quarto desconhecido, e atrás dela havia uma corrente de ar quente, que batia de vez em quando na pele delicada de sua nuca. Essa sensação era muito familiar para ela; depois de se aquecer com Nangong Yehen, ele gostava de abraçá-la por trás para dormir. Era a respiração de um homem... Mas aquele homem não era Nangong Yehen. Aquele homem ainda tinha um braço apoiado na cintura dela. Chu Lingzhi se esforçou para manter a calma e estendeu a mão para tocar seu próprio corpo. De repente, sua cabeça pareceu explodir, como se uma bomba tivesse detonado dentro dela, deixando seu rosto pálido e seus membros trêmulos. Ela estava nua, deitada nua com um homem na cama. Chu Lingzhi ergueu os olhos, as pálpebras e os lábios tremendo. Com toda a força que tinha, olhou para Nangong Yehen. O rosto de Nangong Yehen estava ainda mais pálido que o dela. Seus punhos estavam cerrados, e as unhas longas e afiadas já haviam perfurado sua própria pele. Mas ele não sentia dor; naquele momento, seu coração estava pesado e dolorido. Ele viu com seus próprios olhos sua mulher, nua, sendo abraçada por um homem também nu, deitada na cama. Os braços dela, expostos, estavam cobertos de hematomas, um espetáculo ofuscante. O homem atrás dela também despertou lentamente. Ao abrir os olhos confusos, viu uma pele branca e lisa, e se assustou, sentando-se de repente. Uma onda de frio o atingiu, e ele percebeu que estava sem roupa, com uma mulher ao lado. Luo Zifan ficou chocado com a cena. Rapidamente se deitou de volta e, ao ver que a mulher ao seu lado era Chu Lingzhi, ficou ainda mais surpreso! Seguindo o olhar de Chu Lingzhi, viu Nangong Yehen e ficou paralisado. Chu Lingzhi apertou firmemente as calças para proteger seu corpo. Do começo ao fim, Luo Zifan não viu o corpo dela. Ao acordar e descobrir uma mulher ao lado, ele quase perdeu a alma, sem saber que ainda a abraçava enquanto dormia. As calças foram todas puxadas por Chu Lingzhi, e ele rolou para se esconder debaixo da cama. Como isso pôde acontecer? Ele ficou sentado ali, sem conseguir se recompor por um longo tempo. Nangong Yehen não disse uma palavra, seus olhos gélidos transbordando uma profunda dor e desespero. "Ah..." Ele rugiu como um leão furioso, e seu punho cerrado bateu violentamente na parede ao lado.