Capítulo 520: Capítulo 520 Um Botão

Agora, voltou à vila Lizhu, queria dar uma olhada por aqui. Na época, não prestou atenção nem sentiu verdadeiramente o lugar. Agora que voltou, observando a casa com cuidado, pode imaginar as dificuldades que o avô enfrentou ao viver aqui. Os casebres ainda estão aqui, e a pequena cama de madeira também continua. Ela tocou em tudo aqui, como se ainda houvesse o cheiro do avô por perto. Depois de tocar a cama de madeira, passou a mão no cobertor fino e foi até a mesinha velha e surrada ao lado da cabeceira. Olhando para essa mesa, imaginou o avô sentado ali escrevendo o conteúdo daquele caderno, e os olhos de Chu Lingzhi se encheram de lágrimas. Ela passou a mão na superfície da mesa, que estava coberta de poeira... Abriu a única gaveta que ainda funcionava, e dentro havia um pano branco dobrado com muito cuidado. O pano branco estava amarelado, dava para ver que era um tecido de muitos anos atrás. Chu Lingzhi o pegou, tão bem embalado, será que tinha dinheiro dentro? Ela foi desdobrando o pano camada por camada, e o que estava tão bem guardado não era dinheiro, nem ouro, muito menos prata, mas sim um botão. Um botão muito chamativo. Chu Lingzhi o pegou e o examinou com atenção na palma da mão. O botão era muito especial, do tamanho do polegar de Nangong Yehen, com uma camada dourada por fora e uma pequena flor de ameixa incrustada no meio. O botão não valia dinheiro, mas o acabamento era muito refinado, e aquela flor de ameixa na superfície parecia simbolizar algo. Chu Lingzhi abaixou a cabeça e olhou para suas próprias roupas. Os botões do seu casaco eram prateados, lisos na superfície, sem nenhum outro enfeite. Ela olhou ao redor da casa; as roupas que o avô usava no dia a dia eram muito surradas, e mesmo que tivessem botões, não eram desse tipo. Esse tipo de botão seria mais adequado em uniformes de seguranças ou fardas militares reais. O avô sempre se vestiu de forma simples, não gostava de roupas formais como ternos, nem de roupas coloridas e chamativas. Um botão assim não combinava com nenhuma roupa que ele tivesse usado na vida. Ela sabia que, antigamente, quando o avô fazia consultas, algumas pessoas lhe davam presentes como agradecimento. Mas todas essas coisas foram destruídas naquele incêndio, até os preciosos livros de medicina do avô queimaram. Não era possível que sobrasse um botão. Esse botão, provavelmente, o avô só conseguiu depois do incêndio. Guardado tão bem num pano, como um tesouro na gaveta, parecia que esse botão era muito importante para ele. O avô não era colecionador; se algo não tivesse utilidade para ele, não o trataria com tanto carinho. O avô disse que, depois do incêndio, escapou por pouco, tratou dos próprios ferimentos na montanha e viveu dois anos no fundo do mato, como um rato. Depois, adotou o nome falso de Vovô Hu e desceu a montanha, vivendo aqui sem nunca mais sair. Ele disse que não ousava sair, com medo de que, no momento em que partisse, ela voltasse e não o encontrasse. Antes, ele passava o tempo sentado na entrada da vila, esperando que um dia ela voltasse. Ele nunca saiu, então como teria conseguido um botão tão peculiar? Será que? Chu Lingzhi se assustou com o próprio pensamento: será que esse botão foi encontrado pelo avô na cena do incêndio? Era do assassino? Chu Lingzhi olhou chocada para o botão na mão, e sua mente rapidamente processou muitas coisas. Antes, ela não ousava pensar em procurar o assassino. Ela tinha medo de que eles descobrissem que ela não tinha morrido e viessem atrás dela para matá-la também. Essa foi a instrução que o avô deu antes de empurrá-la pela janela: nunca deixe ninguém saber que você é neta de Chu Jinian!