"Ruobing, finalmente consegui falar com você. O que você tem feito nestes dois dias?"
Do outro lado da linha, a voz de Gong Liye trazia preocupação, mas também uma suavidade calorosa.
"O telefone quebrou, acabei de consertar." Ela mentiu, e essa mentira era muito tosca.
Gong Liye não desconfiou, nem fez mais perguntas.
"Estou na cidade T."
Ouyang Ruobing sorriu: "Onde você está agora?"
"Gulou."
"Espere por mim aí, vou agora."
Ouyang Ruobing não se despediu de Nangong Yehen nem de Chu Lingzhi, e saiu da Mansão Nangong.
*****
No Reino Wu, o clima no outono era apenas seco, não frio.
Nangong Yehen vestia uma camisa azul-clara e calças sociais pretas, com as pernas longas e retas cruzadas, sentado numa cadeira de vidro no pavilhão.
As mangas estavam arregaçadas, dando-lhe um ar muito másculo e selvagem.
Sentado à sua frente, Chu Junyu apoiava as mãos na mesa e piscava os olhos para ele.
"Papai, como você é tão bonito?" Os olhos de Chu Junyu brilhavam intensamente, como estrelas no céu.
Nangong Yehen segurava uma garrafa de vinho tinto, bebendo de vez em quando.
Seus lábios perfeitos se curvaram levemente, exibindo um sorriso suave e caloroso.
Até Huo Luan, que estava atrás dele, podia sentir seu humor alegre.
"Minha mãe me fez assim." Nangong Yehen tomou um gole de vinho, seus olhos profundos brilhando com uma luz mais encantadora que a lua no céu.
"Sua mãe sabe fazer bem." Chu Junyu riu, e então percebeu que tinha dito algo errado, e lambeu a língua: "Minha querida avó sabe fazer bem."
"Você também não é ruim." Nangong Yehen o elogiou, sua voz grave e profunda, como uma melodia celestial.
Chu Junyu fingiu timidez: "Isso porque minha mamãe também sabe fazer bem."
Nangong Yehen sorriu levemente: "É verdade, ela sabe fazer bem, me deu um filho tão inteligente."
Chu Junyu riu: "Por mais inteligente que seja uma criança, tudo é herança dos bons genes dos pais."
Nangong Yehen recostou-se, apoiando-se na coluna atrás dele.
Sua postura era preguiçosa e nobre, e ele sorriu para Chu Junyu: "Desde quando você ficou tão humilde?"
Chu Junyu sorriu radiante: "Mamãe diz que só estudando com humildade é que se pode progredir."
Ao pensar naquela mulher, o olhar de Nangong Yehen ficou ainda mais suave: "É verdade."
Ele ergueu o vinho na mão: "Quer um gole ou dois?"
Chu Junyu balançou a cabeça, com uma voz infantil e encantadora: "Mamãe diz que crianças que bebem álcool atrapalham o crescimento."
"Você ouve muito a mamãe."
"Claro que sim!" Chu Junyu ergueu o queixo, com um pequeno orgulho: "Mamãe é a melhor e mais linda mulher do mundo!"
"Se é a melhor e mais linda, por que deixaram que a sequestrassem?" Nangong Yehen olhou para seu rosto.
Havia luz no pavilhão, e dava para ver claramente a expressão do outro.
Chu Junyu fingiu não entender, com uma expressão confusa olhando para Nangong Yehen: "Papai, o que você quer dizer com isso?"
Embora não tivesse certeza absoluta, Nangong Yehen estava convicto de que o líder do Salão Ganbao era seus dois filhos.
"O homem de olhos roxos disse que foi ordem do líder do salão dele." Nangong Yehen disse, olhando para Chu Junyu.
Os olhos do homem, que traziam um sorriso suave, tinham uma força penetrante, fitando diretamente os olhos de Chu Junyu, como se quisesse ver através de seu coração.
O coração de Chu Junyu deu um pulo. Mo Qinguang contou a ele?
Rapidamente, Chu Junyu descartou essa possibilidade.
Ele confiava em Mo Qinguang; sem sua permissão, ele não revelaria nenhuma informação a ninguém.