Esse maldito homem! — Você não ousa nos desamarrar, tem medo de que a gente fuja? — Chu Lingzhi decidiu jogar o jogo psicológico com ele. O homem lançou um olhar afiado e frio pelo quarto, com uma expressão de completo desprezo. — Eu teria medo de vocês fugirem? — Se não tem medo, por que não nos desamarra? Todo mundo tem necessidades. Depois de comer, ainda preciso fazer xixi e cocô. Ouyang Ruobing: “…” Precisa ser tão direta assim? O homem torceu os lábios com desdém, que tremeram levemente, e olhou para Chu Lingzhi com uma expressão estranha. Chu Lingzhi franziu os lábios, tentando ao máximo se passar por uma mulher rude e sem educação. Ela olhou para a marmita e engoliu saliva. Nem sabia há quanto tempo estava presa ali, mas estava com tanta fome. O homem se aproximou e desamarrou as cordas que a prendiam. Corda grossa, muito grossa. Quando foi completamente solta, ela olhou para os próprios pulsos, vermelhos, inchados e doloridos, com várias marcas profundas de aperto. Sua barriga roncava alto, e no quarto pequeno, dava para ouvir claramente. O homem que estava desamarrando Ouyang Ruobing lançou outro olhar estranho para Chu Lingzhi. Chu Lingzhi queria deixar uma má impressão neles, e não se importou com o olhar do homem. Esfregando os pulsos doloridos, ela pegou a marmita e começou a comer. Hum, o macarrão de arroz estava bem temperado! Tinha verdura, broto de feijão, carne magra e ovo. E o sal e o óleo estavam no ponto, o cheiro era bom, muito bom! Chu Lingzhi estava com tanta fome que começou a comer de boca cheia. Não só o homem a olhava de forma estranha, como até Ouyang Ruobing a encarava boquiaberta. Ela estava com tanta fome assim? Ela tinha tanto apetite assim? As cordas de Ouyang Ruobing foram todas soltas, mas ela não comeu. O homem jogou as cordas no chão, saiu e ainda trancou a porta de ferro. — Por que você não come? — Chu Lingzhi levantou a cabeça entre uma garfada e outra para olhar para Ouyang Ruobing. Ouyang Ruobing não estava com vontade de comer, e os pulsos doíam. Ela era uma moça de família rica, sempre mimada, de pele fina e macia. Ficou amarrada por tanto tempo que onde a corda apertou estava vermelho, inchado e com marcas profundas. Qualquer movimento leve no pulso já doía. — Não estou com apetite — disse ela, com voz melancólica. Chu Lingzhi engoliu a comida na boca. — O sabor é bem bom, come. — Sem apetite, mesmo o que é gostoso fica sem graça. — Se você não comer, quando tiver chance de fugir, não vai conseguir. — … — Comida é o mais importante, por isso sempre dizem “até um prato de arroz é difícil de conseguir”. Agora que está na sua frente e você não come, não desperdice. — … Nessa hora, ela ainda tem disposição para dar lições? — Se não quiser, tudo bem, eu como. Se surgir uma chance de fugir, não vou te levar — disse Chu Lingzhi, mais animada que Ouyang Ruobing. Ela comeu de boca cheia e logo terminou todo o macarrão de arroz da marmita. Passou o braço de forma rude na boca para limpar o óleo, murmurando: — Se ao menos tivesse uma garrafa de água para beber. Sua exigência não era alta, só uma garrafa de água mineral já bastava. — Você ainda quer comer? Pega a minha porção também — disse Ouyang Ruobing. Chu Lingzhi balançou a cabeça: — Já estou satisfeita, se comer mais, vou ficar pesada e não vou conseguir correr depois. Ouyang Ruobing ficou surpresa: — Você tem certeza de que vai conseguir fugir daqui a pouco? Chu Lingzhi piscou: — Não tenho certeza. Ouyang Ruobing a olhou profundamente: — Lingzhi, o que te faz tão calma assim? Se não fosse ela estar ao seu lado naquele momento, Ouyang Ruobing achava que já estaria gritando ou chorando alto. Chu Lingzhi se levantou devagar, esticando os músculos.