Ao ver Yin Hanxuan sentado na margem lavando os pés, ela correu rapidamente até ele.
— Irmão, tão à vontade lavando os pés aqui?
— Coloca os teus pés também na água. — Yin Hanxuan ergueu a cabeça e olhou para ela.
— Ainda não me preparei para entrar na tenda e dormir.
— Tira os sapatos e as meias, lava os pés! — A voz era fria, o tom carregado de ordem.
Yin Zixuan só pôde obedecer. Sentou-se ao lado dele, tirou os sapatos e as meias e colocou os pés na água.
— Ficar assim de molho não é nada confortável, a água está muito fria. — resmungou Yin Zixuan.
— Não fale!
— ...
Nem deixar falar?
Yin Zixuan arregalou os olhos. Ainda queria perguntar quanto tempo teria que ficar de molho, pois estava com pressa para voltar e cozinhar a carne de gato selvagem.
Não podia desobedecer às ordens do irmão mais velho, nem deixar de ouvir o que ele dizia.
Ficar de molho, então. Pior que isso, hoje à noite não tomaria banho.
Que tédio, que graça tinha ficar com os pés mergulhados na água fria?
Felizmente o clima não estava frio, senão o frio subiria dos pés e ela pegaria um resfriado.
Yin Zixuan olhou para Yin Hanxuan, viu seus olhos frios varrendo a água em todas as direções.
Parecia uma águia afiada, à procura de sua presa...
Yin Zixuan estava muito confusa. Lavar os pés era lavar os pés, mas por que sentia que o irmão parecia estar de emboscada?
Cinco minutos se passaram, e Yin Zixuan já não aguentava mais ficar de molho.
Sentiu que a atenção de Yin Hanxuan não estava nela, então se levantou devagar, segurando os sapatos numa mão e o grande gato selvagem na outra, saindo na ponta dos pés.
— Pare!
Atrás, de repente, veio uma voz gelada.
— Irmão, se eu continuar de molho assim, da próxima vez que a menstruação vier, o fluxo vai aumentar. — Yin Zixuan se virou, com o rosto franzido de preocupação.
Yin Hanxuan franziu a testa, seus olhos frios escondendo um toque de carinho. Ela não tinha nada da imagem de uma princesa nobre.
— Sente-se!
— Sentar-me ao seu lado, tudo bem, mas não vou ficar de molho com você. Você é homem, pode ficar o tempo que quiser, eu sou moça...
— Não precisa mais ficar de molho!
— Hã... Está bem!
Os sapatos e o gato selvagem que ela segurava foram jogados no chão. Ela se aproximou, sentou-se perto de Yin Hanxuan e enlaçou o braço dele, esfregando o rosto na roupa dele. — Irmão é quem mais gosta de mim, quem mais se preocupa com a minha saúde. Vou ficar aqui com o irmão enquanto ele lava os pés. Mas, falando nisso, por que hoje você gosta tanto de lavar os pés?
Yin Zixuan ergueu a cabeça, olhando para Yin Hanxuan com perplexidade.
Yin Hanxuan mantinha o rosto bonito tenso, sem responder à pergunta dela.
Seu olhar ainda varria a água em todas as direções.
Mais cinco minutos se passaram, e nem uma cobra, nem um peixe sequer apareceu.
Yin Hanxuan ergueu os pés da água.
— O cheiro humano atrai cobras, você acredita? — Yin Hanxuan calçou os sapatos e as meias com calma.
— Irmão, seus pés ainda não estão secos. — Yin Zixuan o lembrou.
Yin Hanxuan não ligou, continuou calçando os sapatos e as meias do seu jeito.
Seus movimentos eram elegantes, exalando uma aura nobre.
Yin Zixuan o observou, pensando consigo: se ela fosse filha da mesma mãe que ele, será que seria tão bonita quanto?
Mas, no fundo, Yin Zixuan não se importava muito com a aparência.
De repente, lembrou-se de algo e olhou para Yin Hanxuan com surpresa. — Irmão, você não está tentando atrair as cobras para fora, está?
— Não consigo atraí-las. — Yin Hanxuan sorriu levemente, com um ar despreocupado.
— Você é o rei do país de Xun, mas não é um deus. — Yin Zixuan revirou os olhos, sem graça. Atrair cobras para fora com um par de pés?
Cobra não gosta de chulé, e além disso, eles não tinham chulé.
— Ela atraiu muitas cobras assim agora há pouco. — Yin Hanxuan olhou para a superfície da água com um olhar profundo.
— Ela? — Yin Zixuan estranhou. — Ela se refere à Lingzhi?