Chu Lingzhi, com os olhos carregados de rancor, encarou Nangong Yehen por um longo tempo antes de se virar e subir correndo as escadas. Aqueles poucos pedaços de papel inúteis foram como uma faca afiada que cortou seu coração. Durante esse tempo, Nangong Yehen se mostrou caloroso e respeitoso com o avô. No fundo, era só uma fachada. Para ele, o que importava era o interesse; o resto era lixo. Segurando o caderno de anotações, ela voltou ao quarto de Chu Junyu. Desde que o avô se instalou na mansão, para deixá-lo mais feliz, ela e Nangong Yehen fingiram ser marido e mulher e se mudaram para o quarto dele. Esta noite, ela não queria dormir ao lado dele. "Mamãe, você está me procurando?" Chu Junyu, deitado na cama, ouviu seus passos e se sentou rapidamente. Chu Lingzhi fechou a porta e se apoiou nela, sem forças. Chu Junyu, vendo-a assim, soube que Nangong Yehen não conseguiu alegrá-la. "O que o papai disse?" Chu Junyu apontou para o caderno em seus braços, perguntando. "Ele disse que é papel inútil..." "..." Chu Junyu segurou a testa, louco por dentro. Papai, como você pode fazer isso? Rasgá-lo já foi errado, e ainda chamar de papel inútil? Isso não é jogar sal na ferida da mamãe? "Mamãe, você vai se separar do papai esta noite?" Chu Junyu piscou seus olhos claros, olhando para Chu Lingzhi. Chu Lingzhi se aproximou e sentou-se pesadamente na cama, com uma expressão muito infeliz. Metade por causa das páginas perdidas, que a faziam sentir que decepcionou o avô, e metade por causa da atitude de Nangong Yehen. "Mamãe, não fique brava. O seu tesouro está aqui." Chu Junyu se arrastou e se aninhou nos braços dela. Sentindo o calor de Chu Junyu, o coração de Chu Lingzhi melhorou um pouco. Ela abraçou Chu Junyu e disse, melancólica: "É mesmo, o tesouro é o melhor." "Na verdade, o papai também não é ruim." Chu Junyu não se esqueceu de defender Nangong Yehen. "Não importa se eu estou certa ou errada, o tesouro nunca me xinga ou bate." Chu Lingzhi continuou, melancólica. Sua expressão era de mágoa e tristeza, como se realmente tivesse sido agredida ou xingada. Ao ouvir isso, Chu Junyu ergueu o rosto, olhando para ela surpreso: "Mamãe, o papai bateu ou xingou você?" "Não..." Chu Lingzhi respondeu distraidamente. "Que susto! O papai é um homem tão bom, como bateria em uma mulher?" Chu Lingzhi acariciou a cabeça de Chu Junyu, sua expressão como uma paleta de cores: primeiro tristeza e raiva, depois distração, e então reflexão profunda. Quando Nangong Yehen entrou na sala de estar e viu o caderno de anotações na mesa de centro, um brilho estranho passou por seus olhos. Se fosse molhado por chá, a reação normal de qualquer um seria pegar um lenço para secar ou sacudir a água. Quem pensaria em rasgá-lo e jogá-lo no lixo? Mesmo que rasgasse, não amassaria e jogaria no lixo; levaria para secar ao sol ou ao ar. Quanto mais Chu Lingzhi pensava, mais sentia que havia algo suspeito. Nangong Yehen, que normalmente não tinha tempo nem para ler contratos, teria tempo para ler a caligrafia tão ilegível do avô sobre farmacologia? De repente, Chu Lingzhi se levantou bruscamente, e Chu Junyu, que estava em seus braços, caiu no chão sem aviso. "Ai..." Ele caiu de barriga para baixo, como um sapo. Com seu pijama verde de desenho animado, ele parecia mesmo um sapo. Chu Lingzhi primeiro se assustou, mas ao ver suas perninhas se mexendo, numa pose cômica, não conseguiu evitar e soltou uma risada. "Mamãe, você quase me matou de cair." Chu Junyu se levantou, balançando a cabeça sem palavras. "Bateu em algum lugar?" Chu Lingzhi perguntou, olhando para ele preocupada.