O avô Hu, apoiado na bengala, vinha tateando em direção a eles, mancando.
Os aldeões ficaram surpresos. O que o avô Hu estava fazendo ali naquele momento?
Shua, shua...
Algumas armas foram apontadas para o avô Hu.
Ao ver aquela cena, os aldeões suaram frio por ele.
O líder dos homens de preto sorriu de forma sinistra. Aquele velho decrépito estava vindo para morrer?
"Yaya, onde você está? Pescar peixe demora tanto assim?"
A voz do avô Hu sempre carregava uma melancolia que partia o coração.
Ele vinha tateando como um cego, e os aldeões não entendiam por que ele chamava por Yaya e fingia ser cego.
Mas, ao ver os bandidos apontarem armas para ele, temendo que algo lhe acontecesse, Fu Chunyan foi a primeira a falar.
"Não machuquem o avô Hu, ele é só um velhinho idoso!"
"Vocês machucam até um pobre velhinho indefeso, acham que o céu está cego?"
Naquele instante, os aldeões se agitaram novamente. Já estavam indignados por ouvirem que Nangong Yehen e Chu Lingzhi haviam morrido na montanha.
Agora, vendo que apontavam armas para o avô Hu, alguns queriam despedaçar aqueles bandidos!
Se não fosse por eles estarem todos armados com metralhadoras, já teriam feito isso.
O homem de preto, ouvindo a agitação dos aldeões, franziu o olhar.
O velho que se aproximava dele era frágil, com problemas nas pernas, andava instável, parecendo que cairia a qualquer momento.
Seu rosto cheio de rugas e cicatrizes horríveis causava arrepios.
Com a bengala, cada passo era difícil.
O homem pensou que matar aquele velho seria mais fácil do que esmagar uma formiga.
E ele ainda era cego...
Se matasse aquele velho, certamente causaria a fúria do povo.
Se o chefe soubesse, ele seria severamente punido.
O avô Hu, tateando, chegou na frente do homem.
O olhar afiado do homem fixou-se diretamente nos olhos do avô Hu, como se procurasse alguma falha.
Os olhos do avô Hu eram turvos, sem brilho, sem foco.
Sua bengala batia ruidosamente à frente, "Yaya, o que está acontecendo?"
Quando ele estava prestes a descer da estrada para o campo, os aldeões, com medo de que caísse, gritaram para ele voltar ou ficar parado.
A bengala do avô Hu de repente bateu no sapato de couro do homem.
Ele virou o corpo, mudando de direção.
"Quem é você? Pegou muito peixe?" O avô Hu estendeu a mão para tocar o homem.
A mão que ele estendeu era horrível, e o homem ergueu a sobrancelha com desprezo.
Os aldeões, vendo aquilo, prenderam a respiração de tensão.
O que o avô Hu estava fazendo?
"Se não quer morrer, tire essa mão agora!" O homem disse friamente.
Ele era do tipo extremamente cauteloso, não gostava que estranhos se aproximassem.
A mão do avô Hu tremeu, e ele recolheu os dedos, formando um punho.
"De quem você é filho?" O avô Hu de repente sorriu com bondade: "O avô Hu vive na vila há tanto tempo, nunca ouvi sua voz."
Enquanto falava, sua mão se estendeu novamente em direção ao homem, e seu sorriso ficou ainda mais afável, "Você não precisa me dizer quem é, o avô Hu tem boa memória, consigo adivinhar quem você é só pelo toque."
O homem olhou friamente para a mão que se aproximava. Ele era muito alto, e o avô Hu era corcunda.
O avô Hu, que queria tocar o rosto do homem, só alcançou seu peito.
Quando a mão do avô Hu tocou nele, o olhar do homem ficou ainda mais gélido, sentindo repulsa.
Ele estendeu a mão para afastar a do avô Hu.
Mas, no momento em que ia levantar a mão que não segurava a arma, sentiu uma dor aguda no coração.
"Puta merda—"