Chu Lingzhi entregou a cobra a Huo Luan, enquanto revirava a bolsa de remédios em busca de agulhas finas, dizendo: "Não culpe o Huo Luan, fui eu que mandei ele procurar a cobra em direções separadas. Felizmente fizemos isso, e ele encontrou a cobra-de-cabeça-branca. Além disso, ele voltou bem a tempo de matar o javali que me atacou."
Chu Lingzhi ergueu a cabeça e olhou profundamente para Nangong Yehen: "Huo Luan fez um bom trabalho. Você deve elogiá-lo, não culpá-lo."
Nangong Yehen ergueu uma sobrancelha, com o rosto cheio de desagrado: "E se ele não tivesse voltado a tempo? Você já teria virado um banquete para aquela fera?"
Chu Lingzhi sorriu: "Neste mundo não existem tantos 'ses'. Agora, ela é que virou nosso banquete."
"Mamãe, o bebê está com o coração partido." Chu Junyu fez beicinho, com olhos lacrimejantes ao olhar para Chu Lingzhi.
Nangong Yichen também tinha uma expressão pesada, com o olhar fixo no ferimento no braço dela.
"Não fiquem com o coração partido, essa dor é fichinha para a mamãe." Chu Lingzhi riu, e então usou a agulha para retirar os espinhos da palma da mão.
Nangong Yehen estreitou os olhos profundos de forma perigosa. Ele se sentou, com um tom de voz muito ruim: "Deixa que eu ajudo!"
Já que ele se oferecia para ajudar, Chu Lingzhi obviamente aceitava de bom grado.
Ambas as mãos dela estavam cheias de espinhos, e retirá-los sozinha não era muito conveniente.
Só que...
"Você sabe fazer?" Chu Lingzhi arregalou os olhos, com um lampejo de surpresa.
Nangong Yehen a encarou: "Me subestimando?"
"Nada disso!" Chu Lingzhi apressou-se em dizer.
Não era que ela o subestimava, mas como o altivo Nangong Yehen poderia saber tirar espinhos de alguém?
Depois de entregar a agulha a ele, Chu Lingzhi se arrependeu. Será que ele não ia tirar os espinhos, mas sim machucá-la ainda mais?
Os fatos provaram que sua preocupação era desnecessária.
Nangong Yehen segurava a agulha com uma mão e a mão dela com a outra, inclinando a cabeça, com uma expressão concentrada e séria.
Quando a ponta da agulha penetrou, o movimento foi muito leve, muito cuidadoso, como se temesse machucá-la.
O espinho foi retirado e colocado no lenço de papel ao lado.
Mas ela não sentiu dor, absolutamente nenhuma dor.
Nangong Yehen retirava os espinhos com muito cuidado, sem deixar que ela sentisse a menor dor.
Em sua mão, vinha o calor transmitido pela palma dele. Chu Lingzhi o observava fixamente, sem piscar.
Ele, com a cabeça baixa e concentrado, era tão belo que tirava o fôlego.
O coração dela, assim como a temperatura de sua mão, se aqueceu.
Se, toda vez que se machucasse, ele pudesse ficar ao seu lado, preocupado com ela, sentindo sua dor, cuidando de seus ferimentos, que bom seria?
Chu Lingzhi pensava docemente: se fosse assim, que ela se machucasse mais algumas vezes, não teria problema algum.
"Mamãe, ferida e ainda com espinhos, está doendo muito?" Chu Junyu sentou-se ao lado, acompanhando Chu Lingzhi.
Chu Lingzhi relutantemente desviou o olhar do rosto de Nangong Yehen para o de Chu Junyu.
"Não dói muito."
"Mesmo que não doa muito, ainda dói." Chu Junyu pegou o braço dela, olhando com pesar.
"Já tinha uma cicatriz, e agora mais algumas, eu olho e fico com o coração partido."
"Bobinho, desde que eu possa salvar logo o papai de vocês e fazê-lo se recuperar, esse ferimento para a mamãe não é nada."
Esse ferimento, para ela, realmente não era nada.
Quando era pequena, ao colher ervas, ela caiu sem querer e rolou alguns metros, machucando o braço e o rosto.
Ao ouvir isso, Nangong Yehen fez uma pausa no movimento, com um lampejo no olhar.
Ele ergueu os olhos e a olhou de forma complexa.
Naquele momento, ele jurou que faria de tudo para protegê-la!
Ela disse que, desde que ele melhorasse rápido, esse ferimento não era nada para ela...
Que palavras tocantes, que faziam qualquer um se emocionar.
"Antes, quando você me salvou e levou uma facada, também disse a mesma coisa." Chu Junyu fez beicinho, acariciando a cicatriz no braço dela.