—Vá… —Vou com você. —Por que você quer me acompanhar ao banheiro? —Chu Lingyi olhou para ele, surpresa. —Não sou um deus, também preciso resolver minhas necessidades. —… Os dois caminharam em direção ao banheiro. Di Ruiyingxue saiu de uma esquina, observando suas costas com um olhar frio. ***** A estrada da montanha era sinuosa, tortuosa e difícil de percorrer, com árvores altas e folhas verdes, exuberantes e viçosas. A luz do sol de verão, atravessando as folhas de diferentes profundidades, espalhava-se suavemente pela floresta montanhosa. Nangong Yehen e Huo Luan estavam sob uma árvore de cânfora, olhando para a encosta diante deles. Treze anos atrás, essa encosta ainda era um conjunto de cabanas de madeira. Agora, aqui, a grama crescia viçosa como um tapete. Treze anos atrás, nesta montanha, ainda moravam algumas famílias. Desde que um incêndio queimou toda a família de sobrenome Chu até a morte, os montanheses supersticiosos, com medo de assombrações, mudaram-se para outros lugares. Exceto por algum curandeiro que subia ocasionalmente para coletar ervas, a montanha era silenciosa e sombria como uma floresta, com pegadas de javalis por toda parte. —Lembro-me de que naquela época, o senhor estava ferido e com o frio invadindo o corpo, e foi o velho mestre Ji Nian quem pessoalmente o tratou. —Huo Luan disse, olhando para a grama. Naquela época, Nangong Yehen tinha treze anos, era frágil e estava gravemente ferido. O velho mestre Nangong tinha alguma amizade com Chu Ji Nian, então o levou da cidade para o interior da montanha, para que Chu Ji Nian o tratasse. Nangong Yehen sempre foi fraco desde criança, e nos grandes hospitais da cidade, por mais que tentassem tratá-lo e dar-lhe remédios, não havia melhora. Seu pai, o velho mestre Nangong, decidiu deixá-lo descansar na montanha. O ambiente na montanha era belo, o ar fresco, e Chu Ji Nian podia tomar seu pulso e receitar remédios a qualquer momento. Naquela época, a neta de Chu Ji Nian tinha apenas oito anos. Era magra e pequena, de pele escura, com duas tranças finas. Ela seguia Chu Ji Nian o tempo todo, coletando ervas, estudando-as, preparando decocções, e depois aplicando agulhas ou emplastros nele. Talvez por andar na montanha o ano todo, essa menina era mais baixa que as outras crianças da mesma idade. A pele era muito escura, mas tinha olhos brilhantes como gemas negras. Baixinha, mas nas montanhas íngremes, movia-se como um animal, rápida e ágil. E tinha um olfato muito apurado; muitas ervas de aparência semelhante, bastava cheirar para distinguir qual era. Chu Ji Nian sempre a elogiava na frente dele, dizendo que ela era sua assistente competente e, no futuro, sua sucessora. Nangong Yehen, naturalmente arrogante, não gostava daquela garotinha morena. O que o fez vê-la com outros olhos foi um dia em que Chu Ji Nian desceu a montanha para tratar alguém, e seu corpo de repente começou a doer. Ele vomitava, tremia todo, como se tivesse cãibras. A avó da menina não sabia o que fazer com aquela doença. Foi então que a menina pegou uma cobra de cabeça branca e a fez morder seu braço. Depois, rapidamente aplicou agulhas para controlar o veneno, impedindo que ele atingisse o coração, e, depois que ele circulou uma vez pelos vasos sanguíneos, ela sugou o veneno com a boca. Quando Nangong Yehen, que havia desmaiado, acordou, sentiu-se mais revigorado do que nunca. A menina preparou pessoalmente a decocção para ele beber e disse: —Meu avô me disse que você é o jovem mestre de uma família rica, e me pediu para cuidar bem de você. Sei que você despreza nós, montanheses, mas não se esqueça de que, às vezes, dinheiro não compra saúde nem vida. O veneno em seu corpo fui eu quem o removeu, você deve me agradecer. —Veneno no meu corpo? —Na época, ele ficou chocado. Que veneno ele tinha? Ela olhou para sua expressão chocada e disse, com a voz ainda infantil: —Um tipo raro de veneno frio.