Ouyang Ruobing olhou para Chu Lingzhi. Não fosse por esse olhar, ela não teria ficado surpresa — ao ver, hesitou por um instante.
Ela franziu os lábios. Será que estava vendo coisas?
Como podia perceber, no rosto de Chu Lingzhi, uma tristeza nostálgica?
Além disso, seus olhos estavam vermelhos, como se fosse chorar.
Ouyang Ruobing ajustou a pequena Huozhu em seus braços, mudou para uma posição mais confortável e observou Chu Lingzhi com cuidado: "Lingzhi, no que você está pensando?"
Aquela Chu Lingzhi parecia uma bola de cristal preciosa; falar alto seria como tocá-la de forma rude, fazendo-a quebrar.
Chu Lingzhi se recuperou da tristeza, fungou o nariz levemente irritado e sorriu: "Lembrei do meu avô, que morava nesta casa."
Ouyang Ruobing olhou para a pequena casa. Tão pequena e tão velha, dava para morar?
"Ele era muito gentil, muito bondoso, muito sofrido. Viveu muitas coisas ao longo da vida," disse Chu Lingzhi, com tristeza.
Ao ouvir isso, Ouyang Ruobing apenas lançou um olhar profundo para Chu Lingzhi, sem dizer nada. Vendo-a tão melancólica, percebeu que o afeto entre ela e o avô devia ser muito forte.
"Ele tratava os doentes da aldeia, quase nunca cobrava."
Ouyang Ruobing suspirou: "Realmente uma pessoa bondosa."
"Mesmo sendo bondoso, sua vida foi cheia de dificuldades."
Ouyang Ruobing soltou um leve suspiro. A vida é assim.
Não é porque alguém é bondoso que terá dias fáceis.
Algumas pessoas muito boas vivem situações difíceis e desamparadas.
Outras, muito perversas, têm vidas alegres e prósperas.
Cada um tem sua própria vida, não se pode comparar.
Chu Lingzhi balançou a cabeça, afastando a saudade do avô e também a tristeza.
Ela sorriu para Ouyang Ruobing: "Vou te levar para passear por outros lugares, sentir a beleza da natureza."
Estendeu a mão e tocou suavemente o rosto da adormecida Huozhu. A menina, sendo carregada enquanto caminhavam, dormia profundamente.
Chu Lingzhi levou Ouyang Ruobing para dar uma volta pela aldeia. Onde quer que fossem, viam rostos sorridentes e calorosos dos aldeões.
Ouyang Ruobing sorriu para Chu Lingzhi: "Na verdade, viver aqui não é ruim. Montanhas verdes, águas claras, ar fresco."
"Se você gosta, pode vir morar aqui. Afinal, com seu dinheiro, mesmo que não trabalhe a vida toda, nunca vai acabar," disse Chu Lingzhi, rindo. Trazer dinheiro e carro para cá também seria conveniente.
Ouyang Ruobing brincou: "Posso considerar."
Enquanto conversavam, voltaram para a casa de Fu Chunyan. Eles ainda não tinham voltado, então Chu Lingzhi e Ouyang Ruobing foram direto para o quarto.
Ouyang Ruobing colocou a adormecida Huozhu suavemente na cama, deixando-a dormir confortavelmente.
Ela ficou em frente à cama, observando Huozhu dormir profundamente. Virou-se e perguntou a Chu Lingzhi: "Lingzhi, será que o suco de cogumelo de ontem à noite fez efeito? Hoje a Xiaozhu dormiu muito bem."
Chu Lingzhi, sentada numa cadeira descansando, olhou para a pequena na cama e disse, sorrindo: "Sim, parece que o suco de cogumelo fez bem para o corpo dela."
"Tomara que Xiaozhu possa ficar saudável," disse Ouyang Ruobing.
"Com cuidados gradativos, a doença dela vai melhorando aos poucos."
Ouyang Ruobing sentou-se na beira da cama, olhando para Huozhu com doçura e ternura. Seu olhar transbordava amor maternal, como uma mãe vendo sua própria filha dormindo profundamente.
RUMBLE!
De repente, um som estranho as assustou e também despertou Huozhu, que dormia.
Ouyang Ruobing, assustada, rapidamente pegou Huozhu no colo, apertando-a contra o peito, olhando em volta: "Que barulho foi esse?"
Chu Lingzhi também olhou em volta, surpresa e confusa. Seus olhos brilhantes mostravam um leve pânico: "Não sei."
Quando o som soou, o chão inteiro tremeu, e até a casa vibrou.
Ouyang Ruobing acalmou Huozhu, que chorava assustada, enquanto Chu Lingzhi se levantava lentamente da cadeira.
Com os pés no chão, ela sentia como se o solo todo estivesse se movendo — um movimento sutil, mais leve que um metrô. Se não prestasse atenção, nem perceberia.
Chu Lingzhi pensou: será que era o tremor residual do barulho anterior?
"Talvez os aldeões estejam explodindo um poço ou abrindo uma pedreira. Vou dar uma olhada," disse Chu Lingzhi.
Mal deu dois passos, quando de repente ouviu-se "CRAC!" novamente. Dessa vez, foi mais forte que antes. O chão inteiro balançou, e a casa de Fu Chunyan parecia um caminhão tombando. Chu Lingzhi, desequilibrada pela vibração intensa, caiu no chão.
Ouyang Ruobing caiu sentada na cama. Ela se curvou levemente, protegendo Huozhu firmemente no peito, com o rosto cheio de pavor. Ao ver Chu Lingzhi caída no chão, ficou alarmada: "Lingzhi, você está bem?"
Felizmente, a queda não foi grave. Como o chão ainda tremia, Chu Lingzhi não se levantou imediatamente. Apoiou as mãos no chão, ergueu a cabeça e olhou ao redor.
Seu olhar era um pouco afiado, como se procurasse algo...
De repente, viu o teto rachando lentamente, e acima de Ouyang Ruobing, a rachadura já estava bem grande.
A casa de Fu Chunyan era antiga. O telhado era todo de telhas, e as vigas principais e transversais eram de madeira maciça.
A viga acima de Ouyang Ruobing estava se partindo aos poucos, e folhas e poeira do telhado caíam.
Chu Lingzhi primeiro se assustou, depois gritou: "Ruobing, sai daí!"
Ouyang Ruobing, assustada, tentou se levantar rápido, mas foi lenta. "CRASH!" Uma viga de madeira caiu em sua direção.
Ouyang Ruobing ficou paralisada. Ergueu a cabeça, olhando chocada e aterrorizada para a viga que despencava.
Talvez pelo susto excessivo, naquele instante, sua mente ficou em branco, e ela esqueceu de se esquivar.
Chu Lingzhi também ficou chocada com a cena. Depois de gritar, sua boca ficou aberta, como se não conseguisse fechar, enquanto observava aterrorizada a viga e as telhas caindo...
"Ah..." No momento em que a viga caiu, Ouyang Ruobing pareceu recuperar a alma que havia perdido. Curvou o corpo, protegendo Huozhu no peito, enquanto a viga e as telhas batiam com força em suas costas.
Que dor!
Parecia que todos os ossos das costas tinham se partido. A dor fez o rosto de Ouyang Ruobing empalidecer.
Mas ela manteve a posição de proteger Huozhu, com medo de que mais coisas caíssem. Ficou imóvel, rangendo os dentes, parada ali.
Após uma forte agitação, o chão se acalmou por um instante.
Chu Lingzhi se levantou rapidamente, puxou Ouyang Ruobing e correu para fora.
"CRAC, CRAC—"
De repente, outro tremor violento sacudiu o céu e a terra. Chu Lingzhi e as outras se sentiram como se estivessem num avião turbulento, sem controle sobre o próprio corpo, mal conseguindo ficar de pé. Mesmo se apoiando na parede, balançavam com o movimento.
"CRASH—"
Antes mesmo de sair do quarto, viram o telhado da sala desabar por completo, e as paredes também caíram, bloqueando totalmente o caminho à frente.
"Como assim?" Ouyang Ruobing ficou pálida de medo.
Chu Lingzhi disse, aflita: "Terremoto." Elas estavam enfrentando um terremoto.
"Ah..."
De repente, outra parte do telhado acima delas desabou.