“Hum…” Ela respondeu baixinho. A cirurgia de transplante de útero foi mais dolorosa do que quando ela havia removido o útero. Mas essa dor parecia trazer-lhe esperança; a dor de antes, realmente, trouxera-lhe desespero. Um lampejo de escárnio passou pelos olhos de Ouyang Ruobing. Afinal, a dor também podia ser dividida em muitos tipos. “Com fome? Quer comer alguma coisa?” Gong Liye perguntou, olhando para ela. “…” Ouyang Ruobing não respondeu, apenas fitava o teto, com uma expressão um tanto vazia. Vê-la assim fez Gong Liye sentir uma pontada no coração. Ele apertou a mão dela, e ela piscou os olhos, tentando se soltar, mas ele não deixou. “Ruobing, você precisa me tratar assim?” Gong Liye franziu a testa, perguntando em tom grave. Se o tempo pudesse voltar atrás, ele jamais a teria expulsado cruelmente da mansão, jamais teria dito palavras tão duras. Ele lembrava que, no dia em que ela foi expulsa, ainda chovia torrencialmente… “…” Ouyang Ruobing mordeu os lábios. Uma pontada súbita no ferimento fez com que franzisse levemente a testa. “Você pretende não falar comigo pelo resto da vida?” Gong Liye perguntou novamente, já arrependido. “O que você quer que eu faça para me perdoar?” “Trate bem a Liang Jianghua.” A voz de Ouyang Ruobing saiu rouca. Ela virou levemente o rosto e o olhou com indiferença. “No banquete de aniversário do avô Mo, você me disse pessoalmente que ela era sua esposa.” Gong Liye ergueu as sobrancelhas, todo o seu corpo transbordando desagrado: “Isso foi dito na raiva!” Quantas vezes ele precisava repetir? Ouyang Ruobing curvou os lábios num sorriso. Aquele sorriso parecia um choro, ou talvez um riso, com desespero nos olhos. “Antes do nosso noivado, você se encontrou com ela no hotel?” Gong Liye ficou surpreso: “Como você soube?” O desespero nos olhos de Ouyang Ruobing se aprofundou: “Sua resposta confirma que sim.” “Naquele dia, eu bebi demais com um cliente, e eu e ela…” “Não diga mais nada!” Ouyang Ruobing o interrompeu de repente, em voz alta: “Não quero ouvir nenhuma explicação sua!” Ao falar alto, ela contraiu o abdômen, puxando o ferimento. Para não demonstrar fraqueza diante dele, Ouyang Ruobing apenas franziu a testa, com o rosto pálido. A dor do ferimento não se comparava à dor que sentia no coração. Ela ainda pensava que as palavras de Liang Jianghua eram mentira, mas não imaginava que, antes do noivado, ele realmente se encontrara com ela no hotel. Ele dizia não amar Liang Jianghua, então por que dormiu com ela? Ouyang Ruobing sentia o coração dilacerado, uma tristeza imensa. Se não estivesse se controlando com esforço, as lágrimas já teriam escorrido. Ela não aceitava que seu homem se envolvesse com outras; preferia abrir mão desse amor, mesmo que doesse, a continuar. Gong Liye disse, aflito: “Ruobing, daquela vez eu realmente bebi demais…” “Não fale mais nada!” Ouyang Ruobing conteve um grito: “Não quero mais ver você! Vá embora!” Vendo-a tão agitada, Gong Liye ficou ainda mais desesperado. Queria explicar, explicar naquele instante. Ele se esqueceu completamente das instruções de Chu Lingzhi, de não deixá-la se alterar. Só se importava em segurar a mão dela e dizer o que precisava. Os olhos de Ouyang Ruobing transbordavam repulsa por ele. Ela se debatia para que ele não segurasse sua mão. O movimento foi brusco, e uma dor aguda surgiu em seu abdômen, especialmente dos lados, como se algo tivesse sido arrancado à força, com pontadas repetidas. “Solta! Não me toque! Ah…” Ouyang Ruobing se encolheu de dor, mas quanto mais se encolhia, mais a dor aumentava. “Ruobing, você está bem? Ruobing?” Vendo-a assim, Gong Liye ficou apavorado.