Capítulo 972: Quem é você?
Chen Ge, arrastando a serra grande, saiu lentamente do quarto. Não havia mais nenhum som na casa.
O sangue escorria pelos dentes da serra. Seus olhos frios e assustadores se voltaram para o primeiro andar.
O garoto mais novo tirou um molho de chaves do bolso. Segurando o homem de óculos, os dois correram até a porta de ferro que levava ao subsolo.
"Por que ele tem as chaves? Será por causa da profissão dele? Não, esse cara deve ser um trapaceiro. Ele pode ter tanto as chaves quanto as dicas. Não é à toa que estava tão calmo o tempo todo."
Desde o início, o jovem era diferente dos outros "visitantes". Ele provavelmente havia recebido uma tarefa importante do responsável pela casa mal-assombrada, para atrapalhar Chen Ge nos momentos críticos de sua missão.
Seis visitantes, cada um com sua função. O plano do responsável pela casa mal-assombrada do Parque do Futuro Virtual era bom, mas eles nunca imaginaram que alguém jogaria a casa mal-assombrada daquela forma. Cometeram um erro fundamental.
Chen Ge desceu as escadas. O fedor entrava pela porta principal da pensão. O policial e a mulher de cabelos pretos longos já haviam desmaiado de medo.
Os dois correram para fora da pensão, tentando voltar pelo caminho de antes, mas não esperavam que o caminho de volta estivesse bloqueado. Sem ter a quem recorrer, acabaram desmaiando no corredor, ao lado da lápide sem inscrições.
"Vou atrás dos dois. Você fica para trás. Deve haver outros atores escondidos neste cenário. Dê um jeito de deixá-los inconscientes."
A porta de ferro para o subsolo já estava aberta. O homem de óculos e o garoto mais novo correram para dentro da escuridão.
"Então a saída está mesmo no subsolo." Na verdade, desde que entrou no cenário, Chen Ge já suspeitava. A passagem secreta no térreo podia ser uma farsa; mesmo que encontrasse a chave, não conseguiria escapar.
Para passar de fase, primeiro era preciso encontrar a chave para o subsolo.
Desde o momento em que abriu a porta, o cenário estava repleto de escolhas infinitas. A escolha certa levava à vitória; a errada, à morte.
O Zodíaco tinha outro significado: era o nome de um criminoso que nunca foi capturado. O cenário tinha como tema enigmas e assassinatos, mas se os visitantes achassem que os assassinos eram apenas os psicopatas escondidos nos quartos, estariam redondamente enganados. O verdadeiro assassino neste cenário era o relógio invertido na parede.
Os assassinatos já ocorridos não podiam ser mudados. O tempo era o assassino mais oculto.
Se não estivesse com pressa para sair, Chen Ge certamente teria aproveitado para explorar todos os segredos do quarto. Mas não tinha tempo.
Visitantes normais podiam visitar no máximo três ou quatro cenários por vez, mas Chen Ge havia fundido quarenta cenários de uma só vez. Para desafiar tantos cenários dentro do tempo estipulado, só podia seguir um caminho que ninguém jamais havia trilhado.
"Corram o máximo que puderem. Vou estar sempre atrás de vocês."
O motor da serra rugiu. Chen Ge, segurando a cabeça humana, arrastou a serra pesada e disparou em frente.
Os dois andares superiores da pensão eram quartos; o inferior era uma prisão, onde várias ossadas estavam aprisionadas.
"Ele está vindo!"
O homem de óculos gritou, o rosto coberto de suor.
Ele e o garoto mais novo estavam no fundo da prisão, tentando abrir a porta de uma cela.
"Rápido! Ele está chegando! Chegando!"
"Eu sei! Não me apresse! Para de me apressar, caramba!" O garoto mais novo segurava o molho de chaves com as duas mãos, os braços tremendo. Quanto mais nervoso ficava, mais difícil era encontrar a chave certa.
O cheiro de sangue invadiu suas narinas, os gemidos ecoaram em seus ouvidos. Os passos que simbolizavam a morte se aproximavam lentamente.
"Não é esta! Também não é esta!" O garoto enfiava as chaves desesperadamente na fechadura, os olhos cheios de veias vermelhas.
Os dentes da serra modificada raspavam nas grades da cela. O som nítido do metal parecia a abertura de uma sinfonia do destino.
Chen Ge diminuiu gradualmente o passo. Sob o capuz tecido de metal e ossos, seu olhar era gelado.
"Clique!"
"Abriu!" O garoto gritou animadamente, agarrou o homem de óculos e correu para dentro da última cela.
A porta de ferro bateu na parede. A porta trêmula foi segurada por uma mão. Chen Ge olhou para dentro da cela: atrás do armário, havia uma escada que subia.
"Bom trabalho. Só que vocês correram devagar demais. Ainda tive que esperar."
Chen Ge subiu com a serra elétrica. No topo da escada de madeira, havia um vestiário. Fileiras de armários de ferro estavam cobertos de marcas de mãos vermelhas.
"Banheiro público?"
Antes que pudesse continuar, ouviu um barulho vindo de um armário, como se algo preso lá dentro estivesse tentando sair.
O barulho estranho aumentava, abafando os passos. Quando Chen Ge continuou andando, a porta de um armário ao seu lado se abriu de repente, e uma mão humana caiu.
"Adereço?"
Para não perder de vista o homem de óculos, Chen Ge ignorou essas coisas.
Ao sair do vestiário, Chen Ge viu um barbeiro cortando o cabelo de alguém.
O homem estava de costas para Chen Ge. Pelo espelho à frente do barbeiro, era possível ver a aparência dele e do cliente.
Olhando só pelo espelho, o barbeiro parecia ser interpretado por uma pessoa real, mas Chen Ge logo percebeu algo estranho.
Visitantes normais entrariam, e o barbeiro manteria a calma sem problemas. Mas agora, ele estava vestido como um assassino de serra elétrica, e o outro nem mudou a expressão ou o tom de voz. Isso era estranho.
"Cliente, quer cortar o cabelo? Já é sua vez. Sente-se ali e espere um pouco." A voz de um homem de meia-idade veio do barbeiro. No espelho, ele cortava o cabelo do cliente com cuidado, mas, na realidade, suas mãos e ombros não se mexiam. Ele mantinha a cabeça baixa, sem se saber o que fazia.
Chen Ge não quis dar atenção. Só queria alcançar o homem de óculos.
Segurando a serra grande, Chen Ge foi direto para o barbeiro. A saída do banheiro masculino ficava ao lado dele.
Talvez por ouvir os passos, o barbeiro, de costas para Chen Ge, falou de novo: "Este cliente, não se apresse. Já vou terminar de cortar o cabelo dele."
Chen Ge o ignorou completamente. Quando estava quase na saída, o barbeiro, que ainda estava de costas, estendeu de repente um braço.
Sua voz ficou sombria e opressiva, com um toque de loucura doentia: "Não te pedi para esperar um pouco? Já não te disse?! Estou cortando o cabelo dele!"
O barbeiro, de costas para Chen Ge, virou-se bruscamente. Suas palmas estavam cobertas de sangue. Com as duas mãos, segurava a cabeça do cliente masculino!
O rosto do barbeiro estava cheio de cicatrizes de navalha, sua expressão era assustadora ao extremo. De repente, ele se virou e estendeu a mão com a cabeça diretamente na frente do rosto de Chen Ge.
A ponta dos dedos tocou a máscara de metal e ossos. A cabeça na palma caiu no chão. A sensação fria fez o barbeiro sentir um leve estranhamento.
Ele estava tão imerso no personagem que não reagiu a tempo. Continuou olhando para Chen Ge, vestido como um assassino, com aquela expressão terrível.
"Você é..."
O forte cheiro de sangue vinha de trás de Chen Ge. Ele se abaixou lentamente, pegou a cabeça do cliente que havia rolado no chão e a colocou nos braços do barbeiro.
"Você deixou cair a cabeça deste homem?"
A voz sinistra saiu de sob a máscara. Seus olhos, como os de um morto, fixaram-se no barbeiro: "Ou a cabeça desta mulher?"