Capítulo 926: O Colapso de um Adulto Acontece num Instante (3000)
Ali segurava a caixa de madeira, andando no final da fila. Ele era honesto e leal, não tão sensível quanto Xiaochun, apenas sentia vagamente que algo não estava certo. "Por que o nome Lin Sisi fica aparecendo na minha cabeça? Será porque peguei o desenho dele? Impossível, deve ser coisa da minha cabeça."
Andando pelo corredor escuro, Ali não conseguia parar de divagar. Sua memória parecia estar sendo coberta por algo, e num lampejo ele viu um garoto magro parado não muito longe. O rosto não dava para ver, não havia ferimentos visíveis nele, mas suas roupas estavam rasgadas, o zíper da mochila arrebentado, o cabelo molhado e o rosto coberto de lama. Comparado ao corpo sujo, a apatia do garoto era ainda mais dolorosa de ver.
"Você..." "O quê?" O cinegrafista fortão levou um susto com Ali: "Tem algum problema?" "Não, nada, desculpe." Ali se apressou em se desculpar. Olhou ao redor, não havia criança nenhuma, mas o que o intrigava era que, mesmo sendo uma cena assustadora e sombria, ela lhe trazia uma sensação de familiaridade, como se ele já tivesse estado ali antes: "Eu vim aqui quando era criança? Ou será que sonhei com isso num pesadelo?"
Chegar a um lugar estranho e de repente sentir uma familiaridade, isso já aconteceu com muita gente. Se fosse um ponto turístico comum, tudo bem, mas aqui era o terceiro subsolo da casa mal-assombrada, uma "área não aberta ao público" que nem sequer tinha luz. Assim que começava a pensar, fragmentos terríveis voltavam à mente de Ali: a criança encurralada no canto da sala de aula, empurrada para o banheiro, rostos distorcidos rindo para ela, jogando tinta e água suja.
"Já chega!" Ali gritou de repente, fazendo os outros à frente darem um pulo de susto. "Lan Dong, o que há com esse seu amigo? Fez eu perder o equilíbrio da câmera." O cinegrafista fortão reclamou, insatisfeito. "Moço, você está bem?" Liu Kang franziu a testa para Ali, mas por causa da transmissão ao vivo, precisava manter a compostura. "Não sei, é que sinto que já estive aqui." Ali falava de forma estranha: "Talvez tenha sonhado com isso. Não saiu na notícia que muitos pacientes em coma sonharam com esta casa mal-assombrada? Acho que a mídia não está falando tudo mentira." "Tosse, tosse!" Liu Kang interrompeu Ali, e rapidamente fez um sinal para o cinegrafista, que entendeu na hora e desviou a lente. Tirando o microfone de lapela, Liu Kang falou baixinho com Ali: "Estamos aqui para desmascarar, entendeu? Se for fazer teatro, tem limite." Liu Kang mudava de cara como quem vira a página. Há pouco no dormitório tinha elogiado Ali, e num piscar de olhos já mudou o tom.
"É verdade!" Ali ia dizer mais, mas Liu Kang não quis ouvir. Fez sinal para Lan Dong: "Ensina bem o seu amigo." Reajustando o microfone, Liu Kang voltou ao normal. Foi para frente da câmera e explicou calmamente aos espectadores que aquilo tinha sido só um pequeno incidente. A lente foi desviada de propósito, o som diminuiu, e essas anomalias só aumentaram a discussão entre os internautas.
Vendo muitos no seu chat falando sobre a notícia e a casa mal-assombrada de Chen Ge, Liu Kang ficou ainda mais irritado: "Aquele meu amigo estava só brincando, não levem a sério. Sempre visitamos com espírito de diversão, e agora vamos começar de verdade a desmascarar." Se a casa mal-assombrada de Chen Ge assustava ou não, nem precisava de Liu Kang para dizer. Só a atmosfera interna já provava tudo. Mesmo com Liu Kang fazendo piadas o tempo todo, não conseguia diminuir o medo.
"Uma casa mal-assombrada que vive de comprar trending topics, enganar turistas e tapear o público quer ficar famosa?" Verdade ou não, Liu Kang primeiro jogava uns rótulos na casa de Chen Ge, se colocando num pedestal moral, como se isso lhe desse um senso de missão e o fizesse não sentir mais medo. "Sem enrolação! Hoje vou desmascarar a verdade na frente de todo mundo!" Liu Kang estava exaltado. Mal terminou de falar, o celular no bolso tocou de repente. Era o celular pessoal dele, pouca gente sabia o número. Liu Kang hesitou um pouco, e devagar atendeu a chamada. Antes que pudesse reagir, do outro lado veio a voz histérica do assistente homem. "Kang! Essa casa mal-assombrada é assombrada de verdade! Em cima! Todos os fantasmas estão em cima da gente!" O assistente parecia estar correndo desesperado, sem fôlego. "Onde você foi parar? De quem é esse celular?" O coração de Liu Kang deu um pulo. Ele tinha acabado de recolocar o microfone, e agora todos na transmissão ao vivo ouviram a voz do assistente. "Fui salvo por outros turistas! Volta logo! Essa casa não tem saída! Se não sair agora, é tarde demais! Não venha! Socorro! Tem fantasma em todo lugar! Fantasma em todo lugar!" O choro desesperado do assistente estapeava o rosto de Liu Kang. Ele contraiu os olhos e desligou na hora. Ele tinha vindo para desmascarar a casa mal-assombrada, e agora parecia que estava fazendo propaganda dela para toda a internet. "Meu assistente exagerou na atuação, desculpem..." Liu Kang nem terminou, e o celular do cinegrafista começou a vibrar sem parar. Alguém mandou várias mensagens de áudio. O cinegrafista, sem pensar, abriu uma, e a voz do assistente apareceu de novo. "Liu Kang! Corre! Acredita em mim! O fantasma está do seu lado! Está do seu lado!" O corredor estava silencioso, então a voz do assistente era ainda mais cortante. O cara estava desesperado, chamando Liu Kang pelo nome completo. "Desliga o celular. Vamos explorar a casa de corpo e alma." Liu Kang estava com a cara feia. Se não fosse pela câmera, já teria perdido a paciência. "Tá bom, Kang." O fortão concordou em desligar o celular, mas na verdade não fez isso. O grandalhão era esperto, conhecia bem o assistente e sabia que ele não estava atuando, mas sim realmente apavorado. Mandou uma resposta escondida para o assistente, colocou o celular no silencioso e guardou no bolso.
"Liu Kang! Não vou te prejudicar! Responde!" Segurando um celular feminino, o assistente corria pelos corredores estreitos. Cabelo bagunçado, lágrimas nos olhos, a voz já rouca de tanto gritar. "Para de berrar! Quer matar a gente toda?!" Na frente do assistente, havia um casal de estudantes, um homem de meia-idade e uma turista de aparência elegante. Quem falou foi o homem de meia-idade. Atrás deles, no corredor, as sombras se moviam, e dava para ouvir passos cada vez mais próximos! "Aqui!" O homem de meia-idade encontrou uma sala de aula com a porta aberta numa curva do corredor. Sem pensar muito, puxou a mulher atrás dele e se escondeu lá dentro. O casal de estudantes também ia correr para a sala, mas naquele momento o assistente deu o máximo, passou na frente deles, entrou na sala e, com os dentes cerrados, fechou a porta! "Puta merda! Abre a porta! Ainda emprestamos o celular pra você, e é assim que nos trata?!" O casal batia na porta com força, mas o assistente trancou por dentro. Os passos horripilantes se aproximavam. O casal, sem opção, foi embora, e os passos os seguiram. "Que bom que fui rápido, senão, mesmo escondidos aqui, seríamos cercados e ninguém escapava." O assistente fez aquilo instintivamente. No cenário de quatro estrelas, parecia ter arrancado a máscara do dia a dia, mostrando seu verdadeiro eu. Ofegante, o assistente segurava firme o celular emprestado pelo casal, encostado na porta para descansar: "Fiz isso pelo bem de todos. Aliás, ainda não agradeci. Como vocês se chamam?" "Pode me chamar de Velho Zhou. Esta é minha namorada, Duan Yue." O homem de meia-idade se apresentou de forma calorosa, parecia gostar de fazer isso, mas a turista não gostou muito. "Irmão Zhou, obrigado por me salvarem dos fantasmas e me deixarem ficar com vocês." O assistente parecia ter esquecido o que tinha feito. Sabia que sozinho era perigoso, então queria se aproximar do Velho Zhou e de Duan Yue. "De nada. Quanto mais gente, melhor. Também não esperava que essa casa fosse tão assustadora. Descobri que todos os monstros estão no teto; é só olhar de cabeça para baixo para vê-los." O Velho Zhou suspirou fundo. Duan Yue ao lado fez pouco caso: "Quanto mais gente, melhor? Esse cara acabou de fechar a porta e não deixou os dois estudantes entrarem. Esse tipo de pessoa..." "Se ele não fizesse isso, mais cedo ou mais tarde seríamos todos cercados aqui. Ele teve seus motivos." As palavras do Velho Zhou tocaram o assistente: "Eu te entendo. Depois de passar por muita coisa, a gente vê a verdade. No mundo adulto, nada é fácil. Quem não gostaria de ser sempre uma criança inocente?" "Irmão Zhou, você me entende!" Desespero, medo, cansaço. Naquela situação, o assistente sentiu um calor que há muito não experimentava vindo do Velho Zhou. O Velho Zhou deu um tapinha no ombro do assistente, encorajando-o: "Vi você ao telefone. Queria saber se seus amigos receberam seu aviso. Precisamos nos juntar ao grupo principal. Ficar sozinho nesta casa é horrível demais." "Fique tranquilo. O Kang deve estar em transmissão ao vivo, por isso não atendeu. Mas consegui contato com o cinegrafista, ele me respondeu." O assistente abriu a caixa de mensagens, onde estava o SMS do fortão: "Também acho que essa casa está estranha. Depois a gente conversa!" "Então eles já acreditam que é você usando este celular para falar com eles." As palavras do Velho Zhou tinham um peso. Antes que o assistente percebesse, o Velho Zhou já estava na frente da porta da sala. "Irmão Zhou, o que você quer dizer?" O assistente sentiu que algo estava errado. "Eu te entendo. Espero que você também me entenda." Sangue começou a escorrer por baixo da roupa, feridas horríveis apareceram, e o rosto do Velho Zhou ficou pálido como papel: "Você precisa saber, no mundo adulto, nada é fácil. Quem não gostaria de ser sempre uma criança inocente?" Uma mão magra agarrou o assistente. Seus olhos quase saltaram das órbitas. As pernas sem força, ele caiu no chão, mas esbarrou em algo. Virou a cabeça devagar. Um corpo feminino remendado estava pendurado atrás dele. A garganta não emitia som algum. O assistente tremia inteiro, até que seus olhos reviraram e ele desabou pesadamente. O Velho Zhou pegou o celular da mão do assistente, decorou os números de Liu Kang e do cinegrafista, e então usou o aparelho para mandar outra mensagem ao cinegrafista: "Vem rápido me encontrar! Acho que achei a saída!"