Capítulo 876: Falar mal dos outros pelas costas não é legal
Chen Ge já viu muitas caixas de presente, mas uma como esta, como se tivesse sido encharcada de sangue, era a primeira vez que via.
"Foi a Zhang Ya quem preparou isso para alguém? Ou algum idiota sem noção deu isso para a Zhang Ya?"
Em cima do lençol limpo e arrumado, uma caixa de presente tão suja estava colocada. Qualquer um perceberia que o dono da caixa se importava muito com aquele presente.
Parado na zona mais proibida e aterrorizante da escola assombrada, cercado por monstros uivando em desespero, Chen Ge, surpreendentemente, não sentiu medo naquele momento, mas sim uma emoção peculiar.
"Antes, quando a Zhang Ya me deu aquela carta de amor manchada de sangue, a fruta feita de alma e o boneco amarrado com cabelo, eu achava difícil de aceitar no fundo do coração. Mas hoje, ao ver esta caixa de presente vermelha-sangue na cama dela, senti uma pontada de ciúme."
Cercado por maldade, Chen Ge estava sozinho no fundo da zona proibida. Lá fora, seus companheiros estavam extremamente tensos, vigiando-o o tempo todo, prontos para resgatá-lo ao menor sinal de movimento. Quem poderia imaginar o que estava passando pela cabeça de Chen Ge naquele momento?
Da perspectiva deles, o rosto antes calmo de Chen Ge de repente ficou sério, suas sobrancelhas levemente franzidas, como se algo inesperado tivesse acontecido.
"Devo abrir e dar uma olhada? Não é legal abrir o presente dos outros sem permissão, mas a Zhang Ya já não é mais 'outra pessoa' para mim. Ela ainda não acordou, dar uma olhadinha por ela não deve ter problema."
Chen Ge sentia um conflito interno. Assim que suas mãos tocaram a caixa, o laço no topo se desfez sozinho.
"Eu nem mexi..." Chen Ge olhou para trás, para sua sombra, e então abriu lentamente a tampa.
Nada de anormal aconteceu no dormitório. Da tampa veio o som de um coração batendo. Chen Ge se inclinou para olhar: dentro da caixa havia um tutu de balé vermelho-sangue.
"Isso é o presente?"
Acima do vestido, havia também um cartão de felicitações. Chen Ge o pegou, e nele estava escrita uma frase muito simples.
"Feliz Natal, querida filha. Eu e sua mãe sentimos muito sua falta. Preparamos um vestido novo para você."
O presente provavelmente era dos pais da Zhang Ya para ela. Naquele quarto cheio de maldade e desespero, aquela pequena caixa era a coisa mais preciosa para Zhang Ya.
Olhando para o vestido dentro da caixa, Chen Ge parecia ver o coração pulsante de Zhang Ya. Sob aquela casca fria, havia um fio de calor.
"Isso é o que a Zhang Ya tem de mais precioso, mas por que, ao olhar para ele, sinto um aperto no peito?" Chen Ge colocou o cartão suavemente, seus dedos roçando o tutu de balé. O vestido estava coberto de manchas de sangue, distribuídas irregularmente, algumas mais escuras, outras mais claras. As bordas da caixa também tinham marcas de batidas e amassados, parecendo enrugada.
"A caixa foi colocada por Zhang Ya em cima do lençol limpo. Esses amassados não poderiam ter sido feitos por ela. Provavelmente, na realidade, quando Zhang Ya viu a caixa pela primeira vez, ela já estava assim: manchada de sangue, cheia de marcas de colisões e amassados." Chen Ge não sabia o que tinha acontecido com os pais de Zhang Ya que enviaram a caixa, mas o fato de ela ter se tornado o segredo mais profundo no fundo do coração de Zhang Ya já dizia muita coisa.
Dentro da caixa, além do tutu de balé e do cartão, parecia haver outras coisas, pressionadas sob o vestido, mas Chen Ge não mexeu nelas aleatoriamente.
Ele recolocou a tampa na caixa e olhou para trás, para sua sombra: "Desculpe, eu não sou bom com palavras e não sei como dizer isso. Não posso prometer nada a você, só posso dizer que, enquanto eu estiver aqui, você não ficará sozinha. De agora em diante, estarei com você."
Segurando a caixa com cuidado no colo, Chen Ge pensou em entregá-la pessoalmente a Zhang Ya, mas percebeu que o fundo da caixa estava grudado no lençol.
Olhando mais de perto, o fundo da caixa estava cheio de longos cabelos de mulher. Aqueles fios pareciam ter vida própria, fixando a caixa na cama. Qualquer coisa que se aproximasse, exceto Chen Ge, seria perfurada pelos cabelos negros.
"Descuido meu. No começo, nem percebi. Ainda bem que ela não tem más intenções comigo." Chen Ge não insistiu. Colocou a caixa de volta no lugar, decidindo esperar Zhang Ya acordar para que ela mesma decidisse.
Estranhamente, quando ele recolocou a caixa na cama, o armário ao lado fez um barulho, como se alguém estivesse tentando chamar sua atenção de propósito.
"Tem algo no armário?"
Aquele lugar era a zona proibida dentro da zona proibida. Chen Ge não podia descuidar. Ele se aproximou lentamente da porta do armário e a abriu aos poucos.
Conforme a porta se abria, um boneco caiu do armário.
Aquele boneco era extremamente feio. Não era feito inteiramente de pano; parecia mais um corpo vivo com alguns remendos costurados com cabelo.
"Que coisa?"
Os olhos do boneco brilhavam com luz. Ele parecia não conseguir controlar o próprio corpo, só um dedo se mexia.
"Você quer me dizer algo?" Chen Ge sentiu vagamente que o boneco queria expressar algo. Não se aproximou dele de repente, mas arrastou o boneco pela perna até a porta. Depois de se reunir com Xu Yin, ele se agachou ao lado do boneco.
Assim que saiu do dormitório de Zhang Ya, o boneco pareceu ganhar vida, seus olhos mais vivos. Ele usou o único dedo que podia mover para fazer gestos para Chen Ge.
"Chefe, isso você trouxe do dormitório?" Bai Qiulin e Xu Yin protegeram Chen Ge, ambos curiosos olhando para o boneco no chão. Era a primeira vez que viam uma alma processada daquela forma.
"Parece ser alguém que maltratou a Zhang Ya." Assim que Chen Ge disse isso, o boneco no chão balançou o dedo freneticamente, como se estivesse sendo injustiçado.
Vendo essa reação anormal, Chen Ge ficou curioso. Apontou para o chão ao lado do boneco: "Escreva no chão com sangue. Consigo ver."
O boneco hesitou. O que queria dizer parecia não poder ser compartilhado com muitas pessoas.
Insistindo, Chen Ge e Xu Yin usaram as costas para bloquear a visão dos outros: "Agora pode fazer os gestos."
O dedo do boneco deslizou rapidamente. Chen Ge tentou interpretar o que ele dizia — "Me tire daqui. Eu sei o segredo dela."
"Negociando comigo?" Chen Ge riu com raiva. Aquele boneco queria usar o segredo de Zhang Ya como moeda de troca. Ele estava prestes a arrancar um braço do boneco para fazê-lo cair na real quando o dedo do boneco começou a escrever no chão novamente.
"Consigo sentir em você o cheiro dela, mas desde que você entrou, observei. Ela parece estar adormecida. Se ela soubesse que ainda estou consciente, com certeza me mataria!"
"Todos que se aproximam dela morrem horrivelmente, e você não será exceção! Sei que você está com medo! Me tire daqui! Conheço bem ela, sei como me livrar dela!"
"Você pode não perceber agora, mas ela está usando você. Quando sugar todo o seu valor, vai te matar sem hesitar! Aqueles bonecos são o seu destino final!"
"Não se deixe enganar pela aparência dela! Ela é o espírito vingativo mais aterrorizante, um pesadelo do qual não se pode escapar, uma louca de ponta a ponta!"
"Acredite em mim! Eu sou o primeiro diretor desta escola. Aquela mulher matou o verdadeiro abridor de portas! Ela é a verdadeira inimiga da vontade da escola assombrada!"
Os olhos do boneco tremiam levemente, parecendo muito agitado. Depois de escrever, ele olhou para Chen Ge com expectativa. Mas, em vez da expressão surpresa que esperava, o que viu foi uma atmosfera estranha.