Capítulo 892: Capítulo 892 Capítulo 870 Prefiro que você seja feliz

Capítulo 870: Prefiro que você seja feliz

Conforme avançávamos, um odor sutil e desagradável surgiu no ar, como se lixo tivesse se acumulado por muito tempo sem ninguém para cuidar. Quanto mais fundo íamos, mais forte ficava o cheiro.

Xu Yin e Sakura Hong caminhavam na frente, enquanto Chen Ge e Fedor andavam lado a lado no meio da fila. O corpulento Fedor se esforçava para conter o cheiro de seu corpo, como se temesse ser rejeitado por Chen Ge ao lado.

Aos olhos de Chen Ge, essa criança sempre foi assim: possuía um corpo que exalava mau cheiro o tempo todo, mas seu interior era tão puro que beirava o inimaginável.

"Se você não se sentir bem, podemos parar por aqui", disse Chen Ge em voz baixa, conversando constantemente com Fedor. Raramente forçava seus funcionários a fazer algo de que não gostassem.

A cabeça cheia de gordura balançou de um lado para o outro, a carne das bochechas tremendo levemente. Fedor não recusou, mas quanto mais se aproximava do fundo do corredor, mais ansiosa ficava sua expressão.

"Não se force. Prefiro que você seja uma criança feliz do que descobrir a verdade. Se não sentiu alegria em vida, e ainda for atormentado por obsessões após a morte, isso seria doloroso demais."

Após alguns minutos de caminhada, o grupo chegou ao fim do corredor. Muitos alunos da escola assombrada tapavam o nariz e a boca; o lugar era insuportavelmente fedido.

Era difícil descrever aquele odor. Não era mais o cheiro de lixo apodrecendo; parecia não estar apenas disperso no ar, mas sim penetrar diretamente no corpo, fazendo a pessoa sentir repulsa e resistência por dentro.

Todos os "seres" estavam incomodados, exceto Fedor. Não só não se sentia mal, como seu corpo antes etéreo estava se tornando mais sólido aos poucos. O fedor ali parecia ser parte de seu próprio ser.

Ele havia abandonado aquele cheiro um dia, e agora as emanações estavam voltando a se acumular sobre ele. O odor ao redor de Fedor era o mais forte; muitos alunos se afastavam dele, assim como nos tempos de escola, quando ninguém queria ser seu amigo, todos o evitavam, e ele era apenas motivo de piada para animar o ambiente.

"Você está bem?" A mão de Chen Ge tocou suavemente o ombro de Fedor. Conforme o corpo se solidificava, o braço de Chen Ge não conseguia mais atravessá-lo, e ele sentiu pela primeira vez a temperatura de Fedor — fria a ponto de perfurar os ossos, completamente diferente de sua aparência simplória.

Não importava o quão longe os outros se afastassem, Chen Ge escolhia ficar ao lado de Fedor. Não havia outro motivo: ele era seu funcionário.

Chen Ge tinha muitos funcionários fantasmas sob seu comando, mas, mesmo com o aumento no número de espíritos, nunca negligenciou os sentimentos deles. Cada um desses funcionários sobrenaturais era extremamente importante para ele, pois sabia bem que, independentemente do motivo, aqueles espíritos agora consideravam a Casa do Terror seu lar — o único lar que tinham.

"Não tenha medo. Não importa o que aconteça, enfrentaremos juntos. Agora você tem muitos amigos, e todos estarão ao seu lado para sempre. Você não precisa mais carregar nada sozinho; vamos dividir tudo." Chen Ge queria acariciar a cabeça de Fedor, mas percebeu que ele era alto demais para alcançar.

Quando estava prestes a retirar a mão, o grande e obeso Fedor se curvou com muito esforço, e seus olhinhos escondidos na gordura piscaram algumas vezes.

"Seu danado." Chen Ge só queria confortá-lo; deu um tapinha em seu ombro e ficou ao seu lado, sem se afastar nem um passo.

"Não é à toa que este lugar é considerado uma área proibida. Se o que está aqui dentro for solto, todos nós vamos nos dar mal", murmurou um aluno que havia se juntado depois. Muitos comentavam, e o antigo diretor também veio pedir que Chen Ge fosse cauteloso.

Todos achavam que o núcleo do grupo era Chen Ge, e que bastava seguir sua opinião. Mas, para surpresa de todos, Chen Ge parou com Fedor na porta do dormitório e deu a ele a escolha: "Abrir a porta ou ir embora. A decisão é sua."

Muitos alunos da escola assombrada especulavam sobre a relação entre Fedor e Chen Ge, mas apenas Bai Qiulin e Xu Yin sentiam uma comoção interna.

Parado no fundo do corredor, de aparência feia e corpo obeso, Fedor ficou imóvel, como se petrificado. Ele ergueu a mão e segurou a maçaneta, mas não teve coragem de girá-la.

Olhando para trás, via o corredor escuro, consigo mesmo no canto mais distante. Essa cena já havia ocorrido muitos anos atrás: várias vezes ele quis sair daquele quarto, mas, ao erguer os olhos e ver o longo corredor lá fora, lembrando-se dos rostos, hesitava.

Aquela cabana já foi o único lugar que lhe pertencia, o local mais seguro que conhecia — até que seu pai, a quem mais respeitava, morresse naquele pequeno dormitório.

O fedor no ar se intensificou. Fedor hesitou por muito tempo, então, com os cinco dedos fazendo força, empurrou a porta do dormitório.

Um odor pungente jorrou do quarto, e muitos instintivamente se afastaram. Naquele momento, apenas Fedor, Chen Ge e Xu Yin permaneciam atrás da porta.

O último dormitório estava abarrotado de todo tipo de lixo, muito já apodrecido, outros irreconhecíveis. Assim que a porta se abriu, os detritos se espalharam pelo corredor, e não havia espaço para pisar dentro do quarto.

"Crrrr..."

Fedor entrou, pisando sobre o lixo, os olhos fixos em um armário no canto do cômodo. Chen Ge sabia o que havia dentro daquele armário; ele conteve os que vinham atrás e não perturbou Fedor.

Tudo naquele quarto era familiar para Fedor. Ele parou ao lado de sua cama, balançou o braço para limpar o lixo do lençol e observou o que estava escondido debaixo da sujeira.

O lençol velho e surrado estava coberto de manchas pretas e avermelhadas.

Seu corpo tremia; aquilo que ele sempre evitava reaparecia diante de seus olhos. O vermelho do lençol refletiu em suas pupilas, tingindo-as também de um tom rubro.

Um som estranho saiu de sua garganta. Fedor parecia ter esquecido como formar frases completas, de tanto tempo sem falar com ninguém. Sua emoção crescia, até que, com as duas mãos, agarrou o lençol e, como um louco, o rasgou em pedaços.

Os fragmentos do lençol, com manchas pretas e avermelhadas, caíram como neve escura pelo quarto. Fedor, ao lado de sua cama, via cenas do passado passarem diante de seus olhos.

O som em sua garganta aumentava, como se fosse um questionamento ou um choro impotente.

Vendo Fedor tão desamparado no quarto, Chen Ge fechou a porta suavemente. Fedor provavelmente não queria que muitos vissem aquela cena.

No dormitório apertado e sujo, restaram apenas Fedor e Chen Ge. Em silêncio, parado ao lado da porta, Chen Ge deixou que Fedor extravasasse suas emoções. Sentia que deveria estar ali, acompanhando aquela criança naquele momento.

O fedor no quarto era capaz de enlouquecer um vivo. Fedor ficou descontrolado por um bom tempo até finalmente se acalmar, mas seus olhinhos já haviam mudado: as pupilas estavam cheias de vasos sanguíneos pretos e vermelhos.

Com as mãos gordas, Fedor agarrou o armário e, lentamente, abriu suas portas.

Para surpresa de Chen Ge, porém, o odor no quarto não se intensificou, e do armário não caiu o corpo de um adulto envolto em filme plástico.