Capítulo 846 – O Terceiro Caminho
Chen Ge salvou o vídeo em que punia os valentões no celular de Lin Sisi. Ele não temia deixar provas; precisava que todos naquela escola soubessem que havia alguém disposto a se levantar contra o bullying escolar.
Para tornar o vídeo mais convincente e realista, Chen Ge escolheu cuidadosamente o ângulo de gravação. Ele não filmou seus próprios funcionários, apenas a si mesmo e os valentões. Quem não soubesse a verdade, ao assistir ao vídeo, provavelmente pensaria que Chen Ge estava lutando sozinho contra vários valentões, em uma desvantagem numérica.
Após a gravação, todos os valentões estavam no chão, olhando para Chen Ge com medo nos olhos.
— Dessa vez, vocês aprenderam a lição? — Chen Ge não deu mais atenção aos valentões. Largou a mochila, deitou-se no chão para sujar a roupa de poeira, rasgou o casaco e a barra da calça e, por fim, passou o sangue de outra pessoa em si mesmo.
— Um herói sempre precisa ser trágico.
Os funcionários ao redor já estavam acostumados, apenas sentiam pena dos valentões. Era azar deles terem encontrado o patrão.
Guardando os funcionários, Chen Ge se apoiou na parede e voltou pelo caminho de onde viera. Precisava ir ao consultório médico.
Não correu muito; ao virar uma esquina, um garoto esbarrou de frente com Chen Ge.
— Um aliado dos valentões? — Não importava quem fosse, Chen Ge, ao ser atingido, recuou para trás, criando distância.
— Chen Ge!
Diante de seus olhos, apareceu um rosto redondo e rechonchudo. O rapaz era de aparência comum, com um leve ar infantil, e seus olhos estavam cheios de preocupação.
— Li Bing? — Esse garoto era o colega de carteira de Chen Ge. Antes, quando outras crianças o intimidavam, ele sempre ficava em silêncio. Para evitar ser alvo, mesmo quando se comunicava com Chen Ge, só o fazia por bilhetes. — Por que você veio?
— Eu... — Li Bing viu o estado deplorável de Chen Ge: roupas rasgadas, rosto sujo e manchas de sangue. Entrou em pânico: — Desculpa, desculpa!
— Do que você está se desculpando? Não tenho tempo para conversa fiada. Se não é aliado dos valentões, saia da frente. — O sol de sangue que envolvia a escola assombrada estava mudando, e Chen Ge precisava ir ao consultório médico com urgência.
— Vim para te ajudar! Já avisei o professor! — O olhar de Li Bing era firme, e a mudança nele surpreendeu Chen Ge. — Só posso ajudar até aqui. Espero que você não provoque mais eles. Esses caras têm contato com marginais de fora da escola, são muitos, e têm amigos estudiosos que falam por eles com os professores. Se continuar assim, vai se dar mal.
— Agradeço por ter se levantado para me ajudar, mas há coisas com as quais não vou ceder. — Chen Ge, fraco, encostou-se na parede. — Sou teimoso: certo é certo, errado é errado. Se está errado, não posso fingir que está certo só para seguir a maioria.
— Não estou mandando você seguir a maioria! Estou te ensinando a viver melhor nesta escola! — Li Bing falou com sinceridade, e Chen Ge entendia sua boa intenção.
— Você tem razão, mas alguém precisa se levantar. — ChenGe limpou o sangue na gola da camisa, com a voz um pouco rouca. — Enfrentar grupos de valentões, defender os oprimidos. Todo mundo sabe que é uma tarefa ingrata e que não traz benefícios. Por que se arriscar pela vida dos outros? Mas já pensou em uma coisa? É exatamente porque todo mundo pensa assim que aquela minoria de valentões com mentes distorcidas age com tanta impunidade!
A voz de Chen Ge foi aumentando: — Sempre acreditei que o coração humano é bom, que a maioria das pessoas não tem maldade. Mas, se os bons são a maioria, por que são oprimidos por um punhado de canalhas?
Li Bing abriu a boca, sem saber o que dizer.
— Vou te dar a resposta: porque a bondade é facilmente confundida com covardia. Ninguém ousa se manifestar, ninguém ousa se levantar, e por isso esses canalhas agem sem lei. — Chen Ge pegou a mão de Li Bing e a colocou sobre seu próprio peito, onde havia manchas de sangue de marginais de fora da escola. — Nós, os bons, somos a maioria. Só não ousamos nos levantar. Precisamos de alguém para dar o exemplo.
Li Bing finalmente entendeu a intenção de Chen Ge: — Então você provocou os valentões da sala de frente?
— Não importa quando ou onde, o bullying está errado. Eles não percebem o erro, então eu os lembro do meu jeito. — Chen Ge segurou o ombro de Li Bing. — Não posso cair. Preciso mostrar a todos que os valentões não são nada demais, que não precisamos ter medo deles! Todos podem se levantar, criticá-los corajosamente, desprezá-los! Se todos tiverem essa consciência, o bullying será impedido antes mesmo de acontecer!
Para ser sincero, Li Bing já não ouvia direito o que Chen Ge dizia. Só sentia que suas palavras faziam sentido, aquecendo o sangue em suas veias.
— Os valentões são quatro. Desta vez, você se levantou para me ajudar. Se outros alunos fizerem o mesmo, quantos virão me ajudar? Não somos muito mais numerosos que os valentões?
Li Bing assentiu com força. Talvez ainda não ousasse enfrentar os valentões de frente para ajudar Chen Ge, mas pelo menos sua visão já havia mudado.
— Vamos. Venha comigo a um lugar. — Chen Ge queria levar Li Bing ao consultório médico. Tinha um plano muito bom em mente.
— Aonde? O professor deve vir logo, e aqueles que te intimidaram...
Antes que Li Bing terminasse, Chen Ge lhe entregou o celular de Lin Sisi: — Desta vez, eu venci. Se um dia eu cair, espero que você também não se curve a eles.
Depois de ver o vídeo e olhar para as roupas sujas e manchadas de sangue de Chen Ge, Li Bing realmente vacilou. Sua vontade desesperada foi quebrada, e uma centelha de esperança brotou em seu coração.
Os dois correram juntos para o consultório médico. Não havia nenhum aluno no corredor, apenas alguns funcionários da escola apressados.
— Vamos entrar juntos? — Chen Ge levou Li Bing para o consultório e foi direto até a cama de Yan Fei. — Debaixo do pano branco está Yan Fei.
Li Bing sentia um pouco de culpa em relação a Yan Fei. Hesitou por um tempo antes de levantar o pano.
Ao ver Yan Fei na cama, Li Bing repetiu "desculpa" várias vezes.
O que chamou a atenção de Chen Ge foi que Yan Fei, que antes não reagia a nada, ao ver Li Bing, mexeu os dedos e lentamente desviou o olhar para ele.
— Os dois já foram grandes amigos.
O tempo era curto. Chen Ge não perdeu tempo e pegou o celular de Lin Sisi, abrindo o vídeo para Yan Fei assistir.
— Eles nunca mais vão te intimidar. — Chen Ge repetiu para Yan Fei o que havia dito a Li Bing. Esperava que Yan Fei o entendesse, porque esse era o caminho que ele havia escolhido — um caminho completamente diferente do do Pintor e de Chang Wenyu.