Capítulo 851: Capítulo 851 Capítulo 831 Encontro

Capítulo 831 Encontro

A escola mal-assombrada já estava diferente de antes. Todas as criaturas escondidas nas sombras tinham saído, como se soubessem que sua chance havia chegado.

— Professor Bai, posso perguntar uma coisa? A mulher que deixou a marca em você, ela te deu alguma pista? — Zhou Tu estava pálido, precisando descansar a cada frase que dizia.

— Não conheço Chang Wenyu, muito menos sei como ela deixou uma marca em mim. — Chen Ge não queria continuar esse assunto e acelerou o passo em direção à biblioteca.

— Está guardando segredo de nós? — Zhou Tu, carregado nas costas por Zhang Ju, estava se dissipando lentamente, e parecia que mal conseguiria chegar à biblioteca.

— Pense o que quiser... — Chen Ge seguiu em frente de cabeça baixa, mas depois de alguns passos, franziu a testa de repente.

Ele realmente não conhecia Chang Wenyu e não estava escondendo nada, mas a forma como Zhou Tu falava dava a entender que Chen Ge estava deliberadamente omitindo algo.

Zhou Tu vinha dando informações a Chen Ge o tempo todo, e aquela era a primeira vez que fazia uma pergunta. E a primeira pergunta era sobre Chang Wenyu.

Para os outros, isso parecia normal, e Chen Ge não deu importância no início, mas quanto mais pensava, mais estranho achava.

— Coincidências se acumulam em coincidências, formando um acidente. O processo todo parece não ter problema, mas sinto que algo está errado. — Chen Ge refletiu em pensamento: — Zhou Tu ainda tem muitos segredos, mas pelo visto, não tem mais tempo para revelá-los.

O Pintor era o culpado por seu sofrimento. Se ele realmente odiasse tanto o Pintor, deveria contar tudo relacionado a ele, em vez de fazer perguntas.

Talvez tenha sido apenas um ato inocente, mas Chen Ge não podia deixar de prestar atenção.

A biblioteca ficava perto do prédio administrativo. Chen Ge e os outros chegaram sem grandes percalços, seguindo pela grama até a entrada da biblioteca.

— Já estive aqui antes. A porta da frente fica trancada o ano todo; para entrar, só pelo lado ou pulando uma janela. Droga, essas lembranças ruins voltaram. — Zhang Ju tinha uma péssima impressão de Chang Wenyu, já que foi ela quem o traiu, destruindo a única esperança que ele tinha.

Com Zhang Ju guiando, eles conseguiram arrombar a porta lateral da biblioteca e entrar.

A biblioteca do campus leste parecia muito velha. O prédio parecia apenas um enfeite; raramente alunos ou professores iam até lá.

— Parece que se passou muito tempo, mas aqui dentro não mudou quase nada. É como se ela tivesse arrancado meu olho esquerdo ontem. — Zhang Ju ia na frente, seu casaco já estava quase todo manchado de sangue. — Eu andei por este caminho com ela. A rigor, ela foi meu primeiro amor. Este era o nosso lugar de encontro.

Com um sorriso amargo no rosto, Zhang Ju passou os dedos pelas estantes ao lado: — Quem escolheria uma biblioteca à meia-noite para um encontro? Eu deveria ter percebido. Ela nunca gostou de mim, só estava me usando.

— Isso não é certeza. O local do encontro não significa nada. — Chen Ge andava lado a lado com Zhang Ju na frente. — O professor já passou por isso. Já tive encontros em escolas abandonadas à meia-noite, hospícios, depósitos de cadáveres subterrâneos, e ela ainda me ama profundamente.

— A pessoa com quem você se encontrava também era Chang Wenyu? — Zhou Tu olhou com dúvida. Ele não terminou a frase, mas seu olhar se movia entre Chen Ge e Zhang Ju: — Além dela, não consigo pensar em ninguém que frequentaria lugares assim.

Não teria sido nada, mas com o comentário de Zhou Tu, Zhang Ju parou, olhou para Chen Ge de cima a baixo e balançou a cabeça: — Impossível. Aquela mulher não tem emoção nem capacidade de amar. Ela é um monstro.

Irritado, Zhang Ju andou alguns passos à frente sozinho.

A biblioteca à meia-noite era muito silenciosa. Só se ouviam os passos e as batidas do coração dos companheiros.

O prédio era selado, com portas e janelas fechadas, mas não havia cheiro estranho, diferente do lado de fora.

— Atravessando esta estante, subindo nela e pisando no parapeito ao lado, dá para chegar ao segundo andar sem usar a escada. — Zhang Ju se lembrava vividamente daquela noite, sem esquecer nenhum detalhe, tudo gravado em sua mente.

— Por que não vamos direto pela escada? — Zhu Long sentiu que Zhang Ju estava de mau humor e falou baixo.

— Na época, também perguntei a ela. Ela disse que tinha uma porta de ferro na escada, cheia de entulho na frente, impossível de passar para o segundo andar. — Zhang Ju foi o primeiro a subir na estante: — Nunca desconfiei dela, então não fui ver o corredor. Que tal irmos dar uma olhada agora?

— Vamos encontrar o espelho primeiro. — Chen Ge não queria complicações.

Seguindo as instruções de Zhang Ju, eles chegaram ao segundo andar da biblioteca. Mal tinham andado alguns passos quando ouviram passos no fim do corredor.

— De novo esse som familiar. Naquela noite, também ouvi esses passos. Chang Wenyu me contou uma história sobre o fantasma da biblioteca e até me assustou. Agora, pensando bem, esses passos devem ser do bibliotecário. — Zhang Ju fez sinal para os outros o seguirem: — Sigam-me e não fiquem para trás. Façam como eu digo e evitaremos conflito com ele.

— O que fazer? O som está cada vez mais perto!

— Estão vendo a porta da segunda sala de leitura? — Zhang Ju apontou para uma porta não muito longe: — A partir de agora, fechem os olhos e andem de mão na parede até lá. Não importa o que toquem ou ouçam, não abram os olhos até entrarmos por aquela porta.

— Isso funciona? Não é diferente de tampar os ouvidos para roubar um sino?

— Façam o que ele diz. O administrador da biblioteca também é membro do clube de arte. Ele desenha todos que o veem. — Zhou Tu fechou os olhos primeiro, e os outros também confiaram nele.

Só restou Chen Ge. Ouvindo os passos se aproximando, ele fez um gesto para sua sombra e então fechou os olhos.

Os passos se aproximavam. Chen Ge e os outros andavam devagar, de mão na parede, sentindo que a qualquer momento poderiam esbarrar em alguém.

De olhos fechados, tudo era escuridão. O medo vinha como uma maré.

Os passos ficavam mais próximos. A pessoa parecia não notar Zhang Ju e Zhou Tu, mantendo o ritmo, mas ao passar por Chen Ge, os passos pararam de repente.

— Parou ao meu lado?

Chen Ge não abriu os olhos. Continuou andando de mão na parede. Alguns segundos depois, os passos recomeçaram, indo em direção ao fim do corredor.

Ao abrir a porta da segunda sala de leitura, Chen Ge respirou fundo.

— Tudo o que vocês passaram, eu passei naquela noite. Parece que a história está se repetindo. — Zhang Ju fechou a porta da sala depois que todos entraram: — Se não houver imprevistos, o espelho está escondido atrás da última estante.

A verdade finalmente seria revelada, mas antes que Chen Ge pudesse ir até lá, uma figura familiar saiu de trás da última estante.

— Eu sabia que vocês encontrariam este lugar. — A figura segurava uma mochila velha e grande, com a cabeça baixa e um pouco corcunda.