Capítulo 820: Capítulo 820 Capítulo 801 A morte dela tem relação comigo

Capítulo 801: A morte dela tem a ver comigo

O elevador de carga subiu lentamente e parou no sexto andar. A porta prateada se abriu diante de Chen Ge, e o ar frio do ar-condicionado entrou no elevador. A temperatura dentro deste prédio de laboratórios era bem mais baixa que lá fora.

A luz brilhante refletia nos azulejos do chão. O corredor estava muito limpo, sem nenhum lixo à vista.

"O prédio de laboratórios do campus leste parece ser assim também, só que lá as luzes estavam apagadas."

Chen Ge olhou para o vidro na porta, que refletia sua própria imagem.

"Parece que já estive aqui, mas não me lembro de nada." Zhang Ju ergueu levemente a cabeça e também viu seu próprio rosto no vidro. O fogo havia queimado sua pele, deixando-a irregular; só de olhar já causava desconforto.

Ele esfregou a cabeça, como se estivesse tentando se lembrar de algo.

"Se não consegue lembrar, tudo bem. Às vezes eu também tenho essa sensação: chego num lugar estranho, nunca estive antes, mas parece familiar, como se tivesse sonhado com ele." Chen Ge colocou a mão no ombro de Zhang Ju. A palma quente e firme dissipou a inquietação no coração do garoto.

"Obrigado, professor. Estou bem, mas parece que realmente estive aqui." Zhang Ju acrescentou: "Não foi em sonho, foi na realidade. Ainda me lembro vagamente de algumas coisas na mente; são como um grande pedaço de carne queimada, e preciso cavar fundo na superfície ensanguentada para vê-las."

"Sua metáfora é bem vívida." Chen Ge percebeu que Zhang Ju era diferente das outras crianças; por algum motivo, sua memória havia preservado muitas coisas. "Vamos, primeiro vamos à sala de dissecação."

Chen Ge pediu que Zhang Ju liderasse o caminho. O grupo encontrou a sala de dissecação no fundo do corredor.

"As luzes estão apagadas, não tem ninguém lá dentro." Zhu Long espiou pela janela da porta da sala de dissecação. Aproveitando a luz do corredor, ele conseguia ver as frias mesas de metal para dissecação dentro da sala.

Só de olhar para elas, seu corpo começava a tremer levemente, como se fosse um instinto.

"Professor Bai, vamos entrar?" Zhou Tu sentia-se um pouco irritado: "Se não voltarmos logo, não vai ter mais água quente no banheiro."

"Esperem!" Quem falou não foi Chen Ge, mas Zhu Long, que estava debruçado na porta: "Já que estamos aqui, por que não entrar e dar uma olhada?"

"A porta está trancada. Vamos procurar o administrador agora? Dizer a ele que queremos entrar na sala de dissecação para buscar fenômenos sobrenaturais? Para de brincadeira, ok?" Zhou Tu sentia que o clube que havia entrado não era normal. Ele mordeu a ponta da língua com força; na verdade, desde que entrou naquela escola, sentia-se muito inquieto. Ter o mesmo sonho por vários dias seguidos já o atormentava profundamente.

Diante dos outros, ele sempre fingia estar calmo, se disfarçando, mas na verdade já estava à beira do colapso.

"Escola estranha, e um clube ainda mais estranho."

"Não precisa incomodar o administrador. Eu tenho a chave." Chen Ge tirou um grande molho de chaves do bolso: "Meus poderes são maiores do que vocês imaginam."

Os membros do clube não esperavam que Chen Ge tivesse tantas chaves. Ficaram muito surpresos, e ninguém notou que os números nas chaves eram diferentes dos do campus oeste, e algumas até tinham manchas de sangue.

Chen Ge ficou de costas para os alunos, bloqueando a porta com o corpo. Com uma mão, ele balançou o molho de chaves, fazendo barulho; com a outra, pegou o bisturi e o arame que havia tirado da sala de ferramentas.

Desde o início, ele não planejava usar a chave para abrir a porta. Por causa da sua profissão, já viu muitas fechaduras e visitou muitas escolas; tinha bastante confiança em arrombar fechaduras.

Depois de um minuto, Chen Ge começou a suar na testa.

"Professor Bai, você esqueceu qual chave é desta porta?" Zhang Ju e Zhu Long se aproximaram. Chen Ge não esperava que a fechadura fosse tão difícil de abrir.

Sem fazer alarde, ele guardou o bisturi e o arame e, antes que os membros do clube se aproximassem, enfiou uma chave grande no buraco da fechadura.

"O buraco da fechadura está entupido. Vou abrir a porta primeiro e amanhã mando consertar." Chen Ge fez sinal para Zhu Long e os outros recuarem. Olhou ao redor; não havia câmeras, e eles estavam relativamente perto da escada.

"Mandar consertar?" Os membros do clube ainda não tinham entendido o que estava acontecendo quando viram Chen Ge chutar a fechadura.

"Pum!"

A fechadura, já afrouxada por ele, não suportou a força e a porta se abriu com um estalo.

"Zhou Tu, você e o Xiao Wang fiquem do lado de fora. Se alguém vier, digam que são alunos daqui e vieram correndo por causa do barulho." Chenge deu a instrução de passagem e então levou Zhang Ju e Zhu Long para dentro da sala de dissecação.

"O Professor Bai quer assumir a responsabilidade sozinho?" Wang Yicheng sentiu-se um pouco comovido. Aquele homem não parecia ter nada de especial, mas às vezes seus gestos casuais aqueciam o coração.

"Ele quer que a gente fique do lado de fora vigiando para ele, não é? Isso é coisa que um professor faz?" Zhou Tu, apoiando Wang Yicheng, olhou para a porta arrombada.

A sala de dissecação desta escola tinha metade do tamanho da da Faculdade de Medicina Legal de Hanjiang, mas estava equipada com todos os aparelhos, parecendo uma cópia fiel daquela.

"O depósito subterrâneo de corpos fica na Universidade Médica de Hanjiang. Aquela faculdade é uma das missões prévias da Escola Assombrada."

Chen Ge pensava na conexão entre a escola mal-assombrada e as missões prévias. Só se distraiu por um momento e, ao virar a cabeça, percebeu que o estado mental dos dois membros do clube havia mudado.

Zhu Long estava ao lado da mesa de dissecação da primeira fila. Seus dedos deslizavam suavemente pela superfície fria de metal, como se acariciassem a pele de um amante, com o olhar meio vago.

Zhang Ju estava perto da janela. Ele abriu a cortina e ficou olhando fixamente para a moldura de espelho escondida atrás dela.

"Por que tem uma moldura de espelho aqui?" Na sala de reparos do prédio de funcionários do campus leste, Chen Ge tinha visto vários espelhos manchados de sangue. Ele percebeu que, nesta escola, os espelhos tinham um significado especial. "Por que não tem a superfície do espelho?"

"Em salas de dissecação não é permitido colocar espelhos. A superfície deve ter sido removida." Zhang Ju falou sem pensar.

"Então como você sabia que havia uma moldura de espelho aqui?"

"Eu não sabia." Zhang Ju balançou a cabeça, e sua voz foi ficando mais alta: "Eu não sei, realmente não sei. Só... quando abri a cortina, vi."

"Está bem, eu acredito em você." Chen Ge segurou suavemente o ombro de Zhang Ju: "Não tem problema."

Metade do rosto de Zhang Ju era coberta por cicatrizes. Quando ele se emocionava, sua expressão era assustadora, mas Chen Ge não soltou a mão.

Ele sentiu outra emoção naquele garoto apavorado: culpa. Por trás da expressão terrível de Zhang Ju, escondia-se um coração sem lugar para pertencer.

Chen Ge não sabia o que havia acontecido com ele, mas sabia que o cadeado que prendia a memória do garoto estava se soltando lentamente por causa da moldura de espelho em sua mão.

"Pela cor e pelos padrões da moldura, a dona do espelho provavelmente era uma garota." Muitas pistas na mente de Chen Ge estavam se entrelaçando lentamente. Ele lembrou da história que Zhang Ju havia contado; parecia que o garoto tinha testemunhado um assassinato.