Capítulo 816: Capítulo 816 Capítulo 797 Posso te levar até lá

Capítulo 797: Posso te levar até lá

A Sociedade de Pesquisa de Fenômenos Sobrenaturais de Chen Ge já tinha quatro membros: Wang Yicheng, que tinha problemas nas pernas; Zhang Ju, com o rosto desfigurado; Zhou Tu, que procurava o clube de arte; e Zhu Long, de temperamento impulsivo, que vivia brigando com os outros.

Cada membro tinha uma personalidade marcante. Se Chen Ge fosse realmente um professor da escola, o clube deles seria com certeza muito interessante.

Infelizmente, não era o caso. Chen Ge queria obter informações úteis deles, mas não pretendia usar aqueles jovens de forma totalmente egoísta.

Dentro do possível, Chen Ge ajudaria aqueles alunos a recuperar as memórias perdidas e tentaria levá-los consigo para sair dali.

Atravessando a praça, os membros da Sociedade de Pesquisa Sobrenatural se reuniram.

Eles se olharam, e um pensamento nada educado surgiu em suas mentes: aquele clube era como um orfanato, todos os membros eram alunos que nenhum outro clube queria.

— Professor Bai, não me diga que isso é tudo que temos no clube. — Zhou Tu queria originalmente entrar no clube de arte, mas acabou entrando nesse por engano. Sentia que tinha sido enganado.

O clima ficou estranho. Wang Yicheng e Zhang Ju, que tinham deficiências físicas, desviaram o olhar, sem ousar responder. Zhu Long, por outro lado, parecia não se importar e até ficou mais curioso sobre o clube.

— Você acertou, mas sugiro que cuide do seu tom. Com o tempo, você vai descobrir que sorte é ter entrado neste clube. — A voz de Chen Ge transbordava orgulho. — Cada pessoa aqui foi convidada por mim pessoalmente. Cada uma é única. Meu clube não precisa de pessoas comuns; só os extraordinários podem entrar.

Zhou Tu ouviu as palavras de Chen Ge e revirou os olhos. Se já não tivesse assinado o formulário de inscrição, teria ido embora na hora.

— Sei que vocês ainda não acreditam no que digo e duvidam do propósito do nosso clube. — O olhar de Chen Ge percorreu os alunos. — Não sou do tipo que convence com palavras. Quando as atividades do clube começarem, vou usar os fatos para mostrar a vocês o mundo real.

A expressão séria de Chen Ge não parecia brincadeira. Os alunos se calaram.

— Antes de mostrar a vocês o verdadeiro mundo, quero fazer uma pergunta: como é o mundo aos olhos de vocês? — Chen Ge queria entender o passado daquelas crianças e ver se conseguia encontrar pistas em suas memórias.

Wang Yicheng foi o primeiro a falar, contando sua história novamente. Depois veio Zhu Long, e então foi a vez de Zhang Ju.

Antes do ensino médio, Zhang Ju era apenas um garoto comum: estudava muito, queria entrar numa boa universidade. Sua vida já estava traçada, até o dia em que o vestibular terminou.

Naquela noite, ele foi cantar com os amigos. O karaokê pegou fogo, e Zhang Ju ficou preso com os amigos na sala VIP.

Quando foi resgatado, o rosto e o couro cabeludo estavam queimados, deixando cicatrizes horríveis.

Zhang Ju ficou em casa por dois meses, fazendo terapia e tratamento. Depois de se reerguer, decidiu enfrentar a si mesmo e se matriculou na universidade.

A história era inspiradora, mas Chen Ge percebeu algo estranho.

— Você se lembra do que aconteceu quando estava internado? — Em teoria, essa memória deveria ser uma ferida profunda para Zhang Ju, mas ele a contou sem qualquer emoção, como se fosse algo que tivesse acontecido com outra pessoa e ele fosse apenas um espectador.

Sobre o período de internação, Zhang Ju falou de forma fragmentada. Chen Ge percebeu que ele não estava escondendo nada de propósito; realmente não se lembrava.

— Zhang Ju sofreu o acidente nas férias depois do vestibular. Antes, quando Wang Yicheng contou sua história, as memórias daquelas últimas férias eram muito vagas. Zhu龙 também.

Chen Ge olhou para os jovens à sua frente e teve um palpite. Aqueles alunos não tinham simplesmente esquecido o que aconteceu no último verão; eles tinham morrido naquelas férias.

O apego trouxe todas as memórias, tanto as boas quanto as amargas, preservando tudo. Por isso eles se lembravam de tantas coisas do passado, mas justamente se esqueciam daquele verão.

— Professor Bai, você não está se sentindo bem? — Zhou Tu era esperto e sabia ler as expressões. Percebeu que Chen Ge ficou pálido depois de ouvir as histórias dos alunos e logo perguntou: — Que tal encerrarmos as atividades do clube por hoje? O senhor pode descansar mais cedo.

— Já sei o passado deles. E você? — A expressão de Chen Ge voltou ao normal.

— Sou muito comum. Só estudo, desenho, como e durmo. Nunca namorei. Não tenho nada para contar. — Zhou Tu abriu as mãos. Sentia que era o mais normal daquele grupo.

— Você não me disse que anda tendo o mesmo sonho repetidamente?

— Preciso falar disso aqui? — Zhou Tu claramente não queria compartilhar seu segredo com tanta gente.

— Não vou forçá-lo. Se achar que pode contar, conte. Se não, tudo bem.

— Não é que não possa... — Zhou Tu ainda queria usar Chen Ge para encontrar o clube de arte. Para ele, aquela estranha Sociedade de Pesquisa Sobrenatural era só um trampolim. — Cheguei ao campus cedo. Desde que me mudei para o dormitório, toda noite tenho o mesmo sonho: estou sentado num estúdio de pintura, com as paredes cobertas de quadros a óleo. O clima é muito pesado. Ao meu redor, há outras doze pessoas, e todas estamos pintando.

— Estúdio de pintura a óleo? Com treze pintores? — Chen Ge imediatamente pensou na cena que viu no prédio do laboratório noturno. Percebeu que tinha encontrado um tesouro. Zhou Tu sonhar com aquilo significava que ele provavelmente já tinha estado naquele lugar, talvez até criado uma pintura, mas, por algum motivo, tinha esquecido tudo.

— Sim. O sonho está cada vez mais nítido, como se eu tivesse vivido aquilo, mas não me lembro de nada. — Zhou Tu baixou a cabeça devagar. — Essa sensação é horrível. Toda manhã, ao acordar, pego um lápis e tento recriar o sonho. Tento desenhar o que vi, mas não tenho materiais de pintura a óleo. Por isso queria tanto entrar no clube de arte.

Depois de ouvir Zhou Tu, Chen Ge assentiu. Pensou por um momento e disse:

— E se eu dissesse que já vi o cenário que você sonha? Você acreditaria?

— O senhor viu?

— Sim, bem nesta escola! — Chen Ge foi enfático. — Se você realmente quiser ir, posso te levar até lá, mas você precisa aceitar uma condição.

— Que condição? — A voz de Zhou Tu mudou. Só ele sabia o quão incrível aquele sonho era.

— De agora em diante, você precisa me obedecer. Essa é a condição para eu te levar até lá.