Capítulo 785: Mentor de "Vida" "Muro? Para que ir lá?" Há pouco, a sombra teve várias chances de matar Chen Ge facilmente, mas não o fez, e já havia uma confiança básica entre os dois. A sombra não respondeu à pergunta de Chen Ge; parecia também hesitar se deveria levá-lo até lá. O lugar para onde iria em seguida parecia ser um esconderijo que ele havia preparado especialmente para si mesmo. "Se achar que não é conveniente responder, pode recusar. Somos parceiros, amigos, não precisa ter tantas preocupações." Chen Ge falou com naturalidade, com uma expressão relaxada. A sombra estava parada à frente de Chen Ge, solitária. Não era alta, tinha um corpo magro e parecia frágil. Desde que entraram na escola, era a primeira vez que alguém dizia essas coisas à sombra. Ele encarava Chen Ge, sem nenhuma tentativa de se esconder. Introvertido, covarde, inferiorizado, fechado — a sombra era diferente das outras crianças da mesma idade. Não se via nela nenhum traço de vitalidade, como se já tivesse passado por muitas coisas desagradáveis antes de entrar na escola. As palavras de Chen Ge fizeram a sombra recordar algumas coisas. As memórias em sua mente eram em sua maioria cinzentas; cada vez que pensava nelas, era como se sua cabeça fosse mergulhada em água turva, areia e lodo entrando em sua boca, nariz e ouvidos. Não era dor, apenas uma sensação de opressão. "O que está pensando? Vamos. Ficar muito tempo no mesmo lugar pode trazer coisas ruins." Chen Ge deu um tapinha no ombro da sombra, mas seus dedos atravessaram o corpo dela e caíram sobre o peito. Ele não se importou, como se já estivesse acostumado com tudo isso. Andando em passos largos, Chen Ge expôs suas costas à sombra, sem qualquer precaução. Olhando para as costas de Chen Ge, a sombra ainda não conseguia acreditar que um dia um substituto e um fantasma original pudessem cooperar. "Onde fica esse muro que você disse?" Chen Ge caminhou por mais de dez minutos na direção que a sombra apontou, mas ainda não viu o limite da escola. O terreno era absurdamente grande. A sombra insistia para que Chen Ge acelerasse o passo. Eles andaram por mais cinco minutos entre as árvores, até que Chen Ge percebeu, surpreso, que parecia ter voltado ao ponto de partida. "Assombração? Como é que essa vegetação ficou tão densa? Parece que todas as árvores se conectaram?" Dizer que era assombração não era bem adequado. Chen Ge estava no campus leste, mas conseguia ver os prédios altos do campus oeste. Ele e a sombra caminharam por muito tempo em direção ao campus oeste, mas os prédios ainda pareciam nebulosos, como se estivessem escondidos em meio a uma névoa espessa. "Tem certeza de que não errou o caminho?" A sombra também percebeu que algo estava errado. Ela se posicionou de lado atrás de uma árvore, sua silhueta magra balançando com o vento noturno, como se fosse se desfazer a qualquer momento. "Irmão? Você está bem?" A sombra parecia estar percebendo algo. Quando retirou a mão, fez sinal para Chen Ge recuar e não avançar mais. "Há um espírito maligno por perto? Ele é forte? Comparado a você, como é?" Chen Ge fez várias perguntas, mas a sombra não respondeu a nenhuma. Ela se moveu para trás, recuando enquanto garantia que Chen Ge estivesse a menos de dois metros dela. "Parece que realmente há algo na floresta." Chen Ge enxugou o suor da testa. Até os arbustos à beira do caminho eram inseguros; ele ganhou uma nova compreensão da escola: "Espero que não seja um de vermelho, ou meio vermelho." Enquanto Chen Ge e a sombra recuavam lentamente, um som fraco veio da escuridão no fundo da floresta: "Me salve..." Era a voz de uma garota, parecendo ter pouco mais de dez anos. "Alguém está pedindo socorro. Essa voz te parece familiar? Você a conhece?" Chen Ge se aproximou da sombra; não era bom se afastar sozinho naquele momento. A sombra assentiu levemente e depois apontou para os ouvidos de Chen Ge, como se quisesse dizer para ele tapar os ouvidos e não ouvir a voz da garota. "Me salve, me salve, por favor..." Mesmo tapando os ouvidos, a voz da garota ainda ecoava na mente, e ficava cada vez mais clara, como se ela estivesse se arrastando lentamente para perto. "Ela parece estar sofrendo. Que tal irmos ajudá-la?" Chen Ge tirou um prego pontiagudo do bolso e o escondeu na palma da mão. A sombra não entendia a intenção de Chen Ge: por que ele dizia que queria ajudar, mas já tirava um prego na primeira oportunidade? Ele balançou a cabeça ingenuamente e gesticulou quatro palavras: perigo, fuja. "Ela está vestindo uma roupa de sangue ou uma roupa comum?" Chen Ge perguntou enquanto recuava. A sombra não entendia o que Chen Ge queria fazer, mas respondeu honestamente com quatro gestos: roupa comum. "Se não é um de vermelho, acho que vale a pena ajudá-la." Chen Ge parou e contou os pregos no bolso: "Uma garota pedindo ajuda a estranhos em um lugar deserto, com certeza está em apuros. Como podemos ignorar?" "Me salve, não vá, por favor, me salve..." A voz da garota soava muito triste e fraca, e ficava cada vez mais nítida. Chen Ge e a sombra não estavam recuando devagar, mas ela ainda conseguia alcançá-los, o que já dizia algo. "Ouviu? Essa criança parece tão sofrida. Se pudermos ajudar, vamos tentar." Chen Ge colocou a mochila nas costas e escondeu um prego em cada mão. A sombra, vendo que Chen Ge ia ajudar a garota, ficou desesperada e gesticulou repetidamente duas palavras: perigo. "Eu sei que é perigoso, mas alguns riscos valem a pena." Chen Ge não fugiu; pelo contrário, olhou para o fundo da floresta e gritou: "Onde você está? Se está ferida, fique aí, não se mexa! Já estou indo!" A sombra viu Chen Ge responder ao pedido de socorro da garota e sua forma se desfez, parecendo muito ansiosa e assustada. Ela queria ir embora sozinha, mas hesitava, e acabou se enfiando na sombra de Chen Ge. "Algumas coisas não podem ser evitadas. Mesmo que haja apenas uma chance em mil de que a garota esteja realmente ferida, devo verificar a situação, porque agora ela só pode contar comigo. Muitas tragédias poderiam ser evitadas." Chenge falou alto, o suficiente para ser ouvido por quem estivesse a alguns metros de distância. Chen Ge parou no lugar. Após apenas alguns segundos, um braço pálido emergiu da grama. "Me salve, por favor, não vá, me ajude..." "O que aconteceu com você? Como posso ajudar?" Chen Ge perguntou em voz baixa. "Yuan Ming enlouqueceu, ele realmente enlouqueceu. Eu queria terminar com ele, ele ameaçou se matar, depois me chamou para este bosque, dizendo que queria conversar uma última vez. Nós discutimos, e agora ele quer me matar! Ele está chegando! Me salve, me salve, por favor?" A voz da garota parecia muito fraca, como se estivesse perdendo muito sangue, e sua respiração estava difícil. "Ainda tem outro?" Chen Ge continuou parado no mesmo lugar: "Então vou chamar a polícia e depois levar você para encontrar um professor da escola, ok?" "Sim, obrigada. Não consigo mais me arrastar. Você pode vir me dar uma mão?" A garota implorou com a voz embargada. "Tudo bem." Chen Ge escondeu bem os pregos na palma e se aproximou lentamente do braço pálido. Assim que estendeu a mão, o braço se agarrou violentamente à palma de Chen Ge! Era uma mão decepada! Na grama, só havia aquele braço! "Me ajude! Me ajude! Tire-me daqui, rápido!"