Capítulo 795: Capítulo 795 Capítulo 777 Sala de Plantão

Capítulo 777: Sala de Plantão

“No elevador, além de mim, havia outra coisa. Foi ela quem apertou o número 3 no painel de controle.”

Um fedor intenso jorrou de trás, como uma mão invisível apertando Chen Ge.

Sua respiração ficou difícil. No elevador vazio, onde só ele estava, ouviu-se de repente o som de um carrinho deslizando.

O atrito áspero das rodas contra o piso metálico dava a sensação de que alguém empurrava um carrinho para lá e para cá dentro do elevador.

“Usei a Visão Yin para olhar. Não há pessoas, nem espectros ferozes neste elevador, muito menos um carrinho. Será que encontrei algo que nem a Visão Yin consegue ver?”

A Visão Yin veio do celular preto e foi reforçada algumas vezes, incluindo uma vez em que Zhang Ya soprou uma aura yin nos olhos de Chen Ge. Essa habilidade já era muito poderosa e basicamente não havia chance de falhar.

“O que está atrás de mim?”

Para descobrir a verdade, o jeito mais simples era olhar para trás, mas Chen Ge conhecia bem o ditado de que a curiosidade mata o gato. Ele rangeu os dentes e manteve o corpo imóvel.

O fedor ficava mais forte. O cheiro não se sabia de onde vinha, mas envolvia Chen Ge, forçando-se para dentro do seu corpo.

A cabine do elevador era grande, mas, conforme ele subia, Chen Ge sentia o espaço ao redor ficar apertado, e a respiração, cada vez mais difícil.

“No elevador vazio, por que sinto como se estivesse cheio de gente?”

ChenGe mantinha a cabeça baixa, olhando de soslaio para o painel de controle. Ele não ousava desviar o olhar, com medo de ver algo que não deveria.

“Que lento…”

Na cabine fechada do elevador, sem para onde fugir, tudo que Chen Ge podia fazer era esperar.

Sob seu olhar, o número no visor do elevador finalmente mudou. O “1” vermelho virou “2”.

Uns meros segundos pareceram uma noite interminável para Chen Ge.

“A porta do elevador vai abrir!”

Todos os músculos tensos, Chen Ge temia que o elevador não abrisse no segundo andar, mas subisse direto para o terceiro.

O elevador, subindo lentamente, tremeu levemente, e então um som suave veio do visor. O elevador parou.

A porta prateada se abriu lentamente. No mesmo instante, o fedor intenso avançou sobre Chen Ge, como se quisesse empurrá-lo para o fundo da cabine.

Sem esperar a porta abrir completamente, Chen Ge balançou os braços e deu um pulo para fora do elevador!

Ele andou alguns metros antes de diminuir o passo, parou no corredor e olhou para trás.

A porta prateada do elevador se fechava lentamente. Na cabine vazia, não havia nada. O cheiro irritante também sumiu aos poucos com o fechamento da porta.

“Como pode não ter nada?” Movendo o olhar, Chen Ge, sem querer, varreu o chão do elevador. No piso, era possível ver vagamente manchas, como rostos humanos.

A porta do elevador se fechou completamente. O número no visor externo mudou de “2” para “3”.

“Parece que todos foram para o terceiro andar.” Chen Ge ainda segurava o pequeno adereço que tinha feito, já encharcado de suor: “Ainda bem que não joguei isso na porta do elevador. Se o elevador não subisse, aquela coisa com certeza teria me agarrado.”

Guardando o adereço na mochila, Chen Ge olhou para o elevador ainda assustado: “Quando for embora, é mais seguro pular pela janela. O segundo andar não é tão alto.”

Antes de descobrir o que era aquela coisa, Chen Ge definitivamente não pegaria o elevador de novo.

“Foco. Vou seguir o plano.”

Suas pupilas se contraíram. Chen Ge se apoiou na parede e procurou a Sala de Atividades Artísticas.

Ao chegar ao segundo andar, a sensação de inquietação de Chen Ge se intensificou. Aquele prédio era diferente de qualquer outro que ele já tinha visitado.

Ele sentia que havia algo errado no prédio, mas não conseguia dizer exatamente o quê.

No corredor escuro, só se ouvia o som dos próprios passos. Depois de andar alguns metros, Chen Ge encontrou uma sala muito estranha.

“Sala de Plantão?”

“Por que há uma sala de plantão no prédio de laboratórios? Precisa de alguém de guarda à noite? Guardam algo muito valioso aqui?”

Duas perguntas surgiram na mente de Chen Ge: primeiro, por que o prédio de laboratórios tinha uma sala de plantão; segundo, por que ela ficava no segundo andar, e não no primeiro? O plantonista só precisava vigiar o segundo andar?

“Será que ainda tem alguém nesta sala de plantão agora?”

Chen Ge se aproximou sorrateiramente da porta da sala de plantão. Olhou pelo vidro da porta para dentro. A decoração era muito simples: apenas uma cama, uma mesa de madeira, uma cadeira e um guarda-roupa grande o suficiente para dois adultos.

Girou suavemente a maçaneta. A porta não estava trancada. Chen Ge entrou.

“A sala de plantão deve ter informações sobre este prédio. Se eu conseguir confirmar que a Sala de Atividades Artísticas não está neste prédio de laboratórios, vou pular pela janela e ir embora.”

Chen Ge não fechou a porta. Primeiro, foi até o guarda-roupa.

O guarda-roupa era anormalmente grande. Chen Ge temia que houvesse alguém escondido lá dentro, então foi a primeira coisa que verificou.

Com um prego na palma da mão, Chen Ge abriu lentamente a porta do guarda-roupa.

Dentro, havia alguns macacões azuis. Talvez Chen Ge os tivesse tocado sem querer ao abrir a porta, pois eles balançavam suavemente.

“As roupas estão ok, mas por que o lugar com o nome da escola foi arrancado?” Chen Ge examinou todos os macacões e descobriu que todos os padrões e letras que identificavam a escola tinham sido cortados.

“Os funcionários da escola devem usar esse tipo de roupa.” Chen Ge pegou um e colocou na mochila: “Quando for para o campus oeste, posso me passar por um reparador da escola.”

Fechou o zíper da mochila, sem fechar a porta do guarda-roupa, e continuou procurando coisas úteis na sala.

Abriu a gaveta da mesa de madeira. Dentro, havia registros de compras e entregas. Todos os nomes e preços dos produtos estavam representados por símbolos, e Chen Ge não conseguia entender.

“Devo levar o livro de contas também?”

Chen Ge pensou um pouco e desistiu. Aquele livro não lhe seria muito útil e ainda poderia trazer problemas.

Não encontrou nada de útil na sala. Chen Ge fechou a gaveta e se preparou para sair. Mas, ao se virar, notou que o lençol da cama de madeira estava um pouco amassado, como se alguém tivesse se sentado ali.

“Quando entrei, o lençol estava amassado?”

Olhando para a cama de madeira, Chen Ge achou cada vez mais estranho: “Uma cama normal é colocada encostada na parede. Por que esta está bem no meio da sala? Sem encostar em nenhuma parede?”

De pé ao lado da cama, Chen Ge ouviu vagamente alguém murmurando. Olhou para o lençol que caía, apertou o prego e se curvou lentamente.

Estendeu a mão para pegar uma ponta do lençol, agachou-se e olhou para debaixo da cama.

A cama de madeira estava no centro da sala. Debaixo dela, não havia nada.

Suspirou aliviado. Chen Ge ia se levantar, mas seu ombro pareceu tocar em algo.

Olhou de lado e, de repente, viu duas pernas penduradas na cabeceira da cama.

“Quem?!”

Chen Ge se levantou de uma vez, mas não havia ninguém sentado na cama. As duas pernas pareciam só ser visíveis debaixo da cama.

“Não posso ficar aqui.”

Chen Ge pegou a mochila e saiu decidido. Ao fechar a porta da sala de plantão, seus olhos viram claramente que, dentro do guarda-roupa, uma roupa vermelha balançava suavemente.