Capítulo 765: Batidas na Porta (4000)
"Você está pensando demais." O olhar de Chen Ge varreu o saco preto atrás da porta, mas ele não deu a mínima importância àquilo.
Não importava se continha lixo doméstico ou um cadáver, o que isso tinha a ver com ele agora?
Chen Ge sempre esteve lúcido; a primeira coisa que precisava fazer era descobrir sua identidade, entender quem realmente era Lin Sisi.
Do seu ponto de vista, seu corpo e aparência não haviam mudado em nada, e ele não fazia ideia por que Wang Xiaoming e os outros o chamavam de Lin Sisi.
"Talvez Lin Sisi nem seja o nome de uma pessoa, mas um codinome, uma identidade."
"Se você ainda quiser ir ao refeitório mais tarde, pode me chamar para ir junto. Vou voltar primeiro." A expressão de Chen Ge não mudou muito, como se ele não tivesse visto o saco.
"Tá bom." Wang Xiaoming encolheu o corpo para dentro do dormitório, mas de repente pareceu lembrar de algo e gritou para Chen Ge: "Xiao Lin, você dormiu a aula inteira hoje, não sei se ouviu as coisas que o Professor Bai pediu especificamente."
"Que coisas?"
"Não saia do dormitório à noite, fique bem quieto no seu quarto. E o horário de apagar as luzes foi adiantado das onze para as dez e meia. Depois que apagarem, vai ter gente rondando no corredor. Espero que vocês prestem atenção."
"Só isso?" Chen Ge pensou que Wang Xiaoming fosse dizer algo importante. Já fazia um tempo que ele tinha entrado pela porta, mas todas as pessoas e coisas que encontrou pareciam normais—ou melhor, superficialmente normais. A escola era como uma escola noturna comum, sem nada digno de nota.
Wang Xiaoming mordeu o lábio, como se quisesse dizer mais, mas talvez por não ter certeza, não falou mais nada.
A porta se fechou, e Chen Ge ficou sozinho no corredor do dormitório. O silêncio era absoluto, sem nenhum som.
"Ainda não apagaram as luzes, como o corredor pode estar tão quieto? Será que não tem ninguém morando nesses dormitórios dos dois lados?"
Chen Ge pegou a chave na mochila e olhou para a porta do dormitório em frente ao de Wang Xiaoming. Na porta, havia um número: 413.
"Este é o quarto de Lin Sisi?" Fitando o número, Chen Ge sentiu uma familiaridade estranha: "4 representa o quarto andar, 13 representa o quê? O décimo terceiro quarto?"
Chen Ge já tinha visto o número 13 no diário encontrado no subsolo da Academia dos Pesadelos. Lembrava-se claramente: na última página do diário, havia uma frase—"Eu, morte, um-três, Escola Assombrada de Comunicação, fuga."
"O 13 no diário se refere a este dormitório? Não deve ser tão simples assim."
No corredor silencioso, só se ouvia o som da chave sendo inserida na fechadura e girando. Chen Ge tentou várias vezes até encontrar a chave certa.
Ao abrir a porta e ver o interior do dormitório, Chen Ge franziu a testa.
O dormitório não era grande, com seis camas, todas beliches superiores. Embaixo das camas, havia armários, mesas de estudo e várias tralhas.
Só isso não seria problema. O que chamou a atenção de Chen Ge foram as paredes do quarto.
Nas paredes e no teto, havia muitas silhuetas humanas, do mesmo tamanho e forma que pessoas normais. Não dava para saber se eram coladas ou pintadas.
"Um, dois..." Chen Ge contou rapidamente: havia cinco silhuetas humanas no dormitório.
Aquelas coisas eram tão visíveis que era impossível não notá-las.
Por segurança, Chen Ge primeiro subiu pela escada da cama para observar as silhuetas de perto.
Tocou a silhueta mais próxima com o dedo e raspou a parede com a unha: "É pintada com tinta. Quem teria tempo de pintar essas coisas no quarto?"
Aquelas silhuetas do tamanho de pessoas já eram assustadoras com a luz acesa. Se apagassem a luz e ele levantasse a cabeça para ver o quarto cheio delas, não seria ainda mais aterrorizante?
ChenGe passou os olhos por todas as silhuetas e pulou da cama. Sem a ajuda dos funcionários, ele estava mais cauteloso do que nunca.
"São seis camas, mas só tem uma garrafa térmica no quarto e um par de chinelos no chão. Quem realmente mora aqui deve ser só o Xiao Lin."
Chen Ge revistou cuidadosamente os armários e mesas correspondentes às outras camas. Embora estivessem cheios de tralhas, não eram itens de uso diário, mas coisas estranhas.
Por exemplo, pranchetas de desenho, latas de tinta, mãos de gesso quebradas, fios elétricos danificados, etc.
O dormitório parecia um depósito. Só o Xiao Lin morava ali; as outras camas estavam vazias.
"Alunos de escola noturna raramente moram no campus. Xiao Lin tem uma situação financeira difícil, não pagaria a mais para morar na escola. A única possibilidade é que morar aqui seja mais barato do que alugar um quarto fora."
Normalmente, o preço dos dormitórios da escola é muito mais alto do que o de pensões perto do campus. O preço baixo aqui era anormal, só podia significar que o quarto tinha problemas.
O que aconteceu no dormitório onde Xiao Lin morava, Chen Ge não sabia, mas sentia uma urgência inexplicável.
Subiu na cama número quatro, a mais afastada da porta. A cama tinha lençóis e cobertores novos. As outras camas também tinham cobertores, mas estavam cobertos de poeira, sujos demais para usar.
"Se ninguém mora, por que deixar cobertores? Quem usaria cobertores tão sujos?"
Chen Ge sentou na cama quatro e olhou o dormitório de outro ângulo. A sensação era diferente, menos apertada.
"É, esta é a cama do Xiao Lin." Ao lado do travesseiro, havia frases de motivação e uma tabela de horários. Se não fosse naquela escola bizarra, Chen Ge pensaria que Xiao Lin era um aluno exemplar e esforçado.
"Os lençóis foram lavados, têm cheiro de amaciante. O cobertor está dobrado direitinho. Quando eu estudava, raramente via alguém dobrar o cobertor tão bem no dormitório. Xiao Lin deve ser alguém limpo e muito disciplinado." Chen Ge imaginou a personalidade de Xiao Lin.
Na cama quatro, além do travesseiro e do cobertor, só havia livros e canetas.
À primeira vista, Chen Ge pensou que Xiao Lin amava estudar, mas ao folhear alguns, percebeu o problema.
A maioria dos livros relacionados ao curso estava limpa, sem nenhuma anotação, como se fossem novos. Em compensação, os cadernos pessoais de Xiao Lin estavam com as bordas gastas, claramente muito manuseados.
Chen Ge pegou três cadernos escondidos entre os livros didáticos. Eles estavam cheios de adesivos—alguns recortados de jornais, outros de avisos colados no andar de baixo do dormitório, e ainda bilhetes com caligrafias diferentes.
"Isso é..." Ao dar uma olhada, Chen Ge foi imediatamente atraído.
"Homem entra no dormitório durante as férias dos alunos, mas não esperava que alguém ainda estivesse na escola. Ele se esconde no armário e, ao sair de madrugada, é descoberto."
"O corpo é encontrado no armário na manhã seguinte. O assassino ainda não foi preso. Pedimos a todos os professores e alunos que tomem precauções."
Os recortes de jornal eram notícias de assassinatos horríveis, sem endereços detalhados ou nomes específicos.
"Os nomes parecem ter sido cortados de propósito. De onde Xiao Lin conseguiu esses jornais? O papel está amarelado, parece ser de anos atrás."
Os casos registrados no caderno não eram apenas um; incluíam locais como dormitórios, bibliotecas, prédios de laboratórios e elevadores.
"Será que esses casos realmente aconteceram?" Chen Ge folheou o caderno, cada vez mais impressionado: "Este caderno é muito importante."
Enquanto folheava, Chen Ge ficou ainda mais curioso sobre Xiao Lin. Quem era ele? Por que colecionava esses assassinatos bizarros?
Chen Ge colocou todos os cadernos de Xiao Lin na cama. Ele já carregava um na mochila, e agora tinha mais três na cama—quatro cadernos no total.
"O caderno na mochila deve ser para disfarce, sem informações importantes. Os três na cabeceira são provavelmente o maior segredo de Xiao Lin." Chen Ge leu com atenção, decorando o que via.
Chen Ge estava totalmente focado, sem se distrair, mas de repente, alguém bateu na porta.
O silêncio foi quebrado, e Chen Ge instintivamente prendeu a respiração.
Depois de algumas batidas, o som parou.
"É Wang Xiaoming lá fora? Me chamando para ir ao refeitório?" Chen Ge não queria comentar sobre Wang Xiaoming nem se envolver com ele.
Cerca de um minuto depois, as batidas irritantes recomeçaram.
Desta vez, pareciam mais fortes. Chen Ge não falou nem foi abrir. As batidas duraram alguns segundos, e então veio o som de uma chave sendo inserida na fechadura, a mola estalando!
Rangeu...
A porta se abriu, e o Professor Bai, de rosto pálido, apareceu na entrada com uma chave e uma lanterna.
"Por que não abriu a porta?" O Professor Bai olhou feio para Chen Ge, com a testa suada e o pomo de Adão tremendo levemente, como se estivesse com medo.
"Eu tinha acabado de dormir." Chen Ge naturalmente puxou o cobertor da cama para se cobrir, escondendo os três cadernos.
O Professor Bai não entrou no quarto, só olhou de fora: "Não saia à noite, fique quieto no dormitório, ouviu?"
"Tá bom." Chen Ge assentiu.
O Professor Bai fechou a porta e foi embora.
"Que sujeito estranho. Ele abriu a porta com tanta pressa, parecia que queria ver se eu ainda estava vivo."
Chen Ge, coberto pelo cobertor, ia continuar lendo os cadernos quando a luz do dormitório se apagou.
"Apagaram? Já são dez e meia?" Deitado na escuridão, Chen Ge percebeu um problema: "Desde que entrei no mundo atrás da porta, não vi nada que mostrasse as horas—nenhum relógio, nem hora no celular."
"O tempo deve ser uma pista oculta, talvez possa me ajudar de alguma forma." Desde o momento em que a luz apagou, Chen Ge começou a fazer duas coisas ao mesmo tempo: contar os batimentos cardíacos mentalmente e usar a Visão Sombria para continuar lendo os cadernos.
Ele não precisava saber as horas exatas, só ter uma noção aproximada para planejar os próximos passos.
"Vou dar uma olhada rápida no conteúdo dos cadernos e depois procurar outras pistas. Se não achar nada, vou para outro lugar imediatamente." O Professor Bai tinha a chave do dormitório e podia entrar quando quisesse, o que deixava ChenGe inseguro.
As cortinas do dormitório eram grossas, só um fio de luz entrava pela fresta.
As cinco silhuetas nas paredes tornavam o ambiente cada vez mais opressivo.
Pum, pum, pum...
Na escuridão, Chen Ge ouviu alguém batendo na porta do dormitório, com movimentos leves.
"Quem veio agora?" As batidas eram diferentes das do Professor Bai, deviam ser de outra pessoa.
"Será Wang Xiaoming? Não, ele parece muito medroso e tem pavor do corredor do dormitório, não deve ser ele." Chen Ge, deitado debaixo do cobertor, lembrou das palavras do Professor Bai e de Wang Xiaoming: não saia do dormitório à noite.
Enquanto hesitava se devia ir ver, as batidas pararam. Foram só três ou quatro.
"Só as batidas, sem som de passos. Quem está lá fora provavelmente ainda não foi embora." Chen Ge era experiente em investigação e contra-investigação.
Não fez barulho, nem se mexeu, tentando dar a impressão de que o quarto estava vazio.
Dez minutos se passaram, e o silêncio mortal continuava dentro e fora do quarto.
"Já foi?" Chen Ge suspirou aliviado. Enfiou a mão na mochila de Xiao Lin e pegou a tesoura com a lâmina afiada: "Não importa se serve para algo, segurar isso pelo menos me dá mais segurança."
Chen Ge não era do tipo que espera passivamente. Não importa o desespero, ele nunca desistia facilmente.
Segurou a tesoura, mas antes de tirá-la da mochila, as batidas recomeçaram.
Não eram muito fortes, pareciam mecânicas, repetitivas.
"O monstro lá fora está de olho em mim?"
Chen Ge apertou a tesoura, os olhos fixos na porta. Desta vez, as batidas não pararam e ficaram mais urgentes.
"Parece que algo está perseguindo quem está lá fora. Ele quer entrar para se abrigar?" Como um boneco de barro atravessando um rio, Chen Ge mal podia se salvar, quem diria abrir a porta para ele.
A frequência das batidas aumentava, mas a força diminuía, como se a vida estivesse se esvaindo, quase no fim.
"Brincadeira? Ou ele está tentando me enganar para sair?" Chen Ge ouvia as batidas cada vez mais rápidas, mas mais baixas, e estreitou os olhos: "As batidas surgem do nada, sem nenhum som no corredor. Não está certo. Parece que ignorei uma possibilidade."
Chen Ge estendeu a mão para folhear o caderno ao lado. Um dos casos registrados era sobre um assassino escondido no armário do dormitório que, ao sair de madrugada, foi visto por um aluno. O corpo do aluno foi encontrado no armário.
"Seja o assassino ou o aluno, ambos estavam no quarto naquela noite. Se essa história aconteceu neste quarto, então o que estou ouvindo agora não são batidas vindas de fora, mas pedidos de socorro de dentro! O fantasma pode estar no quarto!"
Um arrepio subiu pela espinha até o cérebro. As posições das silhuetas na parede pareciam ter mudado ligeiramente. Pior ainda, Chen Ge sentiu algo se mexendo debaixo do cobertor!