Capítulo 741: Vou garantir que ele entre andando e saia rastejando
— Pode ficar tranquilo, chefe, garanto que vou cumprir a missão! — Qu Changlin bateu no peito para assegurar, sem se importar se o chefe estava vendo seu gesto naquele momento, aceitando de imediato.
— É por isso que gosto do seu jeito, Changlin. Você é um dos nossos melhores funcionários da casa mal-assombrada, por isso confiei a você um cenário tão importante como o banheiro. Espero que não me decepcione desta vez.
— Se ele ousar entrar neste cenário, garanto que vai entrar andando e sair rastejando.
— Aquele cara é meticuloso e muito perigoso. Daqui a pouco vou interromper nossa ligação para evitar que você se exponha, mas vou ficar de olho em você pelo monitor.
— Chefe, não vou decepcioná-lo. — Depois de garantir, Qu Changlin pareceu lembrar de algo e baixou a voz para perguntar: — Chefe, o cenário mais próximo de mim é o do Ouija. A Xiaodie por ali...
— A Xiaodie está bem, não se preocupe com os outros. Fique alerta! Ele está chegando perto. Vou esperar suas boas notícias na sala de monitoramento.
O homem de meia-idade desligou o telefone assim que terminou de falar. No mesmo instante, a porta do banheiro rangeu.
...
— Por que os banheiros de outras casas mal-assombradas não separam masculino e feminino? Muito amador.
Chen Ge empurrou a porta do banheiro da Academia dos Pesadelos. Um cheiro forte e irritante saiu de dentro: — Que cheiro forte de desinfetante. O que aconteceu neste banheiro para precisar de tanto desinfetante?
Tirou o diário da mochila e tentou encontrar respostas, mas, para sua decepção, o terceiro texto sobre o banheiro não trazia nenhuma informação útil, apenas mencionava que algo estava escondido no quarto compartimento.
— Segundo o diário, o ator da casa mal-assombrada deve estar escondido no quarto compartimento. Quando o visitante passar, ele vai sair de repente. Mas será que a Academia dos Pesadelos usa truques tão básicos para assustar?
Assim que leu o diário, Chen Ge já tinha pensado: se o outro estivesse escondido no quarto compartimento, ele ficaria no terceiro para observar a situação primeiro.
Mas, ao entrar no banheiro no fim do corredor, Chen Ge mudou de ideia. O cheiro de desinfetante era forte demais.
Essa disposição devia ser para esconder algo, usando o odor do desinfetante para mascarar outros cheiros.
— O que pode ser tão assustador e ter um cheiro tão forte? — ChenGe refletia enquanto entrava no banheiro.
O chão estava cheio de rachaduras, as paredes tinham frases assustadoras escritas tortas, e ocasionalmente lagartixas passavam pelo teto, fazendo barulhos sutis.
Não havia janelas. Num canto, havia um abajur antigo que emitia uma luz vermelha, e embaixo dele, uma caixinha preta.
— O que é isso? — Num banheiro normal, essas coisas não estariam ali. Chen Ge passou pelo primeiro compartimento e foi até o abajur antigo.
Abriu a caixinha preta. Dentro, havia uma frase escrita: — Você gosta da nossa brincadeira?
Debaixo do papel, havia uma foto de grupo: várias crianças olhando tensas para a câmera, enquanto uma no canto sorria sem preocupação.
Atrás da foto, Chen Ge viu outra frase: — É só uma brincadeira, não fique com raiva.
— Brincadeira? — O diário dava poucas pistas. Chen Ge ainda não tinha entendido o tema daquele subcenário. Guardou a caixinha suspeita na mochila, achando que poderia ser útil depois.
Esse comportamento de Chen Ge foi observado por um olhar oculto. Quem estava escondido não entendia por que ele faria aquilo.
Naquele banheiro com cheiro irritante, parecendo uma cena de crime, alguém colocaria coisas assim na mochila?
Chen Ge, com a bolsa numa mão, examinou o abajur, ligando e desligando algumas vezes para garantir que não havia problema, antes de sair.
— O banheiro tem uma pia e seis compartimentos. Não vi nenhum adereço extra. Já que o abajur está ok, o outro deve estar escondido nos compartimentos. — Chen Ge já tinha passado por algo parecido na Escola Média da Sombra do Entardecer. Não sentiu medo; pelo contrário, teve uma sensação estranha de déjà vu.
Abriu a porta do primeiro compartimento. O cheiro de desinfetante era forte. Chen Ge tapou o nariz e observou com paciência.
Nas divisórias, havia reclamações escritas, como: — Hoje a roupa molhou de novo, odeio o Xiaolin; o Xiaolin empurrou minha cadeira quando eu ia sentar, e eu caí no chão; o Xiaolin colocou um sapo na minha gaveta! Vou vomitar!
Eram todas coisas pequenas, e o protagonista de todas era um tal de Xiaolin.
Essa criança parecia ser a que mais fazia brincadeiras na turma, pregando peças em muitos.
— Nada de assustador até agora. — Chen Ge deu uma olhada geral. Comparado com as mensagens do Terceiro Bloco de Doentes, aquilo era quase refrescante.
Abriu a porta do segundo compartimento. Havia muitas mensagens, mas, diferente do primeiro, as crianças estavam mais irritadas, e algumas começavam a ser exageradas.
Depois, Chen Ge abriu a porta do terceiro compartimento. Algumas mensagens começavam a planejar dar uma lição no Xiaolin.
Todas as crianças que tinham sido alvo das brincadeiras do Xiaolin se uniram para preparar uma peça para ele.
Inventaram uma história sobre uma sombra estranha que aparecia no quarto compartimento do banheiro à meia-noite, contaram para o Xiaolin de forma casual, e então todos juntos pensaram em várias maneiras de decorar o banheiro para pregar uma peça nele.
Pelos fragmentos de mensagens nas divisórias, Chen Ge entendeu mais ou menos a história.
Só as mensagens não eram assustadoras, mas, combinadas com o terceiro texto do diário, ficavam um pouco perturbadoras.
— O Xiaolin saiu do compartimento no final?
Chen Ge parou na frente do quarto compartimento. O diário enfatizava especificamente aquele lugar, então a coisa mais assustadora devia estar ali.
Talvez, ao abrir a porta, a brincadeira dos colegas aparecesse.
Ou talvez, no instante em que a porta se abrisse, o Xiaolin voltasse.
Sem pensar muito, Chen Ge abriu a porta do quarto compartimento. Para sua surpresa, dentro só havia um espelho.
— Essas crianças têm criatividade. — Chen Ge olhou para o espelho colocado atrás do vaso sanitário e percebeu algo estranho: o espelho não refletia sua imagem.
— Interessante. Colaram uma foto no espelho antes?
Chen Ge estendeu a mão para o espelho. Quando seus dedos estavam quase tocando a superfície, ouviu um som leve vindo de cima e sentiu um coceira no pescoço.
Olhou para o espelho, mas não viu nada. No entanto, a coceira na nuca aumentava, como se um inseto tivesse pousado ali.