Capítulo 738: Três?! (4000 palavras)
"Por que esse cara está usando o uniforme de outra escola?" Cui Ming ficou confuso. "Escola do Meio-dia? Nunca ouvi falar! Será que algum outro visitante entrou escondido? Mas por que não ouvi nenhum barulho?"
Enquanto Cui Ming parava no lugar, passos ecoaram novamente na sala de aula escura, e a figura borrada se aproximava lentamente.
A temperatura parecia ter caído um pouco. O vento frio do ar-condicionado passou pelo seu pescoço, infiltrando-se na gola da camisa. Cui Ming sentiu um frio nas costas.
"Maninho Gou?"
Ninguém respondeu. Cui Ming respirou fundo. A pressão indescritível ficava cada vez mais forte, e seu corpo instintivamente queria fugir.
"O que está acontecendo?" Ele estava na casa assombrada, era um ator dela. Por que agora sentia como se fosse um visitante?
Ele arregalou os olhos, e quanto mais olhava, mais sentia que algo estava errado. A pessoa que o seguia certamente não era o Gou Pequeno; ela usava o uniforme de outra escola!
O desconhecido é o mais aterrorizante. Cui Ming estava enfrentando exatamente isso. Sabia que alguém o seguia, mas não sabia quem era.
Aquela cena familiar, por causa daquela pessoa estranha atrás dele, tornou-se assustadora.
A escuridão o engolfou como uma maré. Seu peito subia e descia, sua respiração ficava ofegante. Parecia que ele era o único na sala, sem colegas ou visitantes, apenas uma escuridão infinita.
Uma pessoa normal, acostumada a um mundo colorido, ao ser subitamente mergulhada na escuridão, sente um pânico momentâneo, como se tivesse sido arrancada do seu mundo original.
Depois de assustar tantos visitantes naquela cena, Cui Ming finalmente experimentou a sensação de ser assustado.
O celular vibrou novamente na palma da sua mão. Cui Ming sabia que alguém tinha lhe enviado uma mensagem.
Suprimindo o medo, ele usou o corpo para bloquear a luz e olhou para a tela: "Coloque os fones de ouvido!"
Ainda era do Gou Pequeno, muito curta, apenas quatro palavras.
"Se tem algo a dizer, fala logo! Isso me deixa mais nervoso!" resmungou Cui Ming mentalmente. Com uma mão segurando o celular, a outra foi ao bolso procurar os fones. No momento em que pegou os fones e os levou ao ouvido, sentiu uma corrente de ar frio na nuca.
Ele se virou bruscamente, e a luz residual do celular iluminou o que estava atrás dele.
Sem abaixar a cabeça, Cui Ming olhou para trás na altura dos olhos. Não viu ninguém se aproximando, apenas um par de sapatos femininos velhos. O que havia roçado seu pescoço era um cadarço.
"Por que esses sapatos estão flutuando atrás de mim?" Seguindo a superfície do sapato, Cui Ming ergueu a cabeça lentamente e viu uma figura escura quase em cima do seu ombro!
Quando ele ergueu a cabeça para olhar para ela, a pessoa também o olhava!
Seu coração pareceu pular uma batida, seu corpo ficou petrificado. Ele se apoiou na parede, tentando usar o último resquício de razão para se acalmar, mas depois de pensar rapidamente por um bom tempo, sua mente estava em branco.
Uma sala de aula abandonada, um jogo de invocação, uma escuridão total, uma pessoa no ombro. Escolha qualquer combinação dessas palavras-chave e já dá para assustar alguém, quanto mais Cui Ming, que tinha todos os "elementos".
Seu pescoço, meio erguido, ficou rígido. Ele gritou alto, mas, talvez por medo excessivo, sua fala saiu muito confusa. As pessoas ao redor nem ouviram direito o que ele disse, só viram ele disparar para frente.
Esqueceu o roteiro, os atores, a casa assombrada. Na mente de Cui Ming, só havia um pensamento: correr! Sair daqui o mais rápido possível!
Sem destino, sem direção. Contanto que pudesse sair daquela sala de aula, qualquer lugar servia.
"Cui Ming!" gritou Gou Pequeno, tentando acalmá-lo. A resposta foi o som de mesas e cadeiras sendo derrubadas.
Não havia luz na sala de aula. Cui Ming não via o caminho, saiu batendo em tudo, até que finalmente escapou pela porta da frente.
Gou Pequeno sabia que o que seguia Cui Ming era um fantasma. Ao ver a reação dele, percebeu imediatamente que aquela coisa era muito assustadora.
"Aonde você vai, Cui Ming!" gritou Gou Pequeno, mas Cui Ming nem olhou para trás, sumiu correndo.
"O que houve com ele? Por que saiu correndo de repente? Será que aconteceu algo?" Os olhos de Chen Ge transmitiam uma certa preocupação. Ele fez três perguntas seguidas, e todos na sala podiam ouvir em seu tom a preocupação com Cui Ming.
"Não sei. Acho que esse jogo não pode continuar. Vou procurar o Cui Ming." Gou Pequeno começou a sentir medo. No escuro, ele não sabia se o fantasma tinha ido embora com Cui Ming.
"Não pode!"
Essas duas palavras vieram ao mesmo tempo dos fones de ouvido e da última fileira da sala. Chen Ge e o dono da Mansão dos Pesadelos, na sala de monitoramento, falaram juntos.
"O que vocês estão fazendo? Sigam o roteiro direito! Não estraguem tudo logo de cara, deixando aquele cara rir de nós!"
A voz do patrão veio pelos fones de ouvido de Gou Pequeno. Antes que pudesse responder, ouviu Chen Ge, da última fileira, dizer: "O jogo de invocação não pode ser interrompido no meio, senão o espírito vai te assombrar para sempre! Não importa se isso é uma encenação da casa assombrada ou se é real. Se vocês não querem ser visitados por demônios à meia-noite, é melhor continuar esse jogo até o fim!"
Ouvindo ao mesmo tempo a voz do patrão e a de Chen Ge, Gou Pequeno sentiu que estava enlouquecendo. Que tipo de pessoas ele tinha encontrado?
Nunca antes um visitante tinha pedido para terminar um jogo de invocação numa casa assombrada. Isso nunca tinha acontecido.
Chen Ge era um visitante, e do outro lado dos fones estava o patrão. Ambos insistiam em continuar o jogo. Gou Pequeno só podia ir em frente, mesmo com medo.
"Tudo bem, então... vamos continuar." Ele apertou os dentes para aguentar. Agora só podia torcer para que o fantasma tivesse ido embora com Cui Ming.
"Faltou uma pessoa, sobrou um canto. Então vamos mudar um pouco as regras do jogo." Chen Ge devia ser o primeiro a entrar na casa assombrada dos outros e ditar as regras. Ele não se importava com isso.
"As regras básicas continuam as mesmas. Ainda vamos andar no sentido horário. Se chegarmos a um canto vazio, tossimos uma vez, deixamos aquele canto vazio e continuamos andando."
"Fazemos como você disse." O coração de Gou Pequeno já não estava mais no jogo. Ele concordou de forma muito superficial.
"Então vamos começar por mim de novo." Chen Ge contou três vezes, depois tirou um caderno de desenhos da mochila e, tateando a parede, foi em direção ao canto à sua frente.
Ele não tentou esconder seus passos. Na escuridão, dava para ver vagamente uma figura andando.
Gou Pequeno ficou de olho em Chen Ge. O canto para onde Chen Ge estava indo era muito próximo do lugar onde Cui Ming tinha se ferrado.
Seus nervos estavam tensos, sua atenção totalmente concentrada.
Logo Chen Ge chegou ao próximo canto. Ele não tossiu, ficou parado no lugar.
"Nenhuma tosse! Ainda tem alguém naquele canto!" O corpo de Gou Pequeno tremia levemente. Ele estava muito inquieto.
Chen Ge ficou parado naquele canto, mas os passos não pararam. Uma figura balançante foi da última fileira da sala em direção a Li Po.
De todos ali, só Li Po, o gordinho, ainda estava no escuro. Ele estava seguindo o jogo direitinho.
Seu ombro foi tocado de leve. Li Po, tateando a parede, foi em direção a Gou Pequeno.
Os atores da casa assombrada tinham sinais combinados. Li Po chegou atrás de Gou Pequeno, bateu no ombro esquerdo dele, depois no direito: "Irmão Gou, o que houve com o Cui Ming?"
Li Po perguntou baixinho. Gou Pequeno, com medo de assustá-lo, não contou a verdade: "Deixa ele pra lá. Se a coisa ficar estranha, sai dessa sala o mais rápido possível."
Depois de dizer isso, Gou Pequeno começou a andar para o próximo canto.
Não sei se era sugestão psicológica, mas Gou Pequeno sentiu que o ambiente estava ainda mais escuro. Parecia que havia um buraco negro na frente, que ia sugar quem se aproximasse.
Apoiando-se na parede, Gou Pequeno foi se arrastando até o canto onde Chen Ge tinha estado. Diante dele, havia uma sombra vaga de uma figura.
Ele chegou perto, estendeu a mão, mas, no momento em que ia tocar o ombro da figura, Gou Pequeno percebeu uma coisa.
Esta rodada do jogo tinha começado com Chen Ge. Portanto, o canto onde Chen Ge estava originalmente deveria estar vazio!
Chen Ge já tinha se movido para o próximo canto. Então, quem estava naquele canto?!
O medo veio de todos os lados. O braço de Gou Pequeno ficou suspenso no ar. De repente, ele pensou em algo ainda mais aterrorizante.
O jogo já tinha completado uma rodada, mas ninguém tinha tossido.
Isso significava que naquela sala de aula não havia apenas um fantasma!
A mão erguida simplesmente não conseguia descer. Toda a coragem de Gou Pequeno tinha se esgotado.
Depois de hesitar por um bom tempo, ele finalmente tomou uma decisão. Tocou de leve o ombro da figura no canto e deu alguns passos para trás.
Só quando a figura se afastou, balançando, é que Gou Pequeno suspirou aliviado. Ele não ficou no canto. Em vez disso, abriu silenciosamente a porta dos fundos da sala, que só os funcionários da casa assombrada conheciam, e se escondeu lá dentro.
"Não posso ficar aqui de jeito nenhum!"
Gou Pequeno pegou o celular para mandar uma mensagem para Li Po avisá-lo, mas ouviu a voz do patrão nos fones: "Gou Hui, o que você está fazendo? Aquele visitante ainda está lá dentro. Eu mandei você assustá-lo, e agora você sai correndo? O que isso significa?"
"Chefe, me escuta. Hoje as coisas estão realmente diferentes!" Gou Pequeno tentava se explicar ao patrão, enquanto o jogo continuava na sala.
Passos ecoavam sem parar na sala. Logo, Li Po sentiu seu ombro ser tocado de novo.
O gordinho, sem pensar muito, começou a andar para frente.
Mas quando chegou ao canto onde Gou Pequeno estava, descobriu que ele estava vazio.
"Irmão Gou?" Li Po ficou parado sozinho no canto por alguns segundos. Depois, seguindo as regras que Chen Ge tinha estabelecido, tossiu baixinho e continuou andando para o próximo canto.
Na sala de aula escura, Li Po também começou a ficar nervoso. Ele se aproximou lentamente do canto onde Chen Ge estava, mas, ao chegar perto, descobriu que aquele canto também estava vazio!
"Onde estão as pessoas? E o visitante?"
Sem entender nada, Li Po tossiu de novo e foi para o próximo canto.
A sala estava extremamente silenciosa. Só se ouvia o som do seu próprio coração e dos seus passos.
Quando chegou ao terceiro canto, Li Po finalmente percebeu que algo estava errado, porque aquele canto também estava vazio.
"Para onde foram todos?"
Li Po não ousava se mexer. Queria contatar Gou Pequeno, mas ele não respondia às suas mensagens. Queria desistir, mas a frase que Chen Ge tinha dito ecoava na sua mente.
Se desistir do jogo de invocação no meio, será assombrado por demônios à meia-noite.
Só de pensar nisso, os pelos de Li Po se arrepiaram. Ele não teve escolha a não ser continuar.
"Parece que estou sozinho na sala toda?"
Na porta dos fundos, Gou Pequeno tinha acabado de se explicar ao patrão e estava prestes a responder à mensagem de Li Po quando, pela janela da porta, viu Li Po vindo em sua direção.
"Esse jogo não pode continuar de jeito nenhum. Quando o Li Po chegar, vou chamá-lo primeiro. Aquele visitante que se vire. O patrão quer se livrar dele mesmo." Gou Pequeno segurou a maçaneta da porta e, pela janela, viu Li Po se aproximar.
Ele abriu a porta dos fundos uma fresta, abriu a boca para chamar o nome de Li Po, quando uma onda de frio subiu direto para o topo da sua cabeça!
Gou Pequeno viu claramente que, atrás de Li Po, três figuras balançantes o seguiam!
Elas estavam bem coladas nas costas de Li Po, com passos sincronizados com os dele, e Li Po, na frente, não percebia nada!
"Três?!"
Caiu sentado no chão, Gou Pequeno chutou o chão com as pernas, recuando desesperadamente, e gritou: "Li Po! Corre!"
O som repentino assustou Li Po. Ele viu a porta dos fundos da sala aberta e Gou Pequeno apontando desesperadamente para trás dele. Instintivamente, ele virou a cabeça para olhar.
Três figuras estavam bem coladas nele. Três rostos diferentes entraram em seus olhos.
"Nossas aparências são estranhas para você?"
A resposta para Chen Ge foi um grito agudo. Era a primeira vez que ele ouvia um som tão agudo vindo de um garoto.
Vendo o corpo gordinho bater na porta dos fundos e sair disparado como um projétil, Chen Ge não foi atrás.
Ele recolheu o Espírito da Caneta e o Velho Zhou, pegou o diário que tinha caído no chão e o abriu na terceira página.
No final do primeiro diário, estava escrito: Quatro pessoas jogaram o jogo dos quatro cantos numa sala de aula abandonada. Três delas intencionalmente pregaram uma peça e intimidaram uma, causando um acidente.
Mais tarde, os três adultos que pregaram a peça desapareceram todos. No sétimo dia da morte da vítima, sua família encontrou três bonecos de palha debaixo da cama dele. Nas costas dos bonecos, estava escrito: "Cobrador de Dívidas", "Ceifador de Almas" e "Separador de Espíritos".
"Este primeiro diário descreve o primeiro cenário de terror, ou seja, o jogo dos quatro cantos na sala de aula abandonada. Por essa lógica, o segundo cenário deve corresponder ao segundo diário."
Sentado na cena sombria da casa assombrada, Chen Ge, curioso, começou a ler o segundo diário: Havia uma mulher vaidosa chamada Die. Ela se apaixonou por um homem. Para evitar ser rejeitada ao confessar seu amor, decidiu consultar o Espírito da Caneta.
"Espírito da Caneta?" Chen Ge parou de ler por ali, com uma expressão muito estranha no rosto. "Mesmo tema. Espero que aqui eles me proporcionem uma sensação diferente."
Sem ler os outros diários, Chen Ge saiu diretamente pela porta dos fundos da sala.
"Vou primeiro ao cenário do Espírito da Caneta, ou vou buscar alguns adereços com o médico?"
Olhando para o corredor escuro, ele balançou a cabeça levemente: "Deixa pra lá. Vou indo. Hoje tenho que zerar essa casa assombrada."